São José celebra 271 anos com vida própria e história preservada

Município, que já foi visto como extensão da Capital por causa de sua condição geográfica, hoje ocupa o posto de 4ª cidade mais populosa do Estado

Com ocupação populacional, história e etapas de crescimento muito ligadas e semelhantes ao Desterro, hoje Florianópolis, São José sempre foi vista como uma espécie de extensão da Capital catarinense em muitos aspectos, para além das contingências geográficas.

Desde a presença ancestral do elemento indígena, passando pela chegada dos primeiros exploradores e imigrantes (açorianos e alemães) que formaram a cidade, ela tem muitas similaridades com a vizinha ilustre.

Privilegiada pela natureza, São José convive bem com o passado e o presente, escrevendo seu nome com destaque no cenário catarinense – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDPrivilegiada pela natureza, São José convive bem com o passado e o presente, escrevendo seu nome com destaque no cenário catarinense – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

No entanto, há peculiaridades e personagens que os historiadores e os livros ressaltam, a começar pelo registro deixado por Hans Staden, célebre aventureiro alemão que fundeou seus navios num porto natural chamado Maruim, em 1549.

Transformado em freguesia em 19 de março de 1750, este lugar festeja, nesta sexta-feira (19), o seu 271º aniversário ostentando uma trajetória rica e o status de centro urbano altamente desenvolvido. Ao mesmo tempo, conserva um patrimônio histórico relevante, como o teatro inaugurado em 1854 e constantemente restaurado – como agora, pronto para ser novamente utilizado, assim que passar a pandemia. Instalado no Centro Histórico da cidade, é a casa de espetáculos mais antiga em funcionamento em Santa Catarina.

O casario intacto e os sobrados não ostentam, mas poderiam afixar nos frontispícios os nomes de famílias tradicionais como os Kretzer, Krummel, Ferreira de Mello, Câmara, Philippi, Ramos, Gerlach, Neves e Schmidt – políticos, empresários e figuras ilustres na vida local.

Um filho célebre foi o cardeal dom Jaime de Barros Câmara (1894-1971). Outro foi Francisco Tolentino, deputado federal e nome de rua em Florianópolis. Também trabalhou uma década na cidade o frei Bruno Linden, nascido na Alemanha e que passa atualmente por processo de beatificação pelo Vaticano.

Historiador e escritor Osni Antonio Machado mergulhado em seu acervo – Foto: Danísio Silva/NDHistoriador e escritor Osni Antonio Machado mergulhado em seu acervo – Foto: Danísio Silva/ND

Nos séculos 18 e 19, São José abrangia as freguesias de Palhoça, Santo Amaro, Enseada do Brito e Garopaba, fazia limites com as terras de Laguna e Lages, em direção ao sul e oeste, e incluía a colônia alemã de São Pedro de Alcântara e o atual município de Angelina. A cidade produzia e servia de entreposto para o escoamento de gêneros agrícolas em direção ao porto da Capital.

Câmara e cadeia pública, em 1913; ao lado, o teatro – Foto: Livro São José da Terra Firme/Reprodução/NDCâmara e cadeia pública, em 1913; ao lado, o teatro – Foto: Livro São José da Terra Firme/Reprodução/ND

A região também foi pródiga em olarias e teares (a partir do plantio de algodão na região do Roçado) e muitas famílias fizeram da pesca o seu modo de vida, resistindo à ideia de embrenhar-se pelo continente adentro, como queria o governo brasileiro ao patrocinar a criação da colônia de São Pedro de Alcântara.

Sem boas condições para cultivar, as terras foram sendo esvaziadas e parte dos imigrantes alemães se espalhou por Antônio Carlos e arredores e outros permaneceram em São José (em especial na Praia Comprida) e na Ilha de Santa Catarina.

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