Marcos Cardoso

A sociedade da Grande Florianópolis, os eventos culturais e as tradições da região analisadas pelo experiente jornalista Marcos Cardoso.


Retrô: astro do filme “Tango” apresenta-se em Florianópolis, em 2008

Foto: Cristiano Prim/Divulgação/NDFoto: Cristiano Prim/Divulgação/ND

Os bailarinos argentinos Juan Carlos Copes e Johana Copes, filha dele, dançando na milonga de abertura do Congresso Internacional de Tango de Florianópolis, em 27 de fevereiro de 2008, no Beiramar Shopping.

Diagnosticado com coronavírus no mês passado, ele morreu de complicações decorrentes da infecção neste 16 de janeiro, aos 89 anos, em Florida, na capital argentina.

Juan Carlos nasceu no pátio da casa de seus avós, no bairro de Mataderos, em Buenos Aires, e, no momento em que sua mãe dava a luz, seu avô materno, Juan Berti – o primeiro flautista da história do tango –, tocava com um amigo bandoneonista.

Pisou pela primeira vez em uma milonga aos 16 anos, tendo então a certeza de seu destino.

Inspirou-se nos passos de Fred Astaire e Gene Kelly, que o levaram aos palcos de diversos países e a caminho de vários prêmios, muitos deles com sua parceira, María Neves, em diferentes continentes.

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Sua fama foi coroada com a participação no filme “Tango”, drama musical dirigido pelo espanhol Carlos Saura, rodado na Argentina e na Espanha, em 1998, recebendo o prêmio American Choreography Award de melhor coreografia para cinema.

Em 2001, junto de sua companhia, apresentou o espetáculo comemorativo aos 50 anos de sua carreira como convidado do Festival de Dança de Joinville.

Voltou ao Estado com Johana em 2008 para dar aulas e dançar no Teatro Ademir Rosa, no CIC (Centro Integrado de Cultura), na Capital, integrando o quadro de professores e artistas convidados do Congresso de Tango (hoje, Bienal), organizado pelo também bailarino e coreógrafo Fabiano Silveira.

Na montagem do espetáculo de abertura do evento, chamaram a atenção não só os seus talento e profissionalismo, mas também a elegância, a vitalidade e a generosa simplicidade: ensaiou com o elenco a tarde toda e colaborou com algumas marcações de palco. Reservado, atento a tudo, permanecia em silêncio, aguardando sua vez de dançar com a filha. Dos colegas, ganhava aplausos, que foram multiplicados pela plateia, à noite.

Ele dizia: “o tango é muito mais que passos: entra pela cabeça, passa pelo coração, se completa com a parceira na dança e chega a seu resultado final, nas pernas. É uma entidade de quatro pernas. Para dançar o tango, são necessárias duas pessoas e muita paixão”.

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