Formado em Joinville, bailarino carioca enfrentou desafios e agora vai para a Dinamarca

Luis Fernando Rego começou a dançar quase que por acaso e tem alçado voos cada vez mais altos após a formação na Escola Bolshoi Brasil

O começo foi até meio sem querer: Luis Fernando Rego era morador do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e conheceu a dança quando precisou levar a irmã para as aulas de balé e, como numa dessas surpresas do destino, se apaixonou pela arte do movimento.

Apesar da paixão, teve medo de pedir aos pais para praticar a dança clássica, com receio de ser julgado pela escolha. Então, em uma “arte” de criança, usou a desculpa de que precisaria fazer o balé para ajudar no equilíbrio necessário para a prática do surf, esporte que já fazia na época.

Luis descobriu a dança quase que por acaso, mas brilhou nos palcos desde criança – Foto: Alinne VolpatoLuis descobriu a dança quase que por acaso, mas brilhou nos palcos desde criança – Foto: Alinne Volpato

Com o aval da família, ingressou no projeto social ViDançar, que forma bailarinos no conjunto de favelas da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. E a estrela de Luis logo brilhou, chamando a atenção de uma professora que o incentivou a participar da seleção da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, única sede da escola fora da Rússia.

Na maior cidade de Santa Catarina, ele foi aprovado para fazer parte do projeto, com direito à bolsa integral. Apesar disso, as despesas com moradia e alimentação seriam pesadas para o adolescente. Foi aí que surgiu a ajuda de outra família oriunda do Complexo do Alemão que também estava em Joinville por causa da dança. Os pais da bailarina Camila Braga o acolheram durante todo o período na escola.

No Bolshoi, Luis brilhou ainda mais

Em 2019, Luis se formou e acabou contratado pela Cia. Jovem Bolshoi Brasil, mais uma prova do talento do bailarino carioca. E em meio à pandemia, com vontade de alçar voos ainda mais altos, ele foi selecionado pela Companhia Tivoli Ballet Theatre, da Dinamarca.

“Com certeza a Escola Bolshoi me abriu muitas portas. Eu sempre sofri preconceito, por ser negro, homem que dança balé, mas isso nunca me desestimulou, pelo contrário, eu sempre tive apoio de todos ao meu redor, e reconhecimento dos profissionais com quem trabalho”, destaca Luis.

Luis foi contratado por uma companhia da Dinamarca – Foto: Alinne VolpatoLuis foi contratado por uma companhia da Dinamarca – Foto: Alinne Volpato

Aos 20 anos, ele deve partir para a Dinamarca ainda neste mês de abril. “Sou muito grato a minha amiga Helen, que sempre me ajudou, a Aline e sua família, pela acolhida quando cheguei em Joinville, e a todos dessa grande família que é o Bolshoi. Agora é hora de colocar em prática tudo que aprendi, e lutar para que mais homens, negros, brasileiros, ganhem espaço nos palcos do mundo”, ressalta.

Despedida com chave de ouro

Para fechar o ciclo em Joinville com chave de ouro, no dia 25 de abril, às 19h, uma apresentação com o tema “Homens na dança” será realizada pela Escola Bolshoi. O espetáculo tem como objetivo valorizar a profissão do bailarino, mostrar o resultado do trabalho feito pela Escola Bolshoi, na formação de artistas cidadãos, e se despedir de quatro profissionais que atuam na Cia. Jovem, e que estão com contrato assinado em companhias do mundo, entre eles, Luis. A transmissão será feita pelo canal do YouTube ‘Escola Bolshoi Brasil’ e é gratuita.

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