Em meio à pandemia, Festival de Dança de Joinville se reinventa e projeta crescimento

Após mais de dois anos, maior festival de dança do mundo volta a Joinville em novo formato e com boas expectativas

Com uma maquiagem colorida, um vestido vermelho exuberante e uma coroa na cabeça, a estudante Géssica Salvalaggio chama a atenção em um dos palcos do Festival de Dança de Joinville. “Estou muito feliz em voltar e matar a saudade”, diz empolgada.

A saudade dela era também a de muitos outros bailarinos que, agora, voltam ao maior festival do mundo após mais de dois anos sem edição. Por causa da pandemia do coronavírus, o evento não aconteceu em 2020 e foi adiado de julho para outubro em 2021.

Géssica não esconde a alegria em voltar a se apresentar no festival – Foto: Carlos Jr/NDGéssica não esconde a alegria em voltar a se apresentar no festival – Foto: Carlos Jr/ND

Nesta quarta (6), o movimento ainda era tímido no Centreventos Cau Hansen. E embora deva aumentar nos próximos dias, a previsão é de que esta edição seja menos movimentada, de fato. Afinal, houve queda de 40% no número de grupos inscritos em relação ao último evento, em 2019.

“Não tinha como ser diferente. O festival saiu do período de férias, na segunda quinzena de julho, e foi para outubro, em um período normal, de aulas normais e com muitas pessoas trabalhando”, conta Ely Diniz, presidente do Instituto Festival de Dança de Joinville.

O número menor de participantes, aliás, foi um aliado para a realização do evento, que precisa seguir protocolos relacionados à pandemia. “Se viesse aquela quantidade, não teríamos nem onde pôr. A plateia e a Feira da Sapatilha funcionam com 60% da capacidade”, complementa.

Há diversos aparelhos com álcool em gel espalhados pelo evento – Foto: Carlos Jr/NDHá diversos aparelhos com álcool em gel espalhados pelo evento – Foto: Carlos Jr/ND

Em todo o espaço, há aparelhos que disponibilizam álcool em gel e proporcionam a medição da temperatura corporal. O uso de máscara é obrigatório em todos os espaços, inclusive no palco, o que tem sido questionado junto ao governo de Santa Catarina.

A prefeitura de Joinville enviou ofício ao Estado pedindo que os bailarinos não precisem usar máscaras durante as apresentações. “São artistas de alta performance, que não trabalham com máscara. Eles estão vacinados ou testados, trabalham juntos, a distância para a plateia é de 30 metros. Essa é a coisa que está nos chateando”, argumenta Ely.

A Secretaria de Estado da Saúde disse que não há previsão de quando a questão deve ter uma resposta. Até lá, todos os bailarinos têm se apresentado de máscara.

Bailarinos têm se apresentado usando máscaras – Foto: Carlos Jr/NDBailarinos têm se apresentado usando máscaras – Foto: Carlos Jr/ND

Maioria das apresentações ocorre de forma presencial

Por causa da pandemia, o festival criou um modelo híbrido em que os grupos aprovados poderiam escolher entre se apresentar presencialmente ou a partir de vídeos gravados previamente. E a maioria deles preferiu subir ao palco e se apresentar ao vivo, surpreendendo a organização.

“A gente estava trabalhando com 70% no máximo de apresentações presenciais e deu mais de 90%. Nas noites competitivas, dos 210 trabalhos, apenas sete serão virtuais. Os grupos querem estar no palco, querem aplausos”, ressalta Ely.

Ele explica que, no caso dos grupos que gravaram vídeos, tudo foi feito para dar as mesmas condições a todos. “Foi marcado um horário, eles faziam a apresentação e não poderiam editar nem fazer novo. Foi gravado uma vez e feito daqui”, detalha.

Neste ano, alguns grupos tradicionais não se inscrevem, inclusive por conta da pandemia. Por outro lado, o festival recebeu inscrições de grupos novos, que nunca haviam participado.

“Estamos fazendo todo o possível para que o evento ocorra dentro das comodidades e de todos os protocolos de segurança, sem perder a qualidade da organização e a qualidade artística”, ressalta Ely.

Aparelhos permitem a medição da temperatura corporal – Foto: Carlos Jr/NDAparelhos permitem a medição da temperatura corporal – Foto: Carlos Jr/ND

A recepção dos joinvilenses têm sido boa, segundo ele. “Claro que tem gente que ainda não se sente confortável nesse ambiente, mas tem sido muito positivo até agora”, destaca.

Para Ely, o festival do ano que vem deve ser ainda maior e melhor a partir de uma possível estrutura mais próxima à de antes. “A Feira da Sapatilha já está toda vendida para o ano que vem. Eu não tenho a menor dúvida que, no ano que vem, vamos ter conter a euforia”, finaliza.

O Festival de Dança de Joinville segue até o dia 16 de outubro, com apresentações da Mostra Competitiva, do Meia Ponta e nos Palcos Abertos. Confira a programação.

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