São José confirma a Festa do Divino e já está em clima de preparação da 170ª edição; confira

Em 2022, com a volta da tradicional festa presencial, tudo conspira para uma grande celebração

Na prova dos vestidos, começa a sair do papel mais um ano de tradição. Em São José, a comunidade vai ao encontro de uma festa que já faz parte do calendário da cidade e que celebra a fé e a devoção dos fiéis. Todo ano, seis semanas depois do Domingo de Páscoa e sete dias antes do Domingo de Pentecostes, a cidade entra no clima para os cortejos da Festa do Divino Espírito Santo.

São José confirma a Festa do Divino e já está em clima de preparação da 170ª edição – Foto: PMSJ/DivulgaçãoSão José confirma a Festa do Divino e já está em clima de preparação da 170ª edição – Foto: PMSJ/Divulgação

A festa já é celebrada há 170 edições em São José e é mais do que tradicional para a comunidade da Grande Florianópolis. A celebração veio originalmente de fora, foi importada. A festa nasceu na Europa, em Portugal, ainda no ano de 1296.

“Com voto da rainha Isabel, casada com Dom Diniz, que ela promete que no Dia de Pentecostes seria coroado o súdito mais pobre, mais humilde, se ajoelharia inclusive na almofada real. De lá para cá, aquela festa expandiu-se de todas as maneiras”, disse a professora e escritora Lélia Pereira Nunes.

Alguns documentos comprovam que a Festa do Divino acontece desde os séculos 17 e 18, em várias regiões do país. Em São José, a celebração já é realizada a 170 edições e é reconhecida como patrimônio imaterial do município.

“A comunidade participa, outros visitantes participam. Esse momento é tão esperado por toda essa organização também do bairro e da paróquia. Nós estamos apoiando porque é muito importante, sim, para a cidade”, explicou a superintendente de Cultura e Turismo de São José, Gilmara Bastos.

Para entender melhor a festa, além de sua história, é importante conhecer também seus símbolos. “A maior simbologia, com certeza, é a coroa de prata. E tem um cetro que é o símbolo do pelouro do poder do Espírito Santo. As bandeiras são vermelhas, no centro têm o símbolo do Espírito Santo: a pombinha branca, que representa a terceira pessoa da Santíssima Trindade”, contou Lélia.

Já as roupas exuberantes também são parte essencial. Neste ano, quem comanda tudo é a costureira das roupas da corte, Susana da Silva Gomes. Para ela, “é muito gratificante. A gente trabalha um ano inteiro em função da roupa. É um trabalho muito delicado de bordado, tudo é pensado, os festeiros escolhem o desenho, a cor”.

A programação oficial deste ano começou ainda no dia 17 de abril, com o envio das bandeiras. Em 2022, com a volta da festa presencial, tudo conspira para uma grande celebração. Iolanda Momm Meincheim e o marido formam o casal festeiro desta edição. São eles quem comandam tudo e garantem o sucesso do evento.

Conforme Iolanda, “os dois anos que não teve a festa, a gente fez a novena do Divino Espírito Santo. Este ano, a gente vai fazer na igreja, nas casas, com quermesse”.

A 170ª Festa do Divino começa, de fato, no dia 28 de maio, com a missa de abertura e o cortejo da família imperial. No dia 29, as celebrações seguem com o cortejo, missas e o tradicional almoço. Já no dia 30, a programação é bem parecida, com a diferença da realização de um café colonial e uma missa especial, que será presidida pelo arcebispo da arquidiocese de Florianópolis, e da escolha do casal festeiro para 2023.

“Nós estamos ansiosos para fazer essa festa, com muita alegria, com muitas coisas gostosas para saborear”, afirmou Iolanda.

Se a tradição é sobre fé e coroação de milagres, a psicopedagoga Nalma Nienchotter é a prova viva de que a religião pode sim mudar a vida dos fiéis. Ela fez parte do casal festeiro de 2019, e recentemente, diz que sentiu na pele a presença do Espírito Santo.

“Meu filho pegou Covid. O médico falou que não tinha mais o que fazer. Eu peguei a bandeira, me ajoelhei na frente da bandeira e disse: ‘se o meu filho sair dessa, eu prometo que eu nunca mais vou abandonar a festa. Eu vou trabalhar, como eu sempre trabalhei, para o Divino Espírito Santo’. Depois de uns três ou quatro dias, ele começou a se recuperar e em uma semana ele teve alta. Eu sou muito grata”, contou Nalma.

Um exemplo enorme da manifestação do Divino na vida dos fiéis e da comunidade e que, verídico ou não, motiva e faz viver esse tipo de celebração.

Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.

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BG Florianópolis

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