Alagamento no Arquivo Público: uma tragédia anunciada

Não faltaram advertências recentes de pesquisadores sobre o estado lamentável de um dos mais importantes centros de memória de Santa Catarina

De modo geral, o poder público não é muito zeloso com a questão física da memória. O alagamento recentemente ocorrido no Arquivo Público do Estado não chega a surpreender muitos pesquisadores que frequentavam o local, junto à antiga Imprensa Oficial, no bairro Saco dos Limões. No governo de Luiz Henrique da Silveira o Arquivo, criado por Hercílio Luz há 120 anos, foi transferido para lá de qualquer jeito, lamentavelmente como forma de “se livrar” de um peso, de uma responsabilidade. Nos últimos meses não faltaram alertas sobre a falta de cuidados com os documentos lá armazenados, milhares de papéis, livros e mapas que contam boa parte da história política e administrativa de Santa Catarina desde o século 18. Edson Luiz da Silva, o Velho Bruxo, enviou uma mensagem recente à coluna, advertindo para a desordem que encontrou numa visita ao Arquivo. Osni Machado, o Nini, fez observações no mesmo sentido, há poucas semanas, sugerindo uma ampla reportagem sobre a precariedade do local. Entre as deficiências apontadas, poucos servidores, a maior parte terceirizados e estagiários (os efetivos, em geral, são ocupantes de cargos de supervisão ou chefia).

Além disso, o Arquivo Público resulta de uma anomalia burocrática: é vinculado à Secretaria da Administração, sem qualquer relação direta com o setor cultural. E faz um trabalho paralelo ao realizado pelo Museu Histórico de Santa Catarina, onde também estão arquivados documentos e objetos que contam a história política e administrativa do Estado. O MHSC, por sua vez, é subordinado à Fundação Catarinense de Cultura, embora também tenha deficiência de pessoal especializado.

Confira matéria do ND sobre o alagamento e as consequências para o setor de memória e pesquisa do Estado aqui.

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