Entenda polêmica envolvendo projeto sobre memória LGBTQIA+ em Itajaí

Nas redes sociais, moradores comentaram divulgação do projeto, que tem patrocínio da Prefeitura de Itajaí, através da Lei Aldir Blanc

O nome de um projeto LGBTQIA+ de Itajaí tem causado polêmica nas redes sociais. A confusão foi tão grande que a notícia que havia sido publicada no site da Prefeitura de Itajaí chegou a ser excluída.

Isso porque, neste sábado (15), vai ao ar o primeiro episódio do projeto “Criança Viada Show”. Mas, apesar do nome, o público alvo da ação não são crianças, e sim outras pessoas adultas da comunidade LGBTQIA+.

Projeto com nome polêmico gera confusão em Itajaí – Foto: Ações para reexistir/DivulgaçãoProjeto com nome polêmico gera confusão em Itajaí – Foto: Ações para reexistir/Divulgação

Ao vivo, o projeto vai reunir artistas de diferentes linguagens para falar de forma divertida e sensível sobre traumas de infância – daí o nome -, resistência LGBTQIA+ e sobre uma possível reconstrução do passado.

“Buscamos construir o projeto como um espaço de diálogo muito afetivo. A gente mergulhou nessas memórias e percebemos que tivemos a chance de reconstruir nossas vidas. Isto por si só representa muito. Vivemos no país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo. Chegar à vida adulta e poder falar sobre isso é um privilégio e um dever”, comenta o artista e organizador do projeto, Daniel Olivetto.

A live está marcada para começar às 20h deste sábado (15), e vai contar com a presença de todos os convidados, que se reúnem para uma conversa intitulada “Roda Bixa”. O evento terá interprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e será transmitido pelo canal do projeto no YouTube.

A Prefeitura de Itajaí não se posicionou sobre a polêmica nem explicou porque a notícia foi retirada do site.

Ações para Reexistir

Todas essas ações fazem parte do projeto “Ações para Reexistir – Pesquisa e Criação Interdisciplinar”, desenvolvido por Daniel Olivetto, que é ator, desde 2019.

O “Criança Viada Show” conta com a interlocução das artistas Hedra Rockenbach, Loli Menezes e Sandra Meyer. O objetivo do projeto é estreitar laços com outros artistas LGBTQIA+ que falam sobre temáticas de gênero e sexualidade, e também da pesquisa sobre memória e representatividade.

A série foi criada por Olivetto em parceria com a artista Hedra Rockenbach, que assina ainda a ambientação sonora e a finalização de áudio e vídeos dos episódios.

Os atores Jônata Gonçalves e Renato Turnes, o artista visual Osmar Domingos, os atores-dançarinos Mauro Filho e Leandro Cardoso (Karma Coletivo) e o ator Arthur Gomes, também conhecido como Drag Suzaninha também integram a produção.

Daniel Olivetto, idealizador do projeto – Foto: Ações para Reexistir/DivulgaçãoDaniel Olivetto, idealizador do projeto – Foto: Ações para Reexistir/Divulgação

O termo polêmico

Os criadores do projeto explicam que o termo “criança viada” viralizou depois que o criador da página publicou fotos dele e de amigos quando eram crianças, em poses “afeminadas”.

“Precisamos sim falar sobre a repressão das sexualidades e sobre o quanto, ao discutirmos estas questões, ajudamos a proteger crianças de violências físicas e psicológicas”, comenta o artista e organizador do projeto.

“Criança Viada Show” é um projeto contemplado pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. Já o projeto “Ações para Reexistir – Pesquisa e Criação Interdisciplinar” conta com o patrocínio do governo do Estado de Santa Catarina, da Prefeitura Municipal de Itajaí e Fundação Cultural de Itajaí, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.

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