Acampada no Centro Integrado de Cultura, classe artística faz atividades para reivindicar atenção

Movimento em Florianópolis reúne artistas e profissionais da cultura de todo o Estado pela transparência do setor

Divulgação / ND

Performances chamam atenção do público e das autoridades para políticas culturais

Representantes da classe artística e cultural de Santa Catarina estão acampados desde segunda-feira (23) no CIC (Centro Integrado de Cultura), num movimento pacífico batizado “Ocupa CIC”. Pelo menos 100 pessoas participam da mobilização e cerca de 20 montaram barracas no hall da instituição. O grupo reivindica, dentre outros temas, que a cultura seja um tema transversal nas políticas públicas do Estado e pede mais atenção e transparência das autoridades para o setor. O presidente da FCC (Fundação Catarinense de Cultura) Joceli de Souza, que não recebeu os manifestantes na segunda, afirmou estar aberto ao diálogo, mas não pode receber todo o grupo em seu gabinete em função do espaço físico restrito.

“Queríamos que Joceli de Souza nos olhasse e sentisse a força do nosso movimento. E queremos chegar no governador”, afirmou a atriz Luana Raiter, do Erro Grupo. Ela informa que os manifestantes permanecem acampados no CIC até sexta, 24. “É preciso chamar atenção. O Joceli de Souza não nos recebeu na segunda e disse que ontem estaria disposto a conversar com uma comissão de cinco pessoas. Mas todos gostariam de conhecê-lo”, diz Luana.

“Esperávamos que ele nos recebesse pelo menos em ato simbólico”, comenta a diretora administrativa da Cinemateca Catarinense, Flávia Person. O presidente da FCC, Joceli de Souza, alega que em momento algum se negou a falar com os manifestantes e disse que tinha compromissos previamente agendados ligados à ponte Hercílio Luz. “Sempre atendemos a todos indistintamente. Mas não temos como atender 50, 60 pessoas ao mesmo tempo. As nossas instalações são acanhadas, divido a sala com outros servidores”, afirma.

Rosane Lima /ND

Joceli de Souza, presidente da FCC, diz estar aberto ao diálogo

Entenda o caso

A manifestação começou no hall de entrada do CIC, na última segunda, com a leitura de uma carta assinada por 131 entidades representativas dos profissionais da cultura que foi encaminhada às autoridades estaduais, entre elas o governador Raimundo Colombo e o secretário de Turismo, Cultura e Esporte José Natal. Os participantes esperavam que o presidente da FCC, Joceli de Souza, viesse receber o documento pessoalmente em frente ao grupo. A carta foi protocolada, mas segundo Joceli de Souza, o documento não havia chegado em suas mãos até às 13h de terça, 24.

Marco Santiago / ND

Movimento começou na segunda-feira (23) no hall do CIC com mais de 100 pessoas

Atividades culturais estão previstas durante o período da mobilização

“A ocupação simbólica do CIC continua até sexta, independente de audiência com representantes das FCC”, diz o teatrólogo Pedro Bennaton. Segundo ele, estão previstas até lá atividades artístico-culturais na instituição, como apresentações, performances e aulas de teatro, entre outros eventos. “É uma maneira de as pessoas se interessarem mais e conhecerem a Fundação. Inclusive Joceli de Souza está convidado a participar das atividades”, disse Bennaton.

Para quem quiser acompanhar o acampamento cultural, o grupo criou o blog “Ocupa CIC” (www.ocupa-cic.blogspot.com), onde são postadas informações e fotos das atividades do grupo.

Principais Reivindicações

– Retomada dos trabalhos da comissão do Sistema Estadual de Cultura
– Reuniões e participação civil no Conselho Estadual de Cultura
– Respeito às deliberações do Conselho Estadual de Cultura
– Cultura como um tema transversal nas políticas públicas do Estado
– Esclarecimentos quanto ao edital Elisabete Anderle, realizado uma única vez desde a criação em 2009
– Criação de uma secretaria específica para a área
– Retomada de ações e prêmios que contemplam a classe artística, como o Salão Victor Meirelles e o Prêmio Cruz E Sousa

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