Papais Noéis se preparam para um Natal à distância em SC

Sem abraços, os personagens irão passar o Natal distante das crianças; tecnologia é usada em shoppings do Estado na tentativa de manter a magia da data

A um mês do Natal, a preparação dos Papais Noéis está um pouco diferente. Em um ano atípico, a pandemia de Covid-19 fez muitos personagens trabalharem à distância.

Desta vez, eles estão online e não abraçam ninguém, para garantir a segurança de si mesmos, das crianças e dos adultos.

Crianças olham o totem virtual com Papai Noel e Mamãe NoelPapai Noel Aroldo da Silva e a Mamãe Noel  Anita, no Shopping Mueller, em Joinville – Foto: André Kopsch/Divulgação ND

Em muitos shoppings do Estado, o Natal não terá a participação do bom velhinho. Em outros, a tecnologia tornou-se aliada para seguir com a magia da data. O ND+ conversou com alguns Noéis de Santa Catarina para saber como o novo cenário impacta suas rotinas.

Distanciamento e tecnologia

Para o aposentado Aroldo da Silva, de 76 anos, as medidas de distanciamento são necessárias, mas o Natal fica incompleto. Ele trabalha como Papai Noel há 14 anos no Shopping Mueller, em Joinville, ao lado da esposa Anita, a Mamãe Noel.

“O que a gente sente falta é a presença das crianças. Beijar e abraçar como fazíamos antes, sinto bastante falta”, conta Aroldo.

Outra dificuldade relatada por ele é que as crianças, muitas vezes, não identificam que eles são reais. Tanto o Papai quanto a Mamãe Noel ficam disponíveis para falar por videochamadas, através de um totem virtual. 

Totem virtual com Papai Noel e Mamãe Noel. Há decoração de natalPapai e Mamãe Noel ficam disponíveis para videochamadas, em totem virtual, no Shopping Mueller– Foto: André Kopsch/Divulgação ND

“As crianças passam com os pais e pensam que é só uma imagem. Para elas parece um filme, um pôster e passam direto. Quando estamos no shopping a gente mexe, convida, tem a balinha. Isso também causa um afastamento”, completa.

Já o ator WMarcão, assinatura artística de  Marcos Willerding, de 50 anos, afirma que além do trabalho no shopping, a data não teve tantas mudanças.

Papai Noel acena e sorri. Ele segura um sino e aparece o céu azul com poucas nuvensMarcos Willerding (WMarcão), ator que vive o Papai Noel, afirma que o Natal não terá perdas neste ano – Foto: Jeferson Regis/ ND

Ele trabalha como Papai Noel há oito anos e esperava a rescisão de contratos, firmados antes da pandemia. Porém, para a sua surpresa, permaneceram iguais.

No Shopping Itaguaçu, região metropolitana de Florianópolis, tudo será virtual, segundo o ator. Com realidade aumentada, a interação será online.

“Encontraram uma solução criativa. Usaram tecnologia para captar minha imagem e voz. Você direciona o celular e pode tirar uma foto comigo, mesmo eu não estando lá”, assegura.

O Papai Noel Francisco de Assis, de 59 anos, que atua como o personagem há 15 anos em Criciúma, considera uma decepção não trabalhar presencialmente durante o Natal.

Francisco é mineiro aposentado e trabalhou no Shopping Della durante toda a sua carreira como Noel. Em vez de se apresentar na casinha do personagem, gravou apenas vídeos para o estabelecimento, pois tudo será virtual.

A gente se prepara o ano todo. Sou original, tenho a barba comprida. E acontece esse imprevisto que complicou tudo. O sentimento é de amargura”, afirma. 

No entanto, mesmo com as restrições e mudanças, WMarcão acredita que a data não terá perdas. “Um Natal atípico sim, mas mais reservado. Neste ano será propício a reflexões. Talvez as pessoas percebam que mais importante do que o presente é a presença”, enfatiza.

O uso da máscara

O Papai Noel WMarcão espera cumprir uma agenda intensa até o dia 25 de dezembro, na Grande Florianópolis. Durante os eventos presenciais, porém, ele explica que não usará máscara. A proteção é considerada por especialistas uma barreira eficaz contra o novo coronavírus.

“Entendo que a figura do Papai Noel é tão emblemática que, se você usar máscara, quebra a magia. Não usar a máscara fortalece a ideia de que é um ser mágico”, completa. 

Papai Noel olha para a câmera e sorri. Ele segura um sinoWMarcão afirma que não usará máscara, mas que irá manter distanciamento durante eventos presenciais – Foto: Arquivo Pessoa/Divulgação ND

WMarcão afirma que não se preocupa, pois diz que faz parte da sua profissão arcar com o risco de se expor. Além disso, toma outros cuidados quando não está trabalhando.

“Evito estar em locais aglomerados, não me aproximo demais nos eventos, mas não posso ficar com tanta preocupação. Eu faço parte dessa parcela de pessoas que se expõe e entendo a responsabilidade”, ressalta.

Memórias do Natal

Ao longo do tempo em que trabalha como o bom velhinho, Francisco comenta que cultivou não apenas o afeto de crianças, mas também o carinho de jovens e adultos.

“A gente tem uma interação muito grande com todos eles. Estou no shopping  há 14 anos e já vi bebezinho que hoje, com 17, 18 anos, vai me visitar. Muitas crianças que eram pequenas e cresceram continuam me visitando depois de tantos anos”, conta. 

O mesmo é relatado por Aroldo. “Muitas crianças possuem fotos do começo da minha carreira e me mostram. Me surpreendi com uma menina e a mãe me mostrando, fique emocionado porque é um carinho muito grande guardar essas recordações”, diz.

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