Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


Ilha sem rumo

Verbos e adjetivos são empregados na invencionice de que somos a cidade que mais atrai turistas

O empresário Fernando Marcondes de Mattos desabafa, na coluna do Cacau de sexta-feira (4), que Floripa está de costa para o mar, ignorando o seu potencial turístico. Na verdade, quem dá as costas à riqueza da terra são os gestores e vereadores, com os olhos nas safras eleitoreiras.

Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom/Divulgação/NDPonte Hercílio Luz, em Florianópolis – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom/Divulgação/ND

A classe política de Floripa, com raras exceções, é uma elite exibicionista e estratégica, desinteressada em transformar os 480 km² da Ilha na maior atração turística da América do Sul. Verbos e adjetivos são empregados na invencionice de que somos a cidade que mais atrai turistas.

Parem de enganar; somos pobres de ideias e planejamento numa Ilha onde carros e ciclistas disputam espaço na mesma pista. Somos incapazes de compreender o significado do turismo.

Não temos apenas praias gordas ou magras; a Ilha tem potencial para encher-se de turistas o ano inteiro. Até idosos apostam em trilhas, ciclovias para mergulhar na sintonia entre saúde e natureza. Ora, mas como estimular o turista a pedalar na SC-401, cuja revitalização ignorou o ser humano para privilegiar carros?

Nenhuma cidade europeia, por exemplo, tornou-se referência em desenvolvimento turístico sem ter preservado a sua cultura. A cidade precisa ter identidade e a nossa – hilariante – resume-se à palavra mané!

Somos uma Ilha de riqueza cultural incomparável, com artistas plásticos de valor, casarões históricos, escritores, eventos, teatros, que poderiam realçar o valor turístico.

Mas, infelizmente, fazemos obras pela sua aparência, sem planejamento capaz de estruturar a cidade. Floripa tem a sorte de dispor ainda de cinturões verdes, cuja invasão já assusta. Os balneários só têm praia; são acanhados como se ao turista bastasse sujar os pés de areia. E quando chove há o agasalho dos shoppings. Basta! Parem as obras eleitoreiras e comecem a investir na riqueza que a natureza nos privilegia e que nos enseja áreas e equipamentos de lazer. Precisamos crescer sob o signo da humanização!

Enquanto isso, na praia da Cachoeira

– Venanço, eu fico pensando: será que quando chamam a gente de mané é porque somos pobre?

– Não só pobres, Lelo, mas tansos. E o pior: os políticos adoram isso, porque quem vem de fora passear não dá voto.

– É, Venanço, se manezinho atraísse turista, a tainha ia chegar aqui em janeiro

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