“A gente está vendo ruir”: artistas de Joinville lamentam incêndio na Cidadela Antárctica

Galpão da Cidadela Cultural Antárctica pegou fogo na tarde desta sexta-feira (19); local já estava interditado

Um grande incêndio destruiu parte da Cidadela Cultural Antárctica, em Joinville, na tarde desta sexta-feira (19). O galpão atingido pelo fogo já estava interditado, mas o dano a um patrimônio cultural tão importante para a arte e a cultura da cidade é motivo de tristeza  para a classe cultural.

Incêndio atingiu a Cidadela Cultural Antárctica nesta sexta-feira (19) – Foto: Secom/NDIncêndio atingiu a Cidadela Cultural Antárctica nesta sexta-feira (19) – Foto: Secom/ND

“O sentimento é de abandono, uma tristeza imensa”, diz a atriz amadora Tatiane Serpa. Além de se apresentar no palco da Ajote (Associação Joinvilense de Teatro), cuja sede fica na Cidadela, ela também fez parte do espaço muitas vezes como plateia.

“Ele foi construído pelas mãos de muitos artistas. Foi comprado para que fosse construído um espaço cultural que atendesse à comunidade, o que nunca saiu do papel. Vai gestão, vem gestão e só se escutam promessas. A gente está vendo o espaço ruir e se degradar com o tempo”, destaca.

A mesma percepção tem a atriz Clarice Steil Siewert. “Eu estive na inauguração, quando o prefeito comprou dizendo que ia ser um espaço cultural, e é muito triste. A gente tem visto a olho nu o descaso e uma hora uma coisa dessa ia acontecer”, lamenta.

O espaço foi construído no século 19 para funcionar como uma cervejaria, o que ocorreu até 1998. Em 2000, o prédio foi comprado pelo município e, desde então, já foi sede de órgãos públicos e, atualmente, abriga a Ajote, a Aaplaj (Associação de Artistas Plásticos de Joinville) e parte do acervo do MAJ (Museu de Arte de Joinville).

Espaço foi construído no século 19- Foto: Divulgação/NDEspaço foi construído no século 19- Foto: Divulgação/ND

“É uma perda muito grande porque a gente sente que o potencial daquele espaço é muito grande. Poderia ser um espaço democrático, que valorizasse o patrimônio da cidade, que os joinvilenses poderiam usufruir, principalmente porque a cidade carece de espaços como esse”, ressalta Clarice.

Ocupa Cidadela, em 2014, teve 24 horas de programação cultural reivindicando o uso do espaço – Foto: Rogério Souza Jr./Arquivo/NDOcupa Cidadela, em 2014, teve 24 horas de programação cultural reivindicando o uso do espaço – Foto: Rogério Souza Jr./Arquivo/ND

“A Cidadela é uma joia”

Quem também lamenta o incêndio na Cidadela Cultural Antártica é a presidente da Aaplaj, Regina Marcis. Embora o fogo não tenha atingido o galpão da associação, o sentimento é de tristeza.

“A Cidadela é uma joia, uma maravilha em Joinville, e nossa esperança é que ela reviva, tenha uma nova vida só com arte e coisas boas. Esse incêndio talvez seja mais uma motivo para reformá-la, não um motivo para colocar tudo a baixo”, destaca.

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