Tatiana Cobbett lança videoclipe colaborativo na obra “Voo”

Videoclipe traz imagens do cotidiano “novo normal”; lançamento ocorre nesta sexta-feira (27), no Youtube e resulta de um trabalho autobiográfico e de parcerias

Para você, o que significa a palavra voo? A pergunta, enviada para mais de 20 pessoas das mais diversas atuações profissionais, resultou em um mosaico de imagens que formam o novo videoclipe de Tatiana Cobbett.

O trabalho será lançado nesta sexta-feira (27), em seu canal do Youtube.

Tatiana Cobbett lança videoclipe de obra autobiográfica – Foto: Divulgação/Tatiana CobbettTatiana Cobbett lança videoclipe de obra autobiográfica – Foto: Divulgação/Tatiana Cobbett

A parceria, marca da trajetória da cantora e compositora, ganha nova dimensão no videoclipe desta obra autobiográfica, em que o cotidiano da quarentena é apresentado de maneira colaborativa e poética.

O single Voo, com arranjo e violão de Pedro Loch, é a quarta faixa do álbum Lá e Cá, que traz as obras criadas a partir dos encontros e descobertas entre Florianópolis e Lisboa.

A música também estará disponível nas plataformas digitais Spotify e Deezer.

“Eu apenas enviei a palavra, o mote, o título da música para diversas pessoas de vários segmentos e pedi que enviassem imagens sobre o tema, feitas com o celular. São músicos, artistas plásticos, bailarinos, crianças, fotógrafos, pessoas das minhas relações para quem eu pedi sem dizer o motivo. As pessoas também não perguntaram para quê, ou seja, estamos todas com uma necessidade tão grande de nos expressarmos sobre qualquer assunto, motivo, que foi assim… em menos de 20 dias recebi uma quantidade de vídeos”, relata a cantora.

A composição traz um caráter inédito por ser a primeira obra autobiográfica de Tatiana.

“A música fala desse lugar muito profundo, eu, minhas referências. Talvez seja a primeira vez em que eu construa uma letra tão eu, falando de mim, o que não é também muito comum. Eu sou muito de observar, embora a maior parte das letras seja na primeira pessoa, 99% delas não tem nada a ver comigo. Voo tem”, revela.

Imersão

Neste single, Tatiana faz uma imersão e se vê diante da reformulação de suas parcerias, desta vez mediadas pela distância e confinamento. Já a experiência com o parceiro Pedro Loch vem de longa data.

“Na nossa chegada em Portugal, aprofundamos a vivência vizinha que tínhamos no Brasil, porque ficamos vizinhos de quarto por um tempo. Ele harmonizou a canção, enquanto eu cantava no banheiro, como sempre faço, mas o processo se diferenciou, porque depois cada um seguiu seu rumo”, lembra.

“Pedro Loch é um músico exuberante. Aproveitar o seu virtuosismo, conhecimento e convivência com meu trabalho daria a essa faixa a profundidade natural que eu esperava e, ao mesmo tempo, a possibilidade de enfatizar nossas expressões individuais. Uma parceria, onde a harmonização, o arranjo, é uma concepção feita à parte”, diz.

“O violão é o Pedro Loch e eu trouxe para a voz e concepção geral da canção um exercício de cantar sem acompanhamento (a capela). Aqui tenho feito isto, aproveitando a força do acústico, condição ligada à cultura portuguesa, na ambiência do fado e da palavra literária, que é contagiante”, completa.

Voo é, sobretudo, a retomada do ponto de partida de sua carreira como cantora e compositora, com um toque de introspecção e aprofundamento.

“Neste sentido não vi necessidade de mais volume sonoro, porque me volto para voz e violão que foi o meu início enquanto mulher musicista, a ideia de parceria surgiu nesta formação. Para além disso, o primeiro espetáculo que montei com as minhas próprias composições se deu a partir do estudo sobre parcerias de voz e violão, gerando o primeiro disco, Parceiros”, conta.

Produção

A composição foi criada antes da pandemia e gravada durante o afrouxamento da quarentena, em Portugal. “Na primeira oportunidade que tivemos desconfinados tratei de fazer a gravação. Entramos no estúdio e gravamos de primeira”.

O rosto coberto, como uma representação do seu alter ego, que tem caracterizado essa nova fase do trabalho da artista, se mantém presente no videoclipe.

A identidade visual é baseada na Intervenção Ensaio Cara de Meia – Lá e Cá, que agrega diversos fotógrafos, entre eles André Maia que assina Voo. A trilha que inspira a realização do clipe tem gravação, captação e mixagem do Estúdio Henrique Pacheco/Lisboa.

O audiovisual foi contemplado pelo Prêmio Funarte RespirArte – Música 2020 e editado pelo Flor do Futuro Filmes/SC.

O convite à imersão em Voo

O videoclipe conta com a declamação de um poema pela autora Inês Malta, jornalista e fotógrafa portuguesa, uma das pessoas convocadas por Tatiana a enviar imagens sobre esse trabalho.

“Numa tarde, saí de carro até a minha praia preferida e gravei as imagens […] Sou jornalista e tenho na imagem e na escrita as minhas principais formas de expressão. Por isso, para além das imagens, faltavam as palavras. Nesse mesmo dia cheguei à casa e sentei-me para escrever. Gravei voz e enviei à Tatiana. Tempos mais tarde, ela me mostrou que o meu poema e as minhas imagens faziam muito mais parte do videoclipe do que alguma vez eu tinha pensado. Tudo isto me encheu o coração por fazer parte de uma coisa tão bonita, que toca e arrepia só de ouvir. Adoro a Tatiana e fazer parte de sua vida é mesmo um grande privilégio”, conta a jornalista.

A artista plástica Paula Erber, carioca que atualmente mora em Portugal, relata que escolheu o poema “Metade Pássaro” de Murilo Mendes para representar “Voo”.

“Escolhi um pássaro de filigrana feito por mim. A intenção era filmá-lo voando na minha janela. Não funcionou. Então, eu coloquei-o no meu travesseiro. O voo também acontece em sonhos. Eu ‘converso’ com passarinhos e voo em meus sonhos”, revela.

O novo normal e as parcerias

Este é o quarto single do projeto Lá e Cá, lançado por Tatiana Cobbett neste ano. Os três primeiros foram: Ultimar, uma parceria com o músico portugues Luís Lapa; Inominável, com Guinha Ramires; e Bem me quer Mal me quer, uma composição de Ana Paula da Silva.

“Toda a experiência vivida está naquela faixa. Essa redução de forma ampla tem me estimulado neste processo criativo”.

É também a segunda experiência audiovisual em que Tatiana convida para um trabalho colaborativo de expressão artística.

“Amarélindo” é um projeto que gerou cinco videoclipes e nasceu em plena pandemia, quando a artista chamou bailarinos e bailarinas de vários cantos do mundo, seus colegas da antiga profissão, para performar sobre a música Ultimar.

O resultado pode ser encontrado no site da cantora.

“Meus amigos, pessoas da dança que respeito, estavam enlouquecidos no confinamento. Para o profissional da dança, o confinamento foi além, minha intenção foi de movimentá-los a partir de uma canção minha. Bailarinos de várias partes do mundo e épocas da minha trajetória me enviaram vídeos feitos no celular, imagens incríveis, lindas. Era outra vez a parceria abrindo janela e somando com o meu processo criativo”, conta.

Com imagens gravadas pela cantora, o videoclipe “Bem me Quer Mal me Quer” impulsionou a atuação autodidata de Cobbett no audiovisual.

“Durante a quarentena fiz algumas imagens experimentais. Aquele desejo que tenho de trocar, ter parceria, conversar com o outro sobre o processo de criação, me faz muita falta e no confinamento ainda mais. Os dois trabalhos me salvaram: Amarélindo e o videoclipe de “Bem me Quer Mal me Quer”.

Quando me vi confinada achei que seria o fim do projeto Lá e Cá, onde os encontros, o interagir são a chave, o desenvolvimento criativo. Essa nova modalidade de intercâmbio e experiência, devido ao novo normal, têm me motivado e fortalecido”.

A letra e voz de Voo é de Tatiana Cobbett, com arranjo e violão por Pedro Loch. A gravação, captação e mixagem foi realizada no Estúdio Henrique Pacheco, em Lisboa, já a edição foi feita no Flor do Futuro Filmes, em Santa Catarina.

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