Cacau Menezes

Apaixonado pela sua cidade, por Santa Catarina, pelo seu país e pela sua profissão. São 45 anos, sete dias por semana, 24 horas por dia dedicados ao jornalismo


A retificação foi feita no sábado, mas preciso me explicar

Darcy Brasiliano e Darci Costa, duas lendas da cultura local

Final da tarde de sexta-feira,  Cacau e outros colegas de mídia receberam de uma mesma pessoa muito próxima profissionalmente (e todos somos vítimas de mal entendidos) a notícia da morte do agente cultural Darcy Brasiliano dos Santos, inclusive com o horário do sepultamento e um histórico de sua vida, que conhecemos e admiramos, discreta e dedicada à música, razão também de sua a longevidade,  90 anos, felizmente  muito antenado nas coisas. Lembrei do quanto me procurava para divulgar seus eventos. E a satisfação que eu tinha em atendê-lo. E para cá trouxe alguns dos melhores da nomes da musica clássica do mundo, sempre lotando os teatros.
Quase no mesmo instante da notícia da sua morte sexta-feira, recebi do principal jornalista cultural da cidade, Paulo Clóvis, release sobre o lançamento  de um documentário que mostra a trajetória de Darcy e da Pró-Música, e um livro do Néri Pedroso, a ser lançado em breve reconhecendo um trabalho e um esforço que a cidade jamais conseguirá pagar à altura.
Muita coincidência. Na hora pensei que já era a primeira homenagem ao Darcy, das muitas que é merecedor.
A nota do Paulo Clóvis estava no blog e foi publicada na minha coluna do ND impresso do fim de semana, sem, no entanto, fazer nenhum registro de sua morte. Menos mal, porque  o Darci que morreu não foi o Brasiliano dos Santos, da Pró-Musica, mas sim o Darci Costa, 94 anos, cinéfilo que todos aprendemos a admirar e respeitar.  Perdemos não o da Música, que entendeu a confusão dos nomes, sem ficar assustado, claro,  mas o do cinema. E o luto é o mesmo no setor cultural da cidade.

Sobre  Darci
Formado em direito, jornalista e radialista autodidata, crítico de cinema do extinto jornal O Estado e bancário por profissão, dedicou grande parte de sua história à sua paixão maior: a sétima arte. No início da década de 60, Darci experimentou um projeto semelhante ao Art 7: o Cine Central, que teve dois anos de duração.
O Cine Central funcionou na rua Felipe Schmid, onde hoje funciona as Livrarias Catarinense. Entre as recordações, Darci guarda, em um dos cômodos de sua casa, o maquinário de projeção e alguns rolos de celuloides. Pôsteres de filmes e painéis montados artesanalmente adornam as paredes da sala. Mais de três mil DVDs lotam estantes, com muitos clássicos.
De outubro de 1986 a novembro de 1997, uma das duas opções para quem quisesse fugir dos filmes “de mercado” exibidos nas salas do Centro de Florianópolis – e depois nos shopping centers da região – era o cinema do CIC. A outra era o Cine Art 7. Não havia glamour na sala, com poltronas e piso de madeira. Mas a simplicidade era compensada pela paixão.
Junto ao sócio Alberto Ferm

Acervo de Darci Costa – Foto: Daniel Queiroz/ND

iano, Darci Costa conseguiu manter o Art 7, localizada no antigo prédio da prefeitura de Florianópolis (hoje sede do Badesc), funcionando contra todas as adversidades.
Fã de westerns e musicais, em certa ocasião, para assistir O Intrépido General Kuster (1941), Darci perdeu o último ônibus da noite. Resultado: caminhou do centro até o final do Saco dos Limões, onde morava, debaixo de chuva torrencial e com a cidade às escuras por causa de um blecaute. “Em outra ocasião, sem dinheiro para pagar o ingresso, acomodou-se próximo à sala de projeção, contentando-se em ouvir os diálogos do capítulo final de um seriado de aventura”