Palhoça abre edital para artistas locais participarem de lives

Os profissionais devem residir no município e ter a atividade artística como única fonte de renda. Os participantes receberão um auxílio financeiro

Artistas de Palhoça, na Grande Florianópolis, podem se inscrever até o meio-dia desta quarta-feira (5) para participar de eventos online que serão organizados pela Fundação Municipal de Esporte e Cultura. O edital é aberto para profissionais de todos os segmentos artísticos que residam no município e que tenham a arte como sua única renda.

O objetivo da iniciativa é auxiliar financeiramente os artistas, que estão impedidos de trabalhar desde o início da pandemia, em março, quando os eventos culturais foram suspensos em todo o Estado.

O gerente geral de Cultura da Fundação, Caio Dorigoni, diz que a realização de lives foi a alternativa mais simples e rápida, considerando a burocracia do serviço público, para apoiar os artistas locais nesse momento de dificuldade.

Segundo ele, cerca de 220 profissionais das artes fizeram o pré-cadastro para receber o auxílio do governo federal por meio da Lei Aldir Blanc. “Esse número demonstra o quanto temos de artistas precisando de ajuda”, comenta.

Prazo prorrogado

O prazo final para inscrever um projeto para participar das lives terminou na sexta-feira passada, mas foi prorrogado para o dia 5 porque muitos artistas não puderam fazer o cadastro devido as exigências do edital. O profissional precisa apresentar certidões negativas que comprovem não estar em débito com o município.

O escultor Jean Rodrigues pretende oferecer uma oficina de iniciação ao desenho – Foto: Divugalção/ND

A alternativa encontrada pela Fundação de Cultura para que esses artistas possam participar foi prorrogar o prazo e reavaliar a situação. O edital está disponível no site da Prefeitura de Palhoça. Além dos documentos, o artista precisa incluir um projeto cuja a execução seja viável por meio digital.

Artistas se viram para sobreviver

João França sempre gostou de dançar. Quando criança dançou lambada na escola, foi cover do Junior da dupla com a Sandy. O gosto não era brincadeira de criança e o levou ao mundo profissional da coreografia.

Desde março, quando as atividades artísticas foram suspensas, João se vira como pode para se manter financeiramente. Dançarino e coreógrafo, ele participava de um projeto em que dava aulas para pessoas com problemas emocionais ou sociais. Atualmente, faz sopas para vender.

No início da pandemia, costurou máscaras. “A situação está complicada para todos nós. Com certeza essa live vai ajudar bastante. Quero aproveitar e também ajudar as minhas alunas do projeto, pretendo pedir cestas básicas durante a apresentação”, planeja João.

O artista plástico Jean Rodrigues também está inscrito no edital. O escultor paranaense mora em Palhoça desde 2008, onde mantém um ateliê. Nos últimos meses Jean não teve outra alternativa a não ser se render ao virtual. “Eu não era muito adepto, agora faço tudo pela internet”, conta.

É pelo celular que ele faz contatos com clientes, oferece obras e recebe encomendas. O projeto de Jean é uma oficina de iniciação ao desenho com ênfase na escultura onde ele pretende difundir a própria arte. “Arte é sensibilidade, é compartilhar, e nunca se precisou tanto disso no mundo”, analisa.

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