Artistas e profissionais da área ocupam o CIC em protesto por melhores políticas de cultura em SC

Grupo invadiu os gabinetes da FCC depois que o presidente Joceli de Souza se negou a encontrar-se com todo o grupo

Marco Santiago

Manifestantes pretendem ficar acampados no CIC até sexta-feira, prazo máximo que estipulam para que seja marcada uma audiência com o governador

Artistas e representantes da cultura de diferentes partes do estado invadiram os gabinetes da FCC (Fundação Catarinense de Cultura) na tarde de ontem, em reivindicação por uma maior atenção do governo do estado à cultura. A manifestação começou no hall de entrada do CIC, com a leitura de uma carta que foi encaminhada às autoridades estaduais, entre elas o governador Raimundo Colombo e o secretário de Turismo, Cultura e Esporte José Natal. Os participantes esperavam que o presidente da FCC, Joceli de Souza, viesse receber o documento pessoalmente em frente ao grupo.

A assessoria da FCC explicou que o presidente aguardou que os manifestantes formassem uma comissão, para que fossem recebidos em seu gabinete. Como o grupo se recusou, o presidente foi até a SOL (Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte) conversar com Natal sobre as providências a tomar. Até as 18h de ontem, os manifestantes continuava nos gabinetes com colchões e barracas, com a intenção de passar a noite no local. Parte do grupo acamparia do lado de fora do prédio. A assessoria da FCC disse que eles têm o direito de se manifestar e ocupar o local, que é público, contanto que não depredem o patrimônio.

A proposta inicial do movimento, segundo Fifo Lima, conselheiro representante da área de cinema, era de rearticular a categoria e oficializar as reivindicações através das cartas. “A gente sabe que daqui a 3, 4 meses, não vai acontecer nada. E aí vamos ter a carta protocolada como documento”, diz. A proposta diplomática não foi unânime, porém. “Eu acho que entregar uma carta não está de acordo com a situação calamitosa em que a cultura está”, considera Luana Raiter, do Erro Grupo. A maioria optou por invadir e acampar nos gabinetes. Segundo Luana, a ideia é de ficar no local até sexta-feira, prazo máximo estipulado na carta para que seja marcada uma audiência com o governador do estado.

“A porta não está aberta”

O não lançamento do edital Elisabete Anderle foi o estopim para que os representantes da cultura organizassem as manifestações, diz o presidente da Aplasc (Associação dos Artistas Plásticos de Santa Catarina), Ivan de Sá.”Chegamos a uma zona de insustentabilidade total”, critica ele. Daí partiram diversas outras reivindicações, algumas antigas, outras bastante atuais, como a estruturação do Sistema Estadual de Cultura, alinhado às políticas federais.

“Santa Catarina precisa de um sistema de cultura completamente estruturado. Se a gente conseguir fazer isso, tudo é conseqüência”, diz a vice-presidente da Fecate (Federação Catarinense de Teatro) Caroline Lisa, que aponta os atrasos do estado nessa articulação. Um dos sintomas dos problemas na área apontado por ela são as dificuldades enfrentadas pela Fecate no ano passado para realizar o Festival Catarinense de Teatro, em Rio do Sul, que havia sido aprovado no conselho.

Flávia Person, diretora administrativa da Cinemateca Catarinense, diz que a principal reivindicação é criar um fórum permanente de debate, com total acesso da sociedade civil. Com esse espaço as outras questões poderiam ser discutidas abertamente. “A porta do governo não está aberta, é mentira”, critica.

Acesse e receba notícias de Florianópolis e região pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Cultura