Dia do Fotojornalista: veja alguns registros de profissionais de SC

Morador de Florianópolis, Antônio Mafalda atua como fotojornalista há 53 anos. Anderson Coelho, do Grupo ND, é repórter fotográfico há 12 anos

Nesta quarta-feira (2) se comemora o dia do repórter fotográfico, aquele profissional que precisa estar no momento exato dos fatos. Capturar a imagem estática dá poder à reportagem e maior impacto à notícia.

No entanto, a profissão também se modificou ao longo do tempo, desde seu início no século 19. A relação entre a narração de fatos e a fotografia se consolidou durante a Guerra da Crimeia, entre 1853 a 1856, com os registros do britânico Roger Fenton. E depois, em 1880, quando o jornal Daily Herald, de Nova Iorque, publicou a primeira imagem em um jornal.

O fotojornalismo na visão de um morador de Florianópolis

Gaúcho e morador de Florianópolis,  Antonio Carlos Mafalda atua como fotojornalista há 53 anos. Na sua trajetória, através das fotos, registrou momentos cruciais da história mundial. “Através da fotografia tenho uma história na política e no esporte brasileiro” conta Mafalda, de 73 anos.

Mafalda passou pela redação de vários veículos gaúchos e catarinenses, trabalhando por um período como correspondente na Europa. Em 2001 fundou a Mafalda Press, uma agência de fotojornalismo. Abaixo estão alguns dos cliques favoritos dele.

Um dos cliques que Mafalda mais se orgulha é aquele que eternizou a imagem da libertação da ativista uruguaia Lilián Celiberti, presa pela ditadura brasileira, em 1983. A década marcou uma evolução significativa na qualidade das câmeras, conta Mafalda – Foto: Antonio Carlos Mafalda/Divulgação/ND

É da sua autoria uma das primeiras fotos da prisão de Renato Curcio em 1978, em Turim, na Itália. Curcio era integrante da organização comunista italiana Brigadas Vermelhas. Quando soube da prisão, viajou de Londres até a cidade italiana. “Consegui entrar onde ele estava sendo julgado”. Para ele, a década de 70 é a grande década do fotojornalismo, devido à cobertura de eventos como a Copa do Mundo e a guerra do Vietnã. – Foto: Antonio Carlos Mafalda/Divulgação/ND

A visita do papa João Paulo II ao Rio Grande do Sul, em 1980. O evento também foi registrado por Mafalda. Durante aqueles anos pairava uma crença que a TV “roubaria” o espaço da fotografia. “Mas foi o contrário, a fotografia cada vez mais se firmou. Grandes fotógrafos, como Jorge Araujo, Walter Firmo e Sebastião Salgado despontavam e integravam os jornais”. – Foto: Antonio Carlos Mafalda/Divulgação/ND

“Olhar pro lado é importante. Quantas vezes olho para as fotos das redes sociais e saio para fazer semelhantes. Percebo a diferença do olhar. Uma coisa é ser fotógrafo pra ti. Outra coisa é ser fotógrafo pro mundo, que é o que eu sou”. A foto é um registro do pôr do sol no Ribeirão da Ilha- Foto: Antonio Carlos Mafalda/Divulgação/ND

“Diziam que a televisão acabaria com o fotojornalismo. E nesse discurso, já mataram minha profissão quatro vezes. E eu já tenho 52 anos de fotografia”, conta, aos risos. Para ele a fotografia permanece em pé porque ainda tem fotógrafos jornalísticos que conseguem se superar. E não há como substituir o impacto da imagem pelo vídeo. A foto registra Mafalda na inauguração da ponte Hercílio Luz – Foto: Antonio Carlos Mafalda/Divulgação/ND

Nas páginas e telas do ND

Atualmente, quem captura as imagens que estampam as páginas do  nd+ e do ND impresso é Anderson Coelho, repórter fotográfico há 12 anos, sendo a redação do ND a terceira em sua carreira.

Coelho está há cerca de um ano e meio na empresa, mais de uma década desde quando iniciou sua carreira, em Belém do Pará, sua terra natal. Seus primeiros passos foram no caderno de polícia, o que considera a parte mais desprestigiada, mas que lhe ensinou muito, especialmente considerando as situações extremas.

“Hoje em dia você não só fotografa, tem vezes que você filma e edita. Tiveram muitas mudanças tecnológicas, mas também tiveram muitas mudanças de atribuições. Pode ser um processo traumático no começo, mas isso nos ajuda muito”, relata Anderson, falando que ao longo de sua carreira teve que desenvolver novas habilidades – Foto: Anderson Coelho/ND

A procissão do Círio de Nazaré, em Belém, foi uma de suas coberturas mais marcantes. “O que me motiva a ser repórter fotográfico é o que me fez entrar na profissão: conhecer histórias e pessoas, e participar de momentos da cidade todos os dias. Não é só bater o ponto e deixar de ser fotógrafo. Você sempre será fotógrafo, o tempo todo” – Foto: Anderson Coelho/ND

Ao longo da carreira, relata que uma das mudanças foi passar a ter mais contato com produção para o meio digital. “Eu senti uma aproximação muito maior com a internet, que não é um lugar que só reproduz, agora tem material exclusivo para internet e para as redes sociais” – Foto: Anderson Coelho/ND

“Eu acompanho todos esses processos [que fotografo]. Sempre que saio para a rua são histórias diferentes, pessoas diferentes”, fala, sobre o desafio e a emoção diária da profissão que escolheu – Foto: Anderson Coelho/ND

Falando sobre as mudanças tecnológicas, afirma que o trabalho de fotografar é muito mais complexo do que aparenta. “Não é só pegar o celular e ir lá, fotografar. Nós carregamos muito equipamento. Ser fotógrafo é ter que ter acesso a todo esse equipamento”. Segundo o repórter, atrás de uma grande foto, além do estudo, há sempre um grande aparato, falando dos flashs, tripés, lentes e tudo que leva consigo quando deixa a redação – Foto: Anderson Coelho/ND

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