Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


O olheiro da tainha e a festa dos pescadores

As tainhas capturadas são contadas: a metade é do patrão e a outra dividida entre os proeiros

Ao avistar uma manta de tainha do alto de um balcão de areia, o olheiro já calcula a quantidade e aciona os pescadores pelo rádio: “Põe n’água que tá vindo mais de quinhentas”.

E rapidamente o patrão manda lançar os barcos para o cerco, enquanto os proeiros (puxadores de rede) ficam na torcida por um cardume recheado. As tainhas capturadas são contadas: a metade é do patrão e a outra dividida entre os proeiros. O olheiro ganha dois quinhões, um do dono e o outro dos proeiros.

Lanço na praia de Fora na cidade de Governador Celso Ramos no fim de semana – Foto: Divulgação/NDLanço na praia de Fora na cidade de Governador Celso Ramos no fim de semana – Foto: Divulgação/ND

O olheiro madruga na praia, na paciente espera. Quando o peixe pula, é tainha. Ser odeia para cercar a manjuva, seu principal alimento,é a anchova. Já o parati parece sambar, batendo o rabo. A tainha e o parati se alimentam de algas, de outros vegetais e até do limo das pedras nos costões.

Antigamente, ao verem um cardume, olheiros como o João Idalino, o Ereno e o Pequeno corriam abanando o casaco para os pescadores, ou com uma pito. Hoje, o “radinho” facilita a comunicação.Os pescadores são, em sua maioria, aposentados. “O peixe não avisa e não dá pra ficar só esperando, pois aí a família passa fome”, observa Zezo, que prefere arpear o peixe com tarrafa.

No período da tainha, a praiada Cachoeira do Bom Jesus vira uma festa. Barracos são montados, com cozinha, banheiro e até camas “É uma festa só pros machos”, emenda Harley, um paranaense que, além de montar o barraco, cozinha e aprende a pescar.

E quem vai muito para o mato despachar xixi, fica avisado para não atrapalhar a pesca. “Seu ferrido, vai beber em casa, vai”, recomenda-se aos “esponja”.- Só pra macho? Tás tolo! As derriças –bruxas namoradeiras – de vez em vez dão voltinha por aqui, assegura Paulo, que confessa ter se escapado por pouco de uma delas.

Nem o frio de quinta para sexta-feira intimidou os pescadores. “O pescador só sente frio quando tá perto do fogão à lenha”, ironiza Chico.“Mas o gambá – quem bebe só em casa – joga suor até na geladeira”, satiriza Ademir.

Enquanto isso, ao sol da Cachoeira:

– Ô Venanço, o pessoal do barraco pega peixe,mas só faz galinhada e carne pra comer na praia.

– É verdade, Lelo, e muita vez vende o peixe pra comprá galinha.

– Importante mesmo, Venanço, é a alegria na praia. Se eles não cantam, fica melhor ainda. (gargalhadas).

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