Livro de crônica relata o cotidiano das pessoas na pandemia

São 25 crônicas escritas pela catarinense Marlene de Fáveri; o lançamento vai acontecer no dia 4 de abril

A rotina da pandemia da Covid-19 será retratada em um livro de crônicas lançado por uma historiadora catarinense. Em 25 narrativas, Marlene de Fáveri retrata o cotidiano das cidades em isolamento social durante o ano de 2020.

Marlene de FáveriA autora é catarinense e professora da Udesc – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

O lançamento do livro Crônicas da incontingência da clausura – cotidianos da pandemia, vai acontecer no dia 4 de abril às 18h de forma online. O livro pode se encontrado na internet.

As crônicas contam o cotidiano de uma mulher, em idade madura, que teve que ficar confinada em uma cidade do interior e, na casa da mãe, por conta dos decretos de isolamento social. 

Nas narrativas, Marlene vai desde o meio rural do qual viveu durante os primeiros decretos, até a cidade grande, onde vive hoje, captando os sentidos das cidades na experiência de viver uma pandemia. 

Em todas as crônicas, há um manifesto contra as violências históricas contra as mulheres. São narrativas engajadas que mostram o lado feminista da autora.

“As violências estruturais reverberam com ainda mais força em tempos de exceção, de crise econômica e sanitária como estes que estamos vivendo. É preciso identificá-las e denunciá-las”, enfatiza Marlene.

A escritora

Historiadora de profissão e professora da Udesc, Marlene de Fáveri publicou várias obras historiográficas, inclusive uma delas premiada em 2005. É o livro Memórias de uma (outra) guerra: cotidiano de medo durante a Segunda Guerra Mundial em Santa Catarina pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

 “Tão cientista da História por toda uma vida, Marlene se apoiou naquela ciência para derramar no papel (pois ela escreve a mão, num caderno) sua alma de poeta, rasgando as vísceras do que era estar presa pela Covid-19, irremediavelmente prisioneira por um vírus invisível, mais prisioneira, como também estou, dentro de uma casa do que se ela possuísse muros inescaláveis”, pontuou a escritora Urda Alice Klueger na apresentação que abre o livro de Marlene.

“Entremeadas ao cotidiano na pandemia, estão as iras com o que se passa na política e as insanidades no trato com a moléstia medonha, bem como denúncias ao desmonte das políticas sociais, ambientais, educacionais, de saúde com críticas severas ao ferrabrás das cavernas que governa este país”, revela.

O livro trata dos medos, das incertezas, dos aprendizados e memórias na convivência com sua mãe octogenária, da sexualidade, dos silêncios, das perdas, dos reencontros, das solidariedades, das solidões e angústias, das amizades, das lides na terra, plantas e animais domésticos, dos preconceitos, dos protocolos e cuidados para evitar o contágio, do negacionismo e tantos outros sentidos. 

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