Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Morte de Annita Hoepcke da Silva deixa a sociedade florianopolitana chocada e entristecida

Empresária e administradora, ela também presidia o Instituto Carl Hoepcke

A Annita Hoepcke da Silva empresária, administradora, pulso firme, não conheci.

A Annita Hoepcke da Silva mãe, avó e bisavó amorosa, eu observava à distância.

A Annita Hoepcke da Silva que sempre vi na minha frente foi aquela figura elegante e simpática das colunas sociais, a empreendedora cultural participativa, a benemérita engajada, a cantora cheia de vida e a dona de um dos sorrisos mais bonitos e acolhedores que já passaram por aqui.

Annita Hoepcke da Silva em 6 de dezembro de 2020, na sede do Instituto Carl Hoepcke, onde apresentou o Sarau de Natal – Foto: Instituto Carl Hoepcke/Divulgação/NDAnnita Hoepcke da Silva em 6 de dezembro de 2020, na sede do Instituto Carl Hoepcke, onde apresentou o Sarau de Natal – Foto: Instituto Carl Hoepcke/Divulgação/ND

Quando comecei a trabalhar em coberturas sociais, fui anotar os nomes das senhoras que dividiam uma mesa em algum evento, fotografadas pelo meu colega, Giovani Lorenzen.

A maioria, eu conhecia, inclusive ela. Seguindo a ordem, na sua vez, eu iria dizer que já sabia o seu nome, mas ela se antecipou: “Annita Hoepcke da Silva. Hoepcke com ‘e’”. Pensei: “mas de que ‘e’ ela está falando? Será que tem mais um depois do ‘p’? Já tem dois…”

Vendo meu semblante de dúvida, ela pegou meu bloco e minha caneta, escreveu o nome inteiro em letra formosa, devolveu e sorriu. Percebi, então, uma pessoa prática, que resolvia as coisas da maneira mais fácil e rápida. Este autógrafo involuntário deve estar em algum lugar entre os meus guardados.

Tempos depois, e isso tem lá umas duas décadas, Annita entrava deslumbrante em um vestido verde, longo e reluzente, no salão do Iate Clube de Santa Catarina – Veleiros da Ilha (um dos locais preferidos de seu pai, o ex-governador Aderbal Ramos da Silva) em direção ao palco.

Sem pudor algum de ser feliz, empunhou o microfone para o show de lançamento de seu primeiro CD. Com cerimonial e apresentação coordenados pelo saudoso amigo Mauro Júlio Amorim, a noite foi prestigiadíssima, reunindo a sociedade de A a Z.

A última vez que a encontrei foi em outubro de 2019, no auditório do Tribunal de Contas do Estado, quando a Academia Catarinense de Letras comemorou seus 99 anos e o escritor e artista plástico Rodrigo de Haro lançou o livro “Lanterna Mágica”.

Mas o último contato se deu em dezembro do ano passado, em função do Sarau de Natal, evento beneficente que ela e a irmã, Silvia Hoepcke da Silva, promoviam na sede do Instituto Carl Hoepcke, entidade cultural que leva o nome do bisavô delas e que Annita presidia. Naquela vez, o encontro musical foi realizado por meio de uma transmissão na internet.

As irmãs Annita (à esq.) e Silvia Hoepcke da Silva, em 2019 – Foto: Luiza Filippo/Divulgação/NDAs irmãs Annita (à esq.) e Silvia Hoepcke da Silva, em 2019 – Foto: Luiza Filippo/Divulgação/ND

Por telefone, sem eu saber no momento que havia lhe tirado da mesa do almoço, conversamos brevemente e ficamos de combinar um encontro no Instituto, assim que o controle da pandemia permitisse. Não deu… Pensei várias vezes sobre este contato nos dias mais recentes, pois uma ideia havia surgido para lhe apresentar.

Sua morte nesta segunda-feira (22), véspera do aniversário da cidade que sua família vem ajudando a construir diariamente, há mais de 150 anos, deixou muita gente chocada e entristecida.

As últimas homenagens e a despedida ocorrerão, segundo o jornalista Moacir Pereira, na manhã desta terça-feira (23), quando Florianópolis, já sem festa, terá um motivo a menos para comemorar.

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