Luiz Carlos Prates: Não somos iguais

Em qualquer situação vamos mostrar quem somos, o melhor de que somos capazes e, é claro, nossas incompetências

Aprendi a ser “soldado” aos sete anos, soldado marista. Soldado mais disciplinado que um guarda do Vaticano. Não que eu quisesse, mas era assim, escreveu não leu, o pau comeu. Sem muxoxos.

Entrei na área marista na idade certa: sete anos. Hoje os pais “da desova” colocam as crianças em creches com poucos meses. – Ah, estão ocupados! Sabiam que estariam ocupados, por que fizeram filhos, irresponsáveis? Como disse, aprendi a ser “soldado” cedo na vida.

As diferenças de cada um – Foto: PixabayAs diferenças de cada um – Foto: Pixabay

Os irmãos, que muitos chamavam de padres, nada tinham de irmãos, tinham de “sargentos” da disciplina, da ordem e do nosso futuro progresso. Sem ordem, sem freios puxados, sem corda apertada dá nisso que anda por aí, crianças insuportáveis, adolescentes delinquentes, aparentemente decentes. Tudo aparência.

Ontem, mais uma vez, ouvi um professor de inglês e palestrante, americano, A. J. Hoge, você o acha na internet, dizendo que as escolas matam a criatividade dos jovens, matam seus talentos, tudo por suas disciplinas inúteis. Deu como exemplo os uniformes, os horários de entrada e saída, as bocas fechadas enquanto o professor faz blábláblá lá na frente, isso e mais aquilo.

Disse o americano que desse jeito ninguém se pode destacar, fazer-se notar de um modo natural e positivo. Discordei do “mestre”. O comportamento educado, familiar, o modo de falar, as ações e, sobretudo, a aplicação e as notas das provas fazem diferença e emolduram os melhores.

Em qualquer situação vamos mostrar quem somos, o melhor de que somos capazes e, é claro, nossas incompetências. Ninguém escapa. Não adianta mentir, não adianta tapar-se a pessoa com marcas de grife, não adianta o carrão no estacionamento da empresa, não adiantam os falsos sobrenomes de família, nada adianta diante de quem somos, sem disfarces.

Já uma pessoa educada, de fala limpa, asseada, sem língua alugada, sem floreios de mentira, essa pessoa é notada no silêncio. E nas escolas a mesma coisa, ainda que as escolas, de modo geral, sejam máquinas de cessa-talentos sobre os talentos e as boas naturalidades das crianças e dos jovens.

Das boas, eu disse. Das boas. O pequeno mal-educado tem sim que ter as unhas, – ou seriam garras? – cortadas pela disciplina. Enfim, podem tentar nos silenciar, mas só os vazios serão silenciados. Os bons são altissonantes…