Dos tazos às Barbies brasileiras: seus brinquedos antigos podem valer bastante

Colecionadores, em busca de itens que deixaram de ser produzidos há muitos anos, podem pagar preços altos para completar a coleção

A quarentena vivida por grande parte dos brasileiros nos últimos meses vem despertando a procura pelo antigo. Dentro de casa por mais tempo, muitos têm aproveitado para organizar as coisas e, eventualmente, podem encontrar objetos dos quais já nem se lembravam mais.

O que muita gente não sabe é que há brinquedos antigos, lançados entre as décadas de 80 e 90, que podem valer preços mais altos atualmente. 

Há quem esteja disposto a pagar caro por um pedaço da sua infância e relembrar algo que marcou a época. Por causa disso, pode valer a pena remexer no que está guardado.

Tazos da Elma chips – Foto: Internet/DivulgaçãoTazos da Elma chips – Foto: Internet/Divulgação

No final dos anos 90, a Elma Chips lançou os tazos, pequenos discos de plástico colecionáveis que se tornaram febre no Brasil. Atualmente uma coleção de tazos pode valer mais de R$ 1.000. Em um site de vendas, uma coleção completa do desenho Pokémon, em ótimo estado, é anunciada por R$ 1.599.

Coleções incompletas podem ser encontradas por uma média de R$ 500. Na época do lançamento, os tazos vinham dentro de pacotes de salgadinho, que custavam menos de R$ 2. 

Já uma coleção de Geloucos, que também tiveram sua importância nos anos 2000, pode valer mais de R$ 200. Na época, era possível trocar tampinhas da Coca-Cola pelos bonecos – eram dez tampinhas de metal ou cinco de plástico por duas unidades dos bonecos.

A série completa possui 60 Geloucos. Em sites de vendas, conjuntos incompletos são anunciados por mais de R$ 100. 

Geloucos, brindes da Coca-Cola. – Foto: Internet/DivulgaçãoGeloucos, brindes da Coca-Cola. – Foto: Internet/Divulgação

Também da Coca-Cola, os ioiôs que foram lançados em 1995 podem custar até R$ 150, segundo um site de anúncios. Os brinquedos vinham como brindes na compra do refrigerante e fizeram muito sucesso na época. 

Iôiô lançado pela Coca-Cola – Foto: Internet/DivulgaçãoIôiô lançado pela Coca-Cola – Foto: Internet/Divulgação

Não são só os brinquedos que têm seus preços mais altos atualmente. Os cartões telefônicos, que chegaram ao Brasil em 1992, usados como crédito para fazer ligações nos então populares “orelhões”, hoje podem custar mais de R$ 30 a unidade. São as imagens estampadas que os fazem ser raros ou não, e grandes coleções já foram anunciadas por R$ 500.

Cartografia feita em cartões da época – Foto: Site de venda/InternetCartografia feita em cartões da época – Foto: Site de venda/Internet
Notas ‘novas’ lançadas nos anos 2000 pelo Banco Central – Foto: Internet/DivulgaçãoNotas ‘novas’ lançadas nos anos 2000 pelo Banco Central – Foto: Internet/Divulgação

Para relembrar a época, vale citar as notas antigas de R$ 10, que hoje colecionadores estão dispostos a comprar por mais que o valor original. De plástico, elas foram fabricadas por seis anos e pararam de circular em 2006. Em grupos de colecionadores, essas notas chegam a valer R$ 40.

Cada item com a sua peculiaridade

Na era da nostalgia marcada pela sina de colecionadores, objetos das décadas passadas viraram verdadeiras relíquias. O colecionador Thiago Bonfanti, morador de Blumenau, possui uma coleção de Barbies brasileiras da década de 80 e 90. Atualmente a sua coleção conta com 1.112 bonecas e, segundo um inventário, pode chegar a valer mais de R$ 200 mil.

O valor de compra de cada Barbie, segundo Thiago, varia bastante, principalmente em função dos acessórios. “Existem Barbies nuas, sem nenhum acessório, mas com o cabelo bonito e bem cuidado, que podem valer R$ 1.000″, comenta. “Já na caixa elas podem custar quase R$ 7.000”.

Thiago Bonfanti e parte de sua coleção de Barbies – Foto: Instagram/Divulgação/Reprodução/NDThiago Bonfanti e parte de sua coleção de Barbies – Foto: Instagram/Divulgação/Reprodução/ND

A coleção de Thiago rendeu um canal no Youtube, com vídeos que apresentam aos espectadores detalhes do do mundo Barbie. Aos 35 anos e com mais de 16 mil inscritos, ele conta que as coleções da boneca variam de vertente pelo mundo. “Existem linhas só para adultos e linhas de Barbies para brincar”, explica. Sua coleção é focada na linha de brinquedo.

Na década de 70, a Mattel, empresa responsável pela fabricação das Barbies, contratou fabricantes de brinquedos ao redor do mundo para que as Barbies fossem feitas em seus respectivos países. O Brasil foi um dos três países da America Latina que recebeu tal licença e, eventualmente, foi o único. Thiago considera as Barbies brasileiras produzidas nesta época, entre 1982 e 1996, as mais raras.

Carrinhos de todos os modelos

Felipe Alves, de 24 anos, tem uma coleção com 123 carrinhos da Hot Wheels, guardados desde 2000, incluindo diversos brinquedos raros da marca. Entre ônibus, carretas, aviões, motos, quadriciclos e carros, o morador de Manhuaçu, em Minas Gerais, está desapegando da coleção e anunciou seus carrinhos por R$ 350.

Coleção de Hot Wheels guardada por Felipe desde 2000. – Foto: Felipe Alves/DivulgaçãoColeção de Hot Wheels guardada por Felipe desde 2000. – Foto: Felipe Alves/Divulgação

A coleção, que começou a ser montada quando Felipe tinha 6 anos, ficou anos guardada em uma caixa. “Acho que está na hora de fazer alguém mais feliz com esses carrinhos”, conta. “Eu adquiri outros hobbies ao longo da adolescência e acabei deixando eles guardados”. Hoje o jovem coleciona miniaturas maiores e CDs de artistas musicais. “A paixão é a mesma, só mudou o produto”, comenta.

Com o coração apertado por se desapegar do que guarda há quase duas décadas, Felipe comenta que fez amigos por causa dos carrinhos. “Eu sempre pedia de aniversário, ou então quando tinha dinheiro era a primeira coisa que eu comprava”, diz.

Como cuidar da coleção

Para entender melhor sobre a própria coleção, é preciso pesquisar sobre cada item e entender as peculiaridades dos mesmos.

“É legal se atualizar sobre os fatores históricos, como foi a história do objeto”, afirma Thiago.  Cada coleção tem seu tipo de comercialização e tudo é muito próprio. “Saber o quanto você estará disposto a investir é necessário, porque é preciso ter disponibilidade para isso”.

Thi Bonfanti, como é conhecido no Youtube, ainda revela a importância da manutenção da coleção. “É preciso cuidar, controlar umidade e temperatura”.

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