Abram a porta desses mares

Em dias de azul infinito - verdadeiros “presentes” do Arquiteto Supremo para compensar os tempos sinistrose a mediocridade humana

Sonho com a abertura dos mares na Ilha Catarina – e com um caminho que deveria seguir o exemplo dos fenícios, dos vikings, dos ancestrais portugueses da saga camoniana.

O atalho naval entre a Ponta do Rapa e os Naufragados seria uma magnífica língua azul debruando a costa, com meia dúzia de grandes terminais marítimos, fazendo as vezes de pontos-de-ônibus.

O mar nunca fecharia a sua generosa estrada para as poucas embarcações – Foto: Yasmin Mior/NDO mar nunca fecharia a sua generosa estrada para as poucas embarcações – Foto: Yasmin Mior/ND

Em dias de azul infinito – verdadeiros “presentes” do Arquiteto Supremo para compensar os tempos sinistrose a mediocridade humana – o mar nunca fecharia a sua generosa estrada para as poucas embarcações que hoje teimam em singrar o espelho das duas baías.“Donde vem essa voz, ó mar amigo? / Talvez seja a voz do Portugal antigo…”.

O caolho Luiz Vaz de Camões enxergava longe o mar, a navegação e as boas rimas. Faz pouco mais de um século que as telas de Eduardo Dias retratavam o “viveiro de barcos” ancorados placidamente no espelho das duas baías, na passagem do século 19 para o 20.

Centenas de barquinhos pareciam refletir na grande tela a vocação dos ilhéus para a bela “estrada” de líquidos cristais. Hoje, navegar mais parece sinônimo de “poluir”.

Para o mar – líquido “guarda-comida”, empório de víveres, “ente” da natureza que requer respeito e gratidão – os ilhéus devotavam os seus rejeitos. Suas latrinas davam para o mar,as marolas servindo de “encanamento”.

Até prova em contrário, a Ilha de Santa Catarina continua sendo um pedaço de terra cercado de água por todos os lados. Só a falta de tradição marítima- absurda constatação, em se tratando de uma ilha- explica a inexistência de “corredores marítimos”entre o Centro da cidade, o Norte e o Sul da Ilha.

Navegar, num desses belos dias de sol, parece que nunca foi preciso. Seremos todos masoquistas, ao ponto de querer respirar o piche que emana do asfalto esburacado, frigindo ao sol no rumo das praias? Ai, meu vesgo Camões! Ai, meu violeiro Dorival Caymmi!

Que vontade de cantar outra vez os mares,como vocês tão bem fizeram, fosse num poema heroico, fosse num sambinha popular…O administrador precisa ler mais Camões e ouvir mais Caymmi.- O mar, quando quebra na praia, é bonito… / É bonito…É bonito, está certo.

Mas continuamos à espera de equipamentos náuticos modernos,como a Marina Municipal da Baía Norte. Em que escaninho de repartição pública repousam, empilhados ou acomodados, os projetos do grande ancoradouro?Anseio pela boa notícia: do tipo “as obras começam amanhã”…

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