Laudelino Sardá

Causos da Ilha, seus personagens, histórias e momentos do cotidiano de Florianópolis com quem conhece os cantos da Capital de Santa Catarina.


Uma ilha sem planos de defesa ambiental

Em Floripa, cerca de 30% das residências são de famílias que não podem sequer pagar o caminhão de limpeza de fossa

Certa vez, perguntei a um habitante de Berlim, do lado ocidental da Alemanha, se ele sentia orgulho da sua cidade. A resposta veio imediata, sem hesitação: sim, claro, mas quero ter o dobro do orgulho de ser berlinense. E emendou: precisamos exigir, cada vez mais, que a cidade tenha mais qualidade.

Em Floripa, cerca de 30% das residências são de famílias que não podem sequer pagar o caminhão de limpeza de fossa, o que leva à sua maioria a fazer ligações clandestinas em redes pluviais, ou despejar dejetos diretamente em rios, riachos.

Ponte Hercílio Luz em Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDPonte Hercílio Luz em Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

Basta lembrar a situação do rio do Brás, onde associações de classe,organizações empresariais e dezenas de residências de Canasvieiras e Cachoeira do Bom Jesus lançam o esgoto. E a prefeitura prefere o silêncio diante desse crime ambiental.

Aliás, nos últimos 30 anos – ou mais– Floripa não teve sequer uma estratégia voltada à recuperação e à preservação do meio ambiente. E todos conhecem a realidade ambiental da cidade.

Em todas as gestões públicas da cidade não houve sequer a preocupação de lançar campanhas de conscientização para o combate à poluição ambiental. Houve propaganda– mais política do que técnica – sobre“cidade limpa”, que sequer mexeu com a cabeçados que jogam latinhas de cerveja e refrigerante e outras sujeiras na rua ou em terrenos.

A prefeitura precisa reverter o vento da desordem ambiental. E não precisa pôr guardas à caça de poluidores. Trabalhe a consciência de valor ambiental do povo, mostrando-lhe que é necessário que cada cidadão assuma o desafio de despoluir a cidade; e, a prefeitura, o dever de implementar novas e amplas obras de saneamento, com projetos consistentes de limpeza e proteção de rios, lagoas, lagos e riachos.

Enquanto isso na praia da Cachoeira…

– Ô, Venanço, ontem comi o peixe que a gente pegou aqui. E tu sabe que senti cheiro de mijo.

– Puta meda, Lelo, tens que lavá, né, ô cabeça de siri!

– Calma, ixtepô, claro que a mulhé lavou, mas foi antes, quando levei pra casa que senti o cheiro.

– Lelo, o que mais dói é que a prefeitura não quer saber de despoluir. Aqui da Cachoeira até o final de Canasvieiras tem mais de cinco riozinhos jogando cocô no mar. E pra lá, na Ponta das Canas, a mesma coisa.As pessoas fazem cocô em casa e mandam pros rios.

– É, Venanço, por isso o meu peixe catingou tanto!

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Loading...