Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


Para salvar o verde da Ilha

No século 19, o Poeta do Brejo Marcelino Dutra colhia suas lavouras e as transportava de barco até o Mercado Público, no centro da cidade

As lavouras que subiam os morros da Ilha, derrubando árvores e escalpelando terras, sustentavam famílias que não tinham onde comprar comida.

A partir dos anos 80, grande parte das famílias acordou-separa a necessidade de recompor e preservar as matas, motivada pelas mudanças no modo de vida; os filhos começaram a trabalhar, as primeiras escolas chegaram a locais mais distantes, enfim, abreviaram-se os hábitos e costumes entre a cidade e os recantos rurais. Ribeirão da Ilha tem histórias inefáveis.

Passeios ao ar livre na natureza em Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVPasseios ao ar livre na natureza em Florianópolis – Foto: Reprodução/NDTV RecordTV

No século 19, o Poeta do Brejo Marcelino Dutra colhia suas lavouras e as transportava de barco até o Mercado Público, no centro da cidade, onde colocava os produtos à venda sobre um tablado.

Depois, lavava se na beira do mar, limpava suas roupas com as mãos e se dirigia à Assembleia Legislativa, onde se destacava como parlamentar polêmico, inclusive na presidência da Assembleia Provincial em 1857.

Em seus discursos de causar medo, Marcelino não tinha papas na língua, com seus poemas satíricos. O nativo Isaias, no alto do Ribeirão, chora ao lembrar que precisou queimar morros para colher mandioca, cana de açúcar, milho, feijão.

Nisso, chega o vizinho, o geólogo Eduardo de Faria: “Seu Isaias, sai do frio; vamos lá em casa nos esquentar no fogo à lenha”.- Nem fala nisso, Edu. Eu vivi minha vida no fogo. Esse verde lá do morro é tudo recente, de 30 anos. Naquela época era tudo roçado, queimado. E achoque falta água hoje por culpa nossa, confessa Isaias.

Mas, se por um lado a consciência de nativos ajudou a recompor o verde dos morros da Ilha, por outro, a ocupação indiscriminada com casas improvisadas e irregulares destrói matas, polui rios, lagos, lagoas,além de pôr em risco as famílias que moram naqueles despenhadeiros. O poder público está omisso.

Enquanto isso na praia da Cachoeira…

– O Venanço, se a prefeitura quiser, pode melhorar esses barracos onde muita gente passa frio e fome. né?

– Sim, Lelo, se os home sacudisse a prefeitura ia sobrar muito pouco cargos e o dinheiro jorrar. Da mesma forma, se os vereadores abrisse mão de no mínimo 30% de suas despesas, não sei não, mas em dois anos a pobreza ia ter dignidade pra morar.

– É verdade, Venanço, políticos só pensam nos esquema deles. O povo que se dane. Por isso a nossa Ilha pede socorro.

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