Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Entrevista: Lucimara D’Aquila

Ela entrou para o triatlo aos 45 anos e hoje é uma das melhores atletas do país na sua categoria. Em outubro, com o colega Leandro Pardo, correrá de São José a Nova Trento em um desafio beneficente

Foto: Marcio Saretto/Ignis Comunicação/Divulgação/NDFoto: Marcio Saretto/Ignis Comunicação/Divulgação/ND

Ela entrou no triatlo aos 45 anos para melhorar a saúde física e mental. Três anos depois, já subia ao pódio como melhor atleta do circuito em sua categoria. Paulista de São José do Rio Pardo, hoje, aos 50, Lucimara vive há duas décadas na região da Capital. Atualmente, mora com o filho, Eurico, em São José, de onde ela e o colega Leandro Pardo partirão em outubro até Nova Trento, num desafio de 10 horas de corrida que a dupla lançou neste dia 20 em suas redes sociais.

Como começaste a praticar triatlo?

Em 2011, tive uma paralisia facial que me impossibilitava até de convívio social, como estamos agora com a Covid-19. Em 2012, com o intuito de melhorar a saúde, parti para atividades físicas e cursos. Iniciei na Beira-mar de São José com um grupo de corrida (Viva Bem), que me deu o desafio de, em um mês, fazer minha primeira corrida de cinco quilômetros, em Florianópolis, me deixando em segundo lugar na categoria.

Aquilo foi pontapé para o início das atividades. Neste mesmo grupo, um colega (Gileard Mauricio) me incentiva para entrar para o triatlo, pois ele dizia que eu tinha perfil para tal, e assim o fiz! Naquela época, queria me tornar uma pessoa melhor. Para isso, precisava de desafios grandes e também uma forma de mensurar minha evolução. Com 45 anos completos, fiz muitas mudanças na minha vida e, em 2015, iniciei treinos para triatlo, focando na natação. Não sabia nadar e nem pedalar nas bikes modernas. Trocar marcha?!… Achei que era de comer! (risos)

Foto: Divulgação/NDFoto: Divulgação/ND

Praticavas algum esporte antes?

Até 2012, praticava coisas simples, sem disciplina ou rotina. Depois de setembro, com 42 anos, eu iniciei com muitas dificuldades, por conta da baixa imunidade e do ciclo de recuperação lento demais. Fiquei um ano neste processo até achar o denominador comum e conseguir aumentar as distâncias.

Em 2018, foste a melhor atleta da categoria Sprint no circuito Triday Series e, em 2019, a segunda colocada. Quais são as características desta modalidade?

Sprint são 750 metros de natação, 20 quilômetros de bike e cinco quilômetros de corrida.

Foto: Studio A3/Divulgação/NDFoto: Studio A3/Divulgação/ND

Como ficou o calendário do campeonato neste ano?

Com a pandemia, todos os eventos foram suspensos até o momento. Alguns ainda continuam com a data prevista para novembro. Por isso, mantemos os treinos, claro, adaptados às novas orientações e recomendações dos órgãos de saúde, em salas virtuais e ao ar livre com os equipamentos de segurança.

E o ritmo dos treinamentos?

Os treinos seguem uma periodização com um planejamento para todo o tempo de preparação até o evento principal, porém subdividido em blocos que mudam semanalmente. Os treinos semanais possuem estímulos diferentes, levando em consideração as características do evento em que irei participar e as minhas adaptações às sessões de treinamento. Tudo personalizado e individualizado.

Lucimara D’Aquila e Leandro Pardo – Foto: Divulgação/NDLucimara D’Aquila e Leandro Pardo – Foto: Divulgação/ND

Tu e o ultra-atleta Leandro Pardo acabaram de lançar o projeto #sejaseupropriodesafio. No que consiste?

O Leandro tinha pensado em um desafio há um tempo atrás, porém não realizou. Ele comentou comigo durante um treino de ciclismo e eu perguntei o que impedia, já completando que toparia realizar este projeto com ele. Desde então, foi uma chuva de muitas ideias que surgiram. Enfim, planejamos a estrutura para este projeto e decidimos colocar em prática.

No dia 12 de outubro, Dia da Criança, percorreremos 90 quilômetros, da Paróquia de Santo Antônio, padroeiro das crianças, em São José, rumo ao Santuário de Santa Paulina, em Nova Trento. A distância representa os primeiros 90 dias de reclusão dos brasileiros no período da pandemia, o que exigiu muito autocontrole, superação e resiliência. Nosso intuito é agradecer e prestar homenagem a todo o povo brasileiro, que ainda luta contra esta pandemia, e arrecadar doações para entidades e instituições.

Serão apenas dois atletas. Por que não um grupo?

É um desafio pessoal, com intuito de fé, esperança, gratidão, solidariedade e superação. Iremos com uma equipe de apoio que nos dará todo o suporte. Caso fosse um evento com mais atletas, teríamos que solicitar autorizações aos órgãos de trânsito e outros mais.

Foto: Divulgação/NDFoto: Divulgação/ND

O projeto tem cunho social, pois arrecadará doações pelo percurso. Como será feito isto?

Esta parte ainda está em construção, pois ainda não temos os nomes das entidades, mas queremos que cada município tenha um representante local para que as doações fiquem no município, além de outras frentes que estamos pensando. O foco serão crianças, instituições, orfanados, laboratórios, pesquisa, programas, tudo o que possa envolver o mundo infantil. Ao longo destes meses, vamos publicando e instruindo os que quiserem fazer parte desta “corrida de fé e desafio”!

Também há um viés religioso.

Acreditamos ser um momento de muita gratidão pelo cenário em que vive nosso mundo e país. Passamos por um turbilhão de coisas e acontecimentos que surgiram por conta da pandemia. Os que aqui estão saíram vitoriosos de alguma forma, sim! Digo isto porque estamos vivos, mesmo com certas dificuldades, e ainda temos a oportunidade de nos reinventarmos e continuar!

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