Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


Ser ou ter na era da agonia

Entender a diferença entre o “ser” e o “ter” fisiológico é essencial aos olhos da ambição e vaidade

Cobertores ideológicos, que geram conflitos no cenário brasileiro, acabam exibindo o desejo fisiológico dos acobertados, de alcançar ou de preservar vantagens de vida. Entender a diferença entre o “ser” e o “terfisiológico é essencial aos olhos da ambição e vaidade.

Novo coronavírus – Foto: Divulgação/Fotos Públicas/NDNovo coronavírus – Foto: Divulgação/Fotos Públicas/ND

“Ser” é existência, enquanto o “ter” é adorno que ostenta a presença. Logo, na sociedade de presunções e disputas, o “ser” acaba apostando mais na aparência do que na essência humana.

Há alguns anos, Xuxa vestiu-se de “pobre”, percorreu ruas de SP e disse no programa: “Incrível, ninguém me reconheceu”! Como salienta Husserl, é importante o “ser” da consciência de valor ético, que se opõe à tese do meu puro eu, ensaboado na aparência simulada com roupas, carros, festas, etc. Vivemos, em pleno século 21, a era da fantasia, mesmo que sob o terror da pandemia.

A crise histórica da humanidade se aloja no plano do saber. A massificação da informação predomina sobre o conhecimento, e este, sobre o pensamento.

E nessa contenda, ganha força a era do vazio, em que a aparência define a identidade do “ser”. A Covid-19 abre-nos a cabeça, mas o “ter” tem sido forte suficiente para agasalhar velhos vícios e outros, em geração.

Enquanto isso, na praia da Cachoeira

– Professor Alfredo, que bom vê tu de novo. E que baita confusão, hein? O mundo ficou louco, foi?

– Bem, Nietzsche já dizia que o homem político não renuncia a juízos falsos, sob pena de negar a sua vida. Em Santa Catarina, por exemplo, poderíamos estar na vanguarda do atendimento social neste período difícil. Contudo, nem sabemos ainda quem levou vantagem com a compra dos aparelhos de respiração.

– Aqui tudo é escondido pro povo continuar ignorante, sentencia Lelo. Lá pras Alemanha, parece que a dona Merkel andou pedindo desculpa pro povo dela dia hoje. É. Lá eles sabem e reclamam. E o político tem de ouvir.

– Meus amigos, como dizia Rui Barbosa: na crise moral, a crise do caráter é a maior. Contudo, não devemos renunciar a todas as esperanças, embora não seja fácil mudar um caráter.

– Pra mim, Lelo de pai e mãe, sempre tem um ou dois falando diferente. O causo é não deixar esses uns falando pro vento.

– Mas, Lelo, o povo precisa saber escutar, entender e julgar, tarrafa Venâncio.

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