“O desafio é deixar tudo funcionando”, fala secretário de Cultura e Turismo de Joinville

Guilherme Gassenferth citou os desafios e prioridades da pasta, além de abordar os planos para essa área no município

A série de entrevistas com os novos secretários de Joinville continua! E nesta segunda-feira (18), quem fala sobre os planos e as prioridades de sua pasta é Guilherme Gassenferth, da Secretaria de Cultura e Turismo. Ele é formado em Gestão Financeira e é especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor. Além disso, já foi presidente da Fundação Cultural e gerente de museus e patrimônio.

Guilherme Gassenferth é o novo secretário de Cultura e Turismo de Joinville – Foto: Rogério da Silva/NDGuilherme Gassenferth é o novo secretário de Cultura e Turismo de Joinville – Foto: Rogério da Silva/ND

“Pra mim é um desafio porque tem muita demanda e coisas pendentes. Na pandemia, a cultura e o turismo foram muito afetados, então há muito trabalho represado. Mas a gente tem muitos sonhos e quer contribuir para que isso seja entregue e para dar conta daquilo que já está planejado e dos novos planos”, fala Guilherme. Confira a entrevista:

Quais os desafios e as prioridades da pasta?

Eu acho que o desafio é deixar tudo funcionando. Terminar as obras que estão sendo feitas em museus e fazer as adequações necessárias. Nós temos o Arquivo Histórico que precisa de uma obra por causa de uma parede que caiu. Todos os nossos espaços precisam de alguma adequação, seja de funcionários, obras ou equipamentos para que voltem a funcionar. E da mesma forma os nossos programas, como o Simdec, que tem projetos que estão há dois anos aguardando pagamento. Então, a nossa intenção é fazer tudo voltar a funcionar e, depois, ver como a gente pode melhorar.

Uma das questões mais discutidas pelo setor cultural é o Simdec (Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura), que estaria engessado, segundo os profissionais da área. Quais são os planos para o sistema?

Nós já começamos esse trabalho com a nossa equipe. Pedimos que buscassem as melhores práticas que existem de leis de incentivo à cultura em outros municípios, estados e em nível nacional também para entender o que é bom e funciona e como a gente pode trabalhar. O nosso objetivo é a desburocratização também no edital de incentivo à cultura. Então, em cima disso, a gente constrói para que o próximo edital possa ser lançado sem tanta burocracia.

E em relação aos pagamentos de projetos em andamento, há previsão de regularização?

Eu não consigo dar previsão porque estão em outras secretarias. Mas estou em conversa com a Controladoria, onde tem dez projetos parados, para fazer a articulação e entender o que podemos fazer para agilizar isso e pagar quem está esperando. Meu objetivo com o Simdec é de resolver o que ficou de 2020 para trás o mais rápido possível e, daqui pra frente, mudar as regras para que se consiga ter a cultura da cidade desenvolvida, com projetos melhores, que cheguem mais nos bairros e atendam a população.

Outra crítica dos profissionais da área é que instituições já consolidadas, como o Bolshoi e o Festival de Dança, acabam concorrendo com outros proponentes menores. Há algum outro projeto de fomento à cultura em Joinville, tanto para grandes instituições como para profissionais com pouca estrutura?

O prefeito tem demandando que a gente encampe o título de Cidade da Dança e faça isso de várias formas. Um dos pedidos é a estruturação da quadra de dança, aqui próximo do Centreventos, unindo os espaços e, talvez, até buscando novos espaços. Mas que não seja só uma quadra parada, mas que busque fomentar programação nesses lugares de forma a dar vida e estimular a dança. Outra coisa é que tenhamos programação semanal de dança, o que vai ajudar os artistas, escolas, estudantes dessa área em que precisamos investir.

Segundo o plano de governo, o Centreventos e a Cidadela Cultural devem ser concedidos para a iniciativa privada. Já há projetos pra isso? Qual é a previsão para que isso aconteça?

Nós temos muito interesse em avançar com esse processo. O Centreventos é muito interessante, mas na mão da iniciativa privada teria seu potencial maximizado. Nós, como poder público, temos limites na manutenção e comercialização no local. Na mão da iniciativa privada, teria muito mais eventos. O que o Centreventos custa em manutenção seria revertido em receita.

Eu já tive reunião com o pessoal da Secretaria de Administração e Planejamento e tocamos nesse assunto para iniciar esse processo. Ainda não avançamos de forma estruturada, mas já iniciamos junto à SAP as tratativas e eles vão encaminhar lei municipal de parcerias público-privadas para preparar o ambiente. É preciso fazer a legislação e começar a encaminhar os estudos de mercado e de viabilidade para entender como a concessão pode ser feita. Nós não queremos apenas conceder, mas conceder com qualidade. É pensar na política pública de cultura e turismo para ter o melhor resultado possível.

Centreventos deve ser concedido à iniciativa privada – Foto: Carlos Jr./NDCentreventos deve ser concedido à iniciativa privada – Foto: Carlos Jr./ND

Quais são os planos para o turismo rural e o turismo náutico?

A gente já teve conversa com os servidores da área de turismo para resgatar o turismo náutico e também reunião com a associação de turismo ecorural para que se tenha uma aproximação com eles.

Joinville tem centenas de empreendimentos na zona rural que podem ser trabalhados para que a gente possa ampliar ainda mais essa gama de ofertas de turismo rural. No verão, as propriedades estão cheias, o joinvilense procura muito a zona rural, é uma forma de turismo que está tendo procura. Nós queremos estruturar isso, trabalhar com os empreendedores rurais para que tenham infraestrutura, capacitação, para que a gente possa ajudar na questão do marketing e trabalhar esses lugares maravilhosos como um produto a ser vendido fora daqui.

Já em relação ao turismo náutico, temos a intenção de fazer uma unidade do Museu do Sambaqui junto ao Parque da Cidade, de onde sairia um trapiche com um passeio náutico arqueológico. Ao mesmo tempo, ele é turismo e cultura. A ideia é que o passeio visite sítios arqueológicos que temos ao redor da Baía Babitonga para promover a educação ambiental, além de também servir aos turistas. Isso é o que temos de mais avançado no turismo náutico, mas ainda temos muito a fazer.

Outros secretários têm falado sobre a necessidade de integração com outras pastas. Há planos em relação à cultura?

A gente está tendo uma conversa bastante frequente entre os secretários. Em dez dias úteis de governo, já me encontrei três vezes com o secretário de esportes. Vamos visitar o CEU do Aventureiro e marcamos em conjunto com os secretários de cultura, educação, assistência social e de esporte para mostrar essa unidade. Sem essa conversação a gente não consegue avançar. E com as conversas a gente identifica um ponto de conexão. A ideia é aproximar as secretarias, buscando fazer uma agenda diária com outros secretários para aproximar e entender como trabalhar em conjunto.

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