Com altos e muitos baixos, Cidade Negra leva reggae de Gil ao Rock in Rio

MARCO AURÉLIO CANÔNICO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A fórmula não era exatamente arriscada: colocar o Cidade Negra, uma das principais bandas de reggae do Brasil, para tocar o repertório de Gilberto Gil, um dos pioneiros do gênero no país.

E, no entanto, o que se viu na tarde deste sábado (23), no palco Sunset do Rock in Rio, foi um show com altos e (muitos) baixos. O melhor momento ficou por conta da participação do trio Digitaldubs, que deu gás a um show até então morno.

Como tem acontecido em diversos shows do Sunset, o Cidade Negra começou com problema de som, no microfone de Toni Garrido. Ele seria resolvido, mas o volume geral permaneceu aquém do desejável, sem potência e pressão.

Em clima paz e amor, como sempre, o vocalista lembrou dos problemas na Rocinha e conclamou o público a saudar-se. “Lá fora tá foda, aqui dentro a gente consegue ter um grupo de pessoas dedicadas ao bem. Abraça alguém, dá um beijo em quem tá do seu lado, amor!”, disse Garrido.

Se canções que convidam à cantoria, como “Não Chores Mais” e “Andar com Fé”, funcionaram bem, outras versões não se resolveram -por exemplo, a de “Esotérico”, mais acelerada e com vocais inaudíveis de Garrido na primeira metade.

“Nos Barracos da Cidade” perdeu sua força numa versão afogada em teclados, já com a participação do pernambucano Maestro Spok e de sua orquestra de sopros. Tampouco ajudou o fato de Garrido ter esquecido algumas letras (“Tempo Rei”, “Esperando na Janela”, “Realce”).

A melhor parte da apresentação foi sua metade final, quando o Digitaldubs apareceu para dar alguma originalidade às versões de “Andar com Fé”, “Refavela”, “Vamos Fugir” e “A Novidade”.

Já próximo ao final, Garrido desceu e literalmente se jogou nos braços da plateia, dando uma animada geral. Com “Realce” e “Palco”, o encerramento teve cantoria e pula-pula do público, que acabou pedindo “mais um” -em vão.

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