Aluna da UFSC ganha prêmio internacional de cinema com estudo sobre personagens femininas

Hemilly e sua professora Mônica desenvolveram um método de criação de personagem feminina em cima das deusas gregas

A aluna do curso de Animação da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Hemilly Monteiro Gaudêncio, conquistou junto com sua professora Mônica Stein, o primeiro lugar no prêmio Eng. Fernando Gonçalves Lavrador da 11ª edição da Avanca (Conferência Internacional de Cinema). O resultado foi divulgado na última terça-feira (28).

Prêmio de primeiro lugar vai para animação catarinense em festival Internacional de Cinema. – Foto: Pixabay/Arquivo/NDPrêmio de primeiro lugar vai para animação catarinense em festival Internacional de Cinema. – Foto: Pixabay/Arquivo/ND

O artigo “Regência arquetípica feminina: método de construção de personagem”, escrito por Hemilly, ganhou os olhos do júri internacional composto por professores de Portugal, Espanha, Estados Unidos e Brasil.

O conteúdo é baseado no desenvolvimento do método de construção de personagens femininos para universo transmídia.

Hemilly conta que na época em que entrou para a equipe de pesquisa havia pouquíssimas personagens femininas. “Lembro que eram duas personagens hipersexualizadas e muito parecidas. Aquilo me incomodou”, conta.

A aluna, que está em Pernambuco por conta da pandemia do novo coronavírus, faz parte do projeto de pesquisa desenvolvido por Mônica, que analisa grandes franquias do entretenimento.

Hemilly estuda os personagens e as narrativas no mundo da animação. “A gente desenvolveu um método de criação de personagem feminino em cima das deusas gregas”, comentou Mônica.

“Esse método de aprofundamento é focado em desenvolver uma dimensão feminina na psique da personagem, permitindo ser aplicado em mulheres cis e trans, e no futuro, em personagens masculinos. O feminino enquanto arquétipo, utilizando os mitos de seis deusas gregas”, explicou Hemilly.

O artigo foi escrito e produzido pela estudante e orientado por Mônica. “O prêmio validou o que desenvolvemos”, disse a orientadora.”A gente ficou muito feliz”, complementou.

Para Hemilly o prêmio veio em uma época em que ela estava duvidando de sua capacidade. “Pensei várias vezes em desistir, foi torturante terminá-lo de escrever, mas ganhar o prêmio foi além de uma conquista, uma superação. Agora pretendo continuar a pesquisa, estudar a aplicação mercadológica e a validação prática em narrativas”, comentou a aluna.

No ano de 2019, o trabalho que ainda estava no início de seu desenvolvimento, também foi aceito no festival. Porém Hemilly não tinha como arcar com os custos da viagem internacional para apresentar o artigo durante a conferência.

“Continuei desenvolvendo o trabalho”, disse. Com o pandemia da Covid-19, a conferência foi feita de forma online neste ano e a estudante de animação conseguiu dessa vez, já com o trabalho avançado, apresentar.

“Fico muito feliz e satisfeita com o resultado. Espero assim contribuir com a evolução do feminismo, ajudando mesmo que pouco, a melhorar a representação cinematográfica das mulheres, que a anos foram estereotipadas, hipesexualizadas e subjugadas ao olhar do masculino para o feminino”, complementou.

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