Grupo ND terá projeto com o Governo dos Açores para unir passado, presente e futuro

Na conversa, foi apresentado ao presidente José Bolieiro um projeto de comemoração dos 275 anos da chegada dos primeiros açorianos a SC

As relações estreitadas pelo passado, encontram no futuro as oportunidades de novas formas de aproximação. Na sede da Direção Regional das Comunidades, na cidade portuguesa da Horta, ocorreu um encontro inédito. O chefe máximo do Governo da Região Autônoma dos Açores recebeu em gabinete o empresário catarinense Marcello Corrêa Petrelli, presidente executivo do Grupo ND.

Numa agenda dedicada exclusivamente à conversa com o empresário, foi apresentado ao presidente José Bolieiro um projeto de comemoração dos 275 anos da chegada dos primeiros açorianos à Santa Catarina, a completarem-se em 2023.

Encontro foi marcado pelas histórias e apreço por SC – Foto: Pedro Taborda/Governo dos Açores/Divulgação/NDEncontro foi marcado pelas histórias e apreço por SC – Foto: Pedro Taborda/Governo dos Açores/Divulgação/ND

“Nos deram uma importância muito grande, uma abertura, e o compromisso de abrir todos os espaços para que possamos produzir o melhor conteúdo a respeito da região”, avaliou Petrelli.

“A gente percebe que as pessoas falam muito de Açores, mas conhecem muito pouco de Açores, então faremos um trabalho enorme para aproximar os catarinenses a ponto de fazer com que eles queiram saber mais, visitar, e quem sabe até empreender aqui”, afirmou Petrelli, sobre o que será elaborado como um marco na história da colonização.

Bolieiro, que já esteve em Florianópolis, vê na aproximação uma oportunidade para que os catarinenses possam não somente conhecer melhor suas origens, mas descobrir as potencialidades do arquipélago como uma opção de destino: turístico e de investimentos.

“Será uma descoberta da nossa identidade, da nossa vivência, da nossa realidade geográfica, econômica e sobretudo humana”, destacou.

O chefe do executivo mostrou entusiasmo e colocou-se à disposição para somar forças em iniciativas de intercâmbio e cooperação – cujos resultados são compartilhados.

“Esta referência ao aniversário da chegada dos primeiros colonizadores naturalmente ajudará a aumentar a curiosidade dos catarinenses para este destino para lazer, mas também de oportunidade de investimentos e até de residência”, projetou o presidente.

Na história

Às margens da baía sul da Ilha do Faial, a paisagem vulcânica da ilha central dos Açores, junto do Oceano Atlântico, contrasta com a bandeira de Santa Catarina, vista do restaurante à beira-mar.

Numa parede onde colecionam-se lembranças de todos os continentes, o símbolo do Estado tem espaço cativo nas memórias de Genuíno Madruga, hoje empreendedor, mas conhecido, sobretudo, por ser o único português da história a ter completado duas viagens de volta ao mundo, solitário, em um veleiro.

Em uma destas aventuras, o açoriano decidiu conhecer Florianópolis, onde foi recebido com festa. “Antes de chegar à ilha de Santa Catarina, havia um barco a minha espera, com autoridades da cultura, também com amigos, repórteres, e foi me oferecida a bandeira”, conta.

Estado de SC tem espaço cativo nas memórias de Genuíno Madruga – Foto: Fabiane Paza/Divulgação/NDEstado de SC tem espaço cativo nas memórias de Genuíno Madruga – Foto: Fabiane Paza/Divulgação/ND

O presente foi colocado junto ao mastro do veleiro, onde permaneceu até o fim da rota. “Esta viagem em certa medida foi uma homenagem aos meus antepassados que chegaram nas terras no sul do Brasil”, disse o aventureiro.

Para além de lembranças de viagem, Santa Catarina está para os Açores como uma terra irmã. Percorrer as freguesias do arquipélago português é sentir a intensidade de uma história que resistiu do lado de cá, e se perpetuou do outro lado do oceano.

Arquitetura, religiosidade e pesca, são algumas das heranças originárias das nove ilhas que compõem o território açoriano – das quais, pelo menos cinco – foram o ponto de partida dos primeiros colonizadores catarinenses.

O Diretor Regional das Comunidades dos Açores, José Andrade, reconhece as semelhanças. “Quando em 1748 os primeiros casais açorianos desembarcaram em Nossa Senhora do Desterro [atual Florianópolis] reescreveram a própria história do grande estado de Santa Catarina, porque ainda hoje, tanto tempo depois, conseguimos encontrar, com longevidade e com intensidade, todas as marcas identitárias da cultura popular açoriana”, descreve.

Comemoração terá produções especiais

O projeto de comemoração dos 275 anos da colonização açoriana tem lançamento previsto para março do ano que vem, com produções especiais a se estenderem por um ano, até o aniversário de 350 anos de Florianópolis, em março de 2023.

A socióloga e pesquisadora Lélia Nunes, que há mais de 30 anos se dedica a investigar as heranças culturais e religiosas da colonização açoriana em Santa Catarina, destaca a importância da cooperação que se renova a partir do encontro entre Petrelli e o presidente Bolieiro.

“É um momento único, com um objetivo cultural, histórico, e extremamente importante nas relações de um novo tempo entre Santa Catarina e Açores”.

Conforme levantamentos demográficos do Núcleo de Estudos Açorianos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), estão espalhados pelo estado mais de um milhão e meio de descendentes do arquipélago açoriano.

Do outro lado do oceano, onde tudo começou, o mar é fronteira aberta para receber quem quiser sentir de perto as origens, compreender a própria identidade. E descobrir que é possível sentir-se em casa, mesmo a oito mil quilômetros de distância.

Quem já experimentou a simpatia e a acolhida do manezinho, como o velejador solitário Genuíno, já tem os braços abertos para retribuir. “Todo aquele que vier buscar esta aproximação com os nossos antepassados, será muito bem-vindo!”.

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