Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Cantor, compositor e instrumentista de Tijucas divulga quarto single autoral

Em harmonia com a natureza e em busca de autoconhecimento, Gui Franzói promete mais lançamentos para 2021, incluindo novo videoclipe

Foto: Isadora Manerich/Divulgação/NDFoto: Isadora Manerich/Divulgação/ND

Gui Franzói cursou um ano de ciência da computação, teve loja de informática e trabalhava com manutenção de computadores. Quando percebeu a insatisfação profissional, decidiu se dedicar exclusivamente à atividade que já levava em paralelo.

Criado em ambiente familiar musical, licenciou-se em música pela Univali (Universidade do Vale do Itajaí), em 2012. Hoje, aos 31 anos, sua produção vem amadurecendo e ganhando visibilidade com mais frequência desde 2017, quando lançou os primeiros singles.

Após o primeiro CD, em 2018, o cantor, compositor e instrumentista de Tijucas (nasceu na Capital, mas logo foi para a cidade em que cresceu e vive até hoje), voltou a investir nos singles em 2020. No último 29 de janeiro, ele divulgou o novo, “Ela é o Sol”, em todas as plataformas digitais (ouça aqui).

Frequente antes em pubs, bares e eventos, Gui migrou seus shows para teatros e projetos voltados à cena autoral quando começou seu trabalho neste campo. Além de ter se apresentado em palcos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, dá aulas para crianças em escolas, em coral e participa da cantoria de folguedos folclóricos.

Foto: Isadora Manerich/Divulgação/NDFoto: Isadora Manerich/Divulgação/ND

Há mais músicos na tua família? Quem te influenciou?

Profissionais, não. Mas meus avós têm relação bem próxima com a música. Meu avô materno, Henrique Franzói, tocava gaita de boca, pandeiro, violão, tudo de forma bem intuitiva.

Já o meu avô paterno, Aquilino Bissoli, tocava harmônio, acompanhando corais de igreja, e a minha avó paterna, Dorotea dos Santos, eu descobri recentemente que também cantava superbem quando era mais jovem.

Lembro muito da minha mãe ouvir bastante rádio em casa. Sempre tinha música rolando e, sem dúvidas, isso faz parte da minha formação musical, ainda que inconscientemente.

Com certeza, este ambiente musical, principalmente a minha mãe ouvindo muita música no rádio, o dia todo, foi o que despertou o interesse bem cedo. Meu pai também, apesar de não tocar, tem muito ritmo, noção musical e gosta bastante de música.

Mas, claro, conforme eu cresci um pouco mais, fui tendo contato com outros ritmos. Na escola, com os amigos e tal, foi onde conheci o rock’n’roll, o reggae… Porque a base da minha família é toda voltada para a música sertaneja, tradicionalista gaúcha, essa coisa toda.

Foto: Emerson Leal/Divulgação/NDFoto: Emerson Leal/Divulgação/ND

Quais instrumentos tocas?

Os instrumentos que estudo e aos quais me dedico mais mesmo são a voz e o violão. Também toco gaita de boca, guitarra e consigo brincar na bateria e em instrumentos de percussão. Mas o violão e a voz são os meus instrumentos de fato.

O que veio primeiro: cantar, tocar ou juntos?

Ah, cantar veio primeiro. Meus pais me incentivaram na música desde muito cedo. Então, eu participava de corais de igreja antes mesmo de saber ler, supernovinho.

O violão já veio com uns 14 anos, mais ou menos, por consequência de tocar em banda marcial do colégio, e aí começar a fazer aulas. Tinha tentado aprender quando tinha uns 10 anos, mas não tinha rolado. Daí, aos 14, começou para valer, e nunca mais parei.

Foto: Emerson Leal/Divulgação/NDFoto: Emerson Leal/Divulgação/ND

Quais são as tuas referências ou ídolos musicais?

Acho que, muito por conta da faculdade, eu sou muito eclético, porque adquiri o gosto pela pesquisa. Então, ouço desde música clássica a jazz, blues, rock, samba, choro, reggae, MPB. Se for para sintetizar esse caldo em nomes: no Brasil, Lenine; de fora, John Mayer.

Compões letra e música? Em que gênero?

Sim, geralmente, eu componho letra e música. Tenho algumas parcerias, mas, ultimamente, venho compondo bastante coisas sozinho. O gênero é MPB, essa nova MPB, como as pessoas têm chamado hoje. Acho que tem um caldo bem interessante, que junta as influências de jazz, folk, rock, blues, coisas da música norte-americana… Essa nova MPB é uma junção da veia musical brasileira com uma roupagem mais moderna, englobando novos elementos.

Foto: Divulgação/NDFoto: Divulgação/ND

Do que tratam as tuas letras?

Gosto bastante de falar de coisas boas, para tentar passar mensagens positivas e ajudar a levantar o astral das pessoas. Penso muito em cantar a necessidade de curtirmos o que a vida nos proporciona, de darmos ao que a natureza nos oferece e também de valorizarmos as pessoas que a gente ama, os bons sentimentos.

Acho que a gente é muito bombardeado com notícias ruins. Está cheio de tristeza por aí. Então, considero que a minha função através de música é exaltar o lado bom da vida. Minha intenção é tentar mostrar para as pessoas que nós mesmos somos responsáveis pelo que vivemos, por tornar nossa vida em algo bom ou num inferno.

Foto: Fernanda Dapper/Divulgação/NDFoto: Fernanda Dapper/Divulgação/ND

Lançaste os dois primeiros singles somente após 10 anos de carreira, em 2017; o primeiro CD saiu no ano seguinte; novo single em setembro de 2020; quatro meses depois, mais um single. Por que a frequência aumentou? A ideia é manter este ritmo?

Pois é, levou um bom tempo mesmo até eu botar no mundo o meu trabalho autoral. Acho que era um pouco de insegurança e também porque eu achei que precisava de um amadurecimento, tanto como pessoa, quanto músico, para mostrar um trabalho interessante para o público.

Foi em 2017 que eu achei que deveria dar a cara a tapa e mostrar o que eu tinha a dizer. Veio a oportunidade de fazer um financiamento coletivo para viabilizar o disco, o que foi muito legal. Depois desse período, passei por um processo de avaliar o meu trabalho, ver o que estava me agradando, o que eu gostaria de aprimorar, e aí tenho lançado estes trabalhos mais recentemente.

Acho que a frequência aumentou porque estou mais presente, mais consciente daquilo que quero fazer na música, e tenho curtido o resultado do que venho produzindo. O público também tem dado um retorno legal, como no lançamento de “Brilho de Sol”, música que tem me dado bastante alegria. Mais certo do caminho que quero seguir, vem “Ela é o Sol” agora, e muito mais pela frente.

Foto: Isadora Manerich/Divulgação/NDFoto: Isadora Manerich/Divulgação/ND

“Brilho de Sol”, lançada em setembro de 2020, se relaciona com “Ela é o Sol”? É a continuidade de uma fase?

Exatamente. Com certeza, conversam entre si. Estas duas músicas têm cerca de 15 anos e estavam guardadas. Interessante que elas têm tudo a ver com o momento que estou vivendo, muito ligado ao surfe, à natureza, ao autocuidado e à busca por autoconhecimento. E já adianto em primeira mão que vem um terceiro single aí, para fechar, digamos, uma trilogia de músicas que falam sobre a natureza, exaltam a sua força e beleza.

O que virá em seguida?

Pelo menos em 2021, vem mais singles. É mais viável para a gente como artista independente, porque tudo depende de investimento. Além disso, o mercado está com essa característica de a gente precisar estar com novidades sempre. Então, o caminho, por ora, serão os singles. Mais para frente, quem sabe, um EP… Um disco deve demorar um pouquinho mais.

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Com os eventos presenciais impedidos pela pandemia, os músicos recorreram como nunca aos meios digitais, onde já costumavam estar. Fizeste algum tipo de incremento em tuas redes? Sentiste diferença na audiência?

Com certeza. Em 2020, movimentei bastante as minhas redes, produzi uma série de vídeos muito legais, e tudo isso deu uma repercussão muito interessante. Essa é uma tendência que vai se manter, sem dúvidas. As pessoas estão nas redes sociais? Então, o artista precisa estar presente, afinal, já dizia Milton Nascimento, “o artista tem de ir aonde o povo está”.

Esse foi um aspecto interessante deste período tenebroso que estamos vivendo. Aprimorei muito as técnicas de gravação de áudio e vídeo em casa, e tenho produzido muita coisa neste modelo home office.

Gui Franzói canta no Boi de Mamão do projeto Aquarela Musical – Foto: Divulgação/NDGui Franzói canta no Boi de Mamão do projeto Aquarela Musical – Foto: Divulgação/ND

Que atividades desenvolves como educador musical?

A graduação me abriu essa oportunidade de lecionar, além de ser músico. Então, desde o começo do curso, me envolvo em vários projetos. Um deles, pelo qual tenho muito carinho e tento participar até hoje, quando posso, é o Aquarela Musical, em que a gente resgata o folguedo do Boi de Mamão e a tradição do Terno de Reis. É um trabalho que faço voluntariamente com outros músicos e conhecedores destas manifestações culturais aqui de Tijucas.

Desde 2010, leciono educação musical e dou aulas de violão, flauta-doce, canto coral em escolas de Tijucas. A função do educador musical é muito importante, e encaro com muita seriedade esta missão de passar meu conhecimento para as crianças e adolescentes. Além de tudo, a música tem o poder de ajudar essa criançada a crescer com um olhar mais sensível para o mundo, tornando-as pessoas melhores. É uma pena que ainda sejam poucas as escolas que oferecem a disciplina.

Gui à frente do Coral Anjos Luz Portobello em evento natalino – Foto: Divulgação/NDGui à frente do Coral Anjos Luz Portobello em evento natalino – Foto: Divulgação/ND

Como funcionam estes projetos sociais?

O Aquarela Musical surgiu como projeto de extensão, quando eu cursava música na Univali. Depois que me formei, até hoje, a gente mantém ele de forma voluntária, ultimamente com menos frequência. Mas sempre estamos fazendo uma ou outra apresentação.

Além disso, sou professor do Coral Anjos Luz Portobello, que atende filhos e parentes mais próximos dos colaboradores da empresa. Este projeto já recebeu vários prêmios. A gente se apresenta em eventos, festas de fim de ano, Natal na cidade, em shoppings. É muito bacana!

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Enquanto não sai o clipe de “Ela é o Sol”, assista abaixo ao vídeo do trabalho anterior, “Brilho de Sol”, lançado em setembro de 2020.