Após reunião com Bolsonaro, Regina Duarte segue à frente da Cultura

Especulações sobre a permanência surgiram em contexto de dois meses sem grandes projetos apresentados

Uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) selou a permanência da atriz Regina Duarte no cargo de secretária-especial da Cultura nesta quarta-feira (6). Ela se reuniu, às 11h, com o presidente e com Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo.

O “sim” dito pela atriz ocorreu em 29 de fevereiro e a posse no dia 4 de março – Foto: Carolina Antunes/PRO “sim” dito pela atriz ocorreu em 29 de fevereiro e a posse no dia 4 de março – Foto: Carolina Antunes/PR

No encontro, segundo fontes, Jair Bolsonaro conseguiu reverter o desgaste que vinha tendo com a secretária. A conversa entre presidente, secretária e ministro foi classificada por auxiliares como “ótima”. A atriz continua no cargo e aproveitou o encontro para apresentar projetos

Segundo o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, Regina Duarte apresentou “planos e projetos” ao presidente na ocasião.

“Ela (Regina) apresentou seus planos, projetos. Fez um pequeno discurso. Em seguida, fomos para o almoço”, disse.

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Segundo Camargo, o assunto “cargos” não foi discutido. “Pergunte a secretária ou ao presidente. Não compete a mim decidir quem fica ou não no cargo”, afirmou sobre a especulação a respeito de permanência ou eventual saída de Regina do governo.

Camargo destacou que teve “uma boa conversa” com a secretária. “Hoje não houve divergências, foi um almoço muito agradável”. Como apurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, Regina tentou demitir Camargo da Fundação Palmares, que é responsável pelas políticas dedicadas à arte e cultura negra, mas não conseguiu.

Bolsonaro afastou a possibilidade de volta de Dante Mantovani para a presidência da Funarte. A nomeação dele de volta ao cargo foi publicada e depois tornada sem efeito nesta terça-feira (5). O ato desagradava Duarte, que tirou Mantovani do cargo ao assumir a secretaria especial de Cultura.

Duarte estava numa situação delicada por não ter muito diálogo com Bolsonaro e por não apresentar ações práticas em sua área. Críticos argumentam que não há, até o momento, um projeto de grande porte feito pela atriz, que comanda a secretaria há quase dois meses.

Antes de assumir o posto, Duarte tratava do pedido feito pelo presidente como um “casamento”. A atriz foi convidada para assumir a pasta ao menos duas vezes.

O “sim” dito pela atriz ocorreu em 29 de fevereiro e a posse, 4 de março. A expectativa inicial era de que Duarte apaziguasse a relação entre governo federal e a categoria.

Regina Duarte assumiu o posto antes comandado por Roberto Alvim, demitido em 17 de janeiro após publicar um vídeo em que copiava trechos de um discurso nazista e utilizava diversos elementos em referência ao regime totalitário, como o música de Richard Wagner, artista antissemita associado ao nazismo.

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