Sem celular: relembre brinquedos e brincadeiras antigos que faziam sucesso em SC

Museus em Santa Catarina têm no acervo brinquedos desde a década de 1920

“Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração”. Assim como na canção de Milton Nascimento, muitas bolas de meia e
de gude habitam o coração de milhares de brasileiros com memórias afetivas de alegria e saudade da infância.

O sabor da vida de criança faz parte do imaginário nostálgico que nos  acompanha ao longo dos anos, não importa qual seja o lapso temporal que divide o menino do adulto.

Coleção das bonecas Susi, da marca de brinquedos Estrela, de 1966 – Foto: Reprodução/PinterestColeção das bonecas Susi, da marca de brinquedos Estrela, de 1966 – Foto: Reprodução/Pinterest

Brinquedos, objetos lúdicos e brincadeiras infantis podem representar o registro da memória cultural de uma época e da preservação de suas  condições de vida, além de revelar a identificação do universo pessoal e social da existência humana. E a criança que habita em cada um de nós se encanta quando tem sua memória remexida.

Hoje pais e avós, alguns já conquistando seu merecido lugar na fila da vacina contra a Covid-19, quase todos resgatam a vivacidade no olhar quando o assunto são os brinquedos preferidos, as brincadeiras e os programas de televisão.

Parte destas memórias vem em preto e branco, não só pelas fotografias amareladas pelo tempo, mas também porque os programas televisivos eram em preto e branco e acessíveis somente aos mais “abonados” lá pelos idos dos anos 1950 e 1960.

Televisão era em preto e branco e ‘coisa de rico’ – Foto: Reprodução/NDTelevisão era em preto e branco e ‘coisa de rico’ – Foto: Reprodução/ND

Vivíamos a era revolucionária da televisão, que em preto e branco chegou
ao Brasil em 1950, pelas mãos do jornalista Assis Chateaubriand. As cores
na telinha só passaram a fazer parte do cotidiano do brasileiro em 1972.

A servidora pública aposentada Claudia Gomes de Albuquerque Abdallah,
58 anos, guarda com muito carinho alguns brinquedos em miniatura que
fizeram parte da sua infância morando no Centro de Florianópolis.

Linha dos cobiçados brinquedos Bandeirante nos anos 1960 – Foto: Arquivo Pessoal/NDLinha dos cobiçados brinquedos Bandeirante nos anos 1960 – Foto: Arquivo Pessoal/ND

Ela se recorda de uma época bastante diferente, em que a vida de criança acontecia na rua, cercada de irmãos, familiares e amigos, brincando ao ar livre – o oposto da realidade atual, na qual as crianças crescem isoladas dentro de casa.

“As brincadeiras eram de rua, a gente acordava e já ia direto para a rua brincar de pega-pega, esconde-esconde, soltar pipa, jogar futebol, bafo, bolinha de gude. Só voltava para casa para dormir e comer”, relembra.

Havia diversão na simplicidade, como o encantamento com o magnetismo de um imã que ligava dois cachorrinhos de brinquedo guardados por ela até hoje.

Além das miniaturas de personagens como Pluto, Grilo Falante, Dumbo e Sininho, que sobreviveram à passagem do tempo desde a década de 1960, Claudia destaca as aventuras no carrinho de rolimã construído com a  ajuda de alguns dos cinco irmãos e a alegria da criançada com as  apresentações do boi-de-mamão nas noites de verão, cantando e  dançando enquanto eram “engolidos” pela Bernunça.

Coisas de brincar inspiram  museus em SC

“Falar de brinquedo é falar de coisa boa”, expressa a professora doutora Telma Piacentini, 73,  responsável pelo Museu do Brinquedo da Ilha de Santa Catarina, instalado na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) desde 1999.

A pesquisadora estuda o universo do brincar desde a década de 1980,  quando teve contato com Franklin Cascaes, o artista que é um dos grandes estudiosos da cultura de Florianópolis e criador de várias esculturas de barro, lendas e obras que trazem a representação das brincadeiras infantis da ilha.

“Quando a cultura se coloca, o brinquedo vem junto. A criança vai imitar e reviver de outra forma o que há no seu entorno. O brincar é  profundamente necessário para o ser humano, é aquilo que dá a dimensão
da humanidade”, pontua a professora.

O acervo do Museu do Brinquedo é formado por 144 peças, inicialmente adquiridas pela professora e doadas voluntariamente por pessoas da comunidade. A peça mais antiga da coleção é uma boneca fabricada entre
as décadas de 1940 e 1950 pela marca Sago.

Atualmente, o museu está fechado ao público em virtude da pandemia, porém, está sendo desenvolvida uma página para tours virtuais, que deve ser lançada em breve.

Mundo do Brinquedo, em Pomerode – Foto: Divulgação/NDMundo do Brinquedo, em Pomerode – Foto: Divulgação/ND

“Quando eu era criança, era assim…”

No município de Pomerode há o Museu Mundo do Brinquedo, aberto ao público em 2019. Lá estão expostos mais de 3 mil brinquedos de várias  épocas, desde 1920, tais como carrinhos, bicicletas, jogos, bonecas e objetos de madeira.

O acervo reunido é parte da coleção particular do engenheiro Adolar  Ferreira Filho e é uma verdadeira viagem no tempo para quem tem fascínio pelo universo dos brinquedos antigos.

Muitos dos itens são bem curiosos, como o primeiro quadriciclo, de 1938,
uma profusão de bicicletas e triciclos de todos os tamanhos, e os bonecos
do Mickey e Minnie de 1940. Ainda há bonecas de porcelana das décadas de 1950/1960, que já foram premiadas.

Há autoramas, ferroramas, fortes apaches e espaço dedicado a objetos
feitos de lata, produzidos no Japão após a 2ª Guerra Mundial. E também
brinquedos nem tão antigos assim, que são feitos de plástico e de madeira. Quem não lembra do Aquaplay?

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