Titãs mostram no Rock in Rio canção sobre estupro, parte de ópera-rock

MARCO AURÉLIO CANÔNICO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – No dia em que o Rock in Rio receberia a banda que criou a mais célebre das óperas-rock -o Who, com sua “Tommy”-, os Titãs aproveitaram seu show de abertura do palco Mundo para lembrar que farão um projeto deste tipo em 2018 e mostraram três de suas canções inéditas.

A mais bem recebida delas foi “Me Estuprem”, de Sérgio Britto e Tony Bellotto, dois dos remanescentes da formação original -o terceiro é Branco Mello. Segundo Britto, a história da ópera-rock incluirá um estupro, e a letra da nova música é narrada do ponto de vista da vítima -ela pede desculpas, de forma irônica, por ter sido atacada. “Me desculpem por eu ser mulher / me estuprem por eu ser só sorrisos”, diz um trecho, bem recebido pelo público feminino.

As demais inéditas foram “Doze Flores Amarelas”, composição dos três remanescentes e do guitarrista Beto Lee, que realmente parece fazer parte de uma narrativa maior -e soa bem diferente do som típico dos Titãs- e “A Festa”, um rock básico com uma letra sobre uma noitada “pra chapar e não se arrepender”.

“São raras as vezes que a gente tem a oportunidade de tocar para um público tão grande, e parece que estamos tocando para pouca gente, gente íntima, que entende o que queremos dizer. Obrigado pelo privilégio”, disse Britto.

Fora a sequência em que apresentaram as inéditas “de uma ópera rock que vamos lançar em 2018”, segundo disse Britto, o que se viu foi o velho repertório roqueiro dos Titãs, mas em versão desidratada -cada vez menor em termos de membros-fundadores, a banda não encontrou soluções para preencher de som canções cujas versões originais estão na memória da plateia.

Na configuração atual, Branco Mello e Sérgio Britto alternam-se nos vocais e no baixo (o segundo também toca teclado), enquanto Tony Bellotto segue na guitarra; completam a banda Beto Lee na guitarra e Mario Fabre na bateria. Bons músicos, mas sem a potência que a formação com oito integrantes trazia.

Como de praxe, o show também teve espaço para manifestações políticas -muitas canções dos Titãs já dispensam discurso adicional (“Lugar Nenhum”, “Polícia” etc.), mas Britto aproveitou para reforçar a contemporaneidade de letras como a de “Desordem”. “Essa é de 1987, mas poderia ter sido escrita na semana passada”, disse ele.

Após o momento de cantoria coletiva com a balada “Epitáfio” -que Britto dedicou à paz-, o show foi encerrado com uma sequência mais elétrica, com “Flores”, “Polícia”, “Bichos Escrotos” e “Vossa Excelência”.

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