‘Ela tinha pouca paciência para bagunça’, diz diretor de musical sobre Beatriz Segall

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Charles Möeller, diretor de “Nine – Um Musical Felliniano”, espetáculo do qual Beatriz Segall participou, não concorda com a fama de “chata” que a atriz tinha no meio artístico. Prefere outros adjetivos: exigente, elegante, organizada. “Encantada pelo teatro”, diz.

“As pessoas tinham um discurso de que ela tinha uma personalidade muito forte. Mas como toda pessoa exigente, ela só queria que as coisas andassem da maneira correta. Ela não gostava de desorganização”, diz Möeller. “Ela tinha pouca paciência para bagunça e essa coisa do ‘caos criativo’. Com a gente, ela deu muito certo, porque nós temos essa personalidade parecida. Eu vi nela uma apaixonada pelo teatro.”

Na noite de 25 de julho de 2015, durante apresentação do espetáculo “Nine”, Beatriz Segall, que ganharia bolo, homenagem e parabéns, ganhou um tombo de presente de aniversário, no palco. A atriz, que completava 89 anos naquela data, saiu carregada.

“A vontade dela voltar pro palco era muito grande”, diz o diretor. “O tempo inteiro perguntava quando poderia voltar”.

“Ela amava fazer a peça. Sentava-se na primeira cadeira nos ensaios e dava conselhos adoráveis. Falava para os atores mais jovens coisas como ‘trabalha com dois travesseiros debaixo do braço para dar um movimento mais elegante'”, diz Möeller sobre Segall.

“Era uma atriz única, com uma persona única, de uma mulher extremamente sofisticada, elegante, com um humor muito próprio, e que soube emprestar essa persona que ela tinha na vida real para grandes personagens que ficaram imortais tanto no teatro como na televisão”.

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