Fabio Gadotti

fabio.gadotti@ndmais.com.br Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens de Florianópolis e região.


Projeto de revitalização do Centro Histórico de Florianópolis rende polêmica

Arquitetos e urbanistas consideram que órgãos de gestão do patrimônio devem fazer análise prévia da proposta para o entorno da Praça 15 e ala leste

Em reunião virtual promovida pelo Movimento Floripa Sustentável, o secretário de Infraestrutura, Valter Gallina, disse nesta quarta-feira (21) que a revitalização do entorno da Praça 15 e da ala leste do Centro Histórico não vai interferir em qualquer elemento protegido pela legislação urbanística.

Por isso, justificou, o projeto não foi submetido para apreciação do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), conforme pediram alguns especialistas.

Imagem mostra como vai ficar trecho da rua Arcipreste Paiva, no entorno da Praça 15, em FlorianópolisImagem mostra como vai ficar trecho da rua Arcipreste Paiva, no entorno da Praça 15, em Florianópolis

Segundo Gallina, só o meio-fio e o petit pavé são tombados como patrimônio e ambos serão 100% preservados. O secretário, que destacou a intervenção como aposta de “reoxigenação” para estímulo à economia e geração de empregos na região, também garantiu que o espaço vai ter mais paralelepípedos do que hoje, se considerar a retirada do asfalto que cobre as pedras na via em frente ao Largo da Catedral.

Arquitetos e urbanistas que participaram da conversa defenderam, no entanto, que o projeto passe pelo crivo de órgãos de patrimônio, por conta de intervenções numa área histórica tombada pelo Estado.

“A falta de consulta a determinados órgãos pode abrir um precedente sério”, disse a arquiteta restauradora Simone Harger.

Ex-presidente do Ipuf, Silvia Lenzi reconheceu a unanimidade em torno da necessidade de recuperação da região, mas alertou para a importância da manutenção do conjunto da paisagem urbana, considerando a carga de “identidade característica dos centros históricos”.

“Estamos indo na contramão da história. A cidade não é só patrimônio histórico, só comércio ou asfalto, o desafio é compatibilizar isso tudo”, afirma Silvia.

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