Rodeio no CTG Os Praianos atrai 30 mil pessoas em 5 dias de festa

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O auge de público foi no sábado, quando a bilheteria precisou ser encerrada com gente querendo entrar e, ao todo, 30 CTGs participaram das provas campeiras

O rodeio no CTG Os Praianos é assim: eles organizam uma festa de cinco dias para todo Brasil e não ‘arriam’ se cai um pé d’água, no primeiro dia inteiro do evento, e precisam mexer na programação. Com fé em Deus e nas atrações organizadas, trazem gaúchos de todos os cantos do país.

Cavalgada com bandeiras no CTG Os PraianosSol abençoou quatro, dos cinco dias de rodeio no CTG Os Praianos – Foto: Nícolas Horácio/ND

Neste ano, o 49º Rodeio Nacional do CTG Os Praianos, realizado de 4 a 8 de maio, começou numa quarta-feira chuvosa, sim, mas tinha gente aproveitando mesmo naquele dia. E, do dia 5, até domingo (8), Dia das Mães, o sol brilhou e a festa foi animada. Resultado: mais de 30 mil pessoas nos cinco dias de rodeio.

“A participação dos peões foi maravilhosa. Foi um dos melhores rodeios dos últimos tempos. Em termos de público, com a graça de Deus, superamos. Com a graça de Deus”, enfatizou o patrão do CTG Os Praianos, Lourival José Ouriques. O rodeio de 2022 na entidade deu tão certo que, no sábado (7), foi preciso encerrar a bilheteria, com gente querendo entrar.

Lourival, o patrão do CTG Os PraianosLourival, o patrão do CTG Os Praianos, com seu cavalo, BT Potecas – Foto: Nícolas Horácio/ND

“Toda patronagem tem preocupação e muita responsabilidade. Temos um limite de pessoas, conforme os órgãos competentes. Quando chegamos perto de exceder, encerramos”, afirmou o patrão.

Depois, ele convidou a todos para os próximos eventos: a Semana Farroupilha (setembro), a festa de 50 anos do CTG Os Praianos (outubro) e o rodeio internacional (2023).

Xirú das falas n’Os Praianos, Gustavo Dornelles se impressionou com o público. “Estamos muito felizes, com o coração repleto de alegria e realizado, tendo a certeza de que fizemos um grande caminho e acertamos nas pessoas que trouxemos conosco. Estamos quase sem palavras para agradecer o que aconteceu”, avaliou Guto.

Arquibancada cheia no último dia do 49º Rodeio Nacional CTG Os PraianosArquibancada lotada no domingo (8), último dia do rodeio – Foto: Tanoface

Prenda do CTG Os Praianos, Silvani Luiza da Silva, mãe do Vitor, estava feliz por passar seu dia no CTG. Dona de casa e artesã, falou que a alegria dela é ainda maior na companhia do neto, Pietro, e da nora, Natalia: “É a formação da família. Buscar a tradição, as raízes. Não deixar a juventude, nem mesmo as crianças, jogadas na rua”, declarou.

Provas campeiras

O Rodeio do CTG Os Praianos tem um leque de opções, entre eles, o rodeio cultural, os shows com música sertaneja e gaúcha, além de um parque com gastronomia variada e bebidas. Mas a maior parte do público gosta mesmo é das provas campeiras, onde a peãozada mostra o talento nas competições de laço, na paleteada e gineteada.

É na campeira que o “bicho pega” – Foto: Nícolas Horácio/NDÉ na campeira que o “bicho pega” – Foto: Nícolas Horácio/ND

Na avaliação do xirú, a diretoria campeira se superou, inclusive precisando remanejar o calendário de provas. “Outra coisa que me impressionou foi a diversidade de campeões. Uma categoria ganha um, na outra, outro. Muitos laçadores de ponta e os troféus foram para quem laçou mais e errou menos”, disse sobre as provas de laço.

Vitor Machado, 22 anos, é de São José, vizinho do CTG Os Praianos. Desde os 9 anos laça pelo CTG, que passou a frequentar por causa do irmão. Jovem, exerce cargo na patronagem, a coordenação da campeira, ao lado de Lucas Fernandes e sob a direção de Marlon Fernandes.

O trio é responsável por “tocar o rodeio”. Segundo Vitor, cerca de 30 CTG’s participaram das campeiras e as premiações foram bem distribuídas. Ele falou, também, sobre a saudável rivalidade com o CTG Boca da Serra, de Santo Amaro da Imperatriz, que se destacou.

“Eles sempre tentam montar uma boa seleção para disputar, geralmente, contra a gente. Existem muitos outros CTG’s, mas acaba sempre ficando entre essas duas seleções”, registrou Vitor, que também parabenizou o Boca da Serra por inscrever 20 equipes no rodeio, participando em peso das campeiras.

Prenda de Balneário Camboriú vence competição vocal

O rodeio do CTG Os Praianos atrai gaúchos de todo canto. Patrão do Rancho Cola-atada, que fica em Balneário Camboriú (SC), Leandro Portela, 49 anos, é de Carazinho (RS) e disse que Balneário – e principalmente Camboriú, por ser mais rural – tem uma cultura gaúcha bem forte. Cerca de 20 pessoas vieram da região e acamparam na festa.

Leandro e Carla vieram de Balneário Camboriú para o rodeio – Foto: Nícolas Horácio/NDLeandro e Carla vieram de Balneário Camboriú para o rodeio – Foto: Nícolas Horácio/ND

O Cola-atada ainda não é CTG, mas protocolou o pedido e isso deve ocorrer nesse ano ou em 2023. “Somos uma entidade cultural. A gente faz costela fogo de chão, baile, cavalgada, rodeio. A cultura gaúcha é que nos representa”, descreveu Leandro.

Estudante de direito em BC, Carla Eduarda Rocha de Oliveira, 21 anos, prenda do Rancho Cola-atada, participou no rodeio cultural, na competição de intérpretes. Catarina solo numa família de gaúchos, arrancou aplausos e elogios do público.

“Nunca tinha me apresentado em palco e acho que me saí muito bem. Foi uma experiência única. As pessoas falarem contigo, te elogiar. É muito bom essa interação com outros CTG’s também”, comentou Carla.

Para ela, o rodeio foi um divisor de águas: “descobri outra paixão”, declarou a prenda, na tarde de domingo, alegre pelo que tinha conquistado até ali. Ela ainda não tinha recebido a confirmação dos jurados, que veio à noite: 1ª colocada.

Mais de 600 quilômetros até o rodeio

O engenheiro agrônomo e empresário, Agenor Mendes Araújo Neto, 48 anos, viajou mais de 600 quilômetros, de Guarapuava (PR), para vir ao 49º Rodeio Nacional do CTG Os Praianos. O motivo principal: rever amigos. Ele, inclusive, deixou um rodeio no Paraná para vir a Santa Catarina.

Agenor veio para competir, mas principalmente, para rever amigos – Foto: Nícolas Horácio/NDAgenor veio para competir, mas principalmente, para rever amigos – Foto: Nícolas Horácio/ND

“Depois de uma pandemia, a gente fez dar valor muito mais à família e aos amigos. A gente nunca sabe o dia de amanhã. O que a gente leva, hoje, é amizade, o coração bem, feliz, e o esporte que a gente ama, que o Pai Nosso ensinou, que é o tradicionalismo gaúcho e o rodeio”, declarou.

“Pra mim, é uma satisfação muito grande estar aqui. É um rodeio bonito, pessoal aconchegante e espero esse povo visitar nós lá no Paraná”, completou Agenor.

A família inteira e o cavalo na viagem

O médico veterinário e agropecuarista Ivo Neto, 32 anos, é de Vacaria (RS). Ele trouxe a namorada, o pai, a mãe e o cavalo, Branco, de 15 anos, para o rodeio. Ivo representou o CTG Boca da Serra e estava sorrindo à toa por ganhar o tiro de laço entre as seleções de CTG na cancha do “rival”.

Ivo Neto, primeiro a esquerda na foto, foi um dos campeões do tiro de laço entre equipes na Força A, a elite dos laçadores – Foto: Divulgação /NDIvo Neto, primeiro a esquerda na foto, foi um dos campeões do tiro de laço entre equipes na Força A, a elite dos laçadores – Foto: Divulgação /ND

“Tive o prazer de ser o patrão da seleção do Boca da Serra. Ganhamos d’Os Praianos na casa deles esse ano”, brincou Ivo, que ainda voltou para o Rio Grande com o 1º lugar no laço equipe Força A. Para ele, o segredo do sucesso no laço é o mesmo de outros esportes: treino, dedicação, capricho e foco.

Em termos mais específicos, um cavalo e um laço bom. Na despedida, Ivo agradeceu a recepção: “Sempre que vem, o pessoal de Vacaria é muito bem recebido aqui e o rodeio d’Os Praianos é Os Praianos”.