Três designers conquistaram expertise e despontam na produção de joias

Residentes na capital catarinense, elas também se consolidaram no cenário de vendas online

Três mulheres incríveis com histórias de vida completamente diferentes, mas com algo em comum: o amor pelas joias. Enquanto a designer de joias curitibana Lie Manuela Martuscello, e agora mãe de Kai, expressa-se por meio de peças de ouro minimalistas em que a sensibilidade e a delicadeza se entrelaçam com a sua recém-experiência materna, a designer de joias porto-alegrense e cosmopolita Fabi Jorge se inspira nas experiências obtidas por meio de viagens ao redor do mundo e das suas práticas de yoga, enquanto Mariana Pelegrini, a arrojada designer de joia especialista em pedras preciosas e empresária, está à frente da sua recém-inaugurada loja de joias em um shopping da capital. 

A marca de joias Liê e Fabi Jorge faz parte do movimento slow fashion, que cresce cada vez mais no Brasil e no mundo, em que cada joia é produzida artesanalmente, destacando-se peças únicas ou de coleções com pequenas séries. A designer Mariana vem de uma família de empresários do ramo de ótica e de joias, e por isso faz parte do time de designers de joias que busca consolidar-se no mercado local com uma loja física e ainda manter o sucesso com os seus 20 mil seguidores em uma rede social.

Lie cria peças minimalistas. Enxuta, são só duas coleções: amor, para datas importantes, e dia a dia, para o cotidiano da mulher contemporânea - Divulgação/ND
Lie cria peças minimalistas. Enxuta, são só duas coleções: amor, para datas importantes, e dia a dia, para o cotidiano da mulher contemporânea – Divulgação/ND

Joias atemporais

A curitibana Lie, de 34 anos, é formada em Design de Produtos pela Universidade Federal do Paraná e atuou na área durante quase cinco anos, na Whirlpool, uma das melhores empresas do setor de design de produtos do Brasil, responsável pelas marcas Brastemp e Consul. “Tive uma boa experiência de trabalho no mercado e a oportunidade de fazer parte de equipes de projetos internacionais para a China e para os Estados Unidos, mas depois de um tempo descobri que queria ter o meu próprio negócio”. Lá, ela também conheceu o seu marido Marinho Martuscello, design carioca e na época gerente da empresa. Hoje, Marinho é seu sócio no ateliê de joias. 

“Fiquei dois anos em busca de uma mudança de carreira até conhecer o ateliê de joias da namorada de um amigo e me encantar por esse universo, pois até então para mim joia era algo distante e brega, ligado a marcas convencionais”. Mas de lá para cá, dedicou-se a fazer cursos de imersão na área, entre os quais estão um curso realizado com a designer de joias Lívia Canuto sobre a prática de ourivesaria, no Rio de Janeiro, e o curso Alchimia, em Florença, Itália, por meio do qual pode explorar diferentes técnicas de criação de joias e principalmente soltar mais o seu lado artístico.

Com o tempo e com o amadurecimento da marca, Lie saiu de casa para montar o seu ateliê em um espaço externo com outras pequenas empresas durante alguns anos. Agora, com o público consolidado, ela e o marido abriram o ateliê no Sul da Ilha, onde estão se dedicando integralmente para fidelizar e ampliar os seus 12.500 seguidores de rede social, sendo que 90% do seu público vem dessa plataforma.

A designer define a sua marca como joias atemporais e com bossa: “Cada peça é feita com alma, e as coleções são divididas em duas linhas, a linha amor e a dia a dia. A primeira é representada por joias que marcam datas importantes como casamento, noivado, nascimento do filho. Já a segunda linha traz joias elegantes e confortáveis, que atribuem charme ao cotidiano da mulher contemporânea em todas as suas atividades”, revela Lie.

O marido explica que, apesar de as vendas serem online pelo Instagram e pelo site, a empresa familiar não é um e-commerce: “Nós atendemos de modo personalizado cada cliente, em sua maioria pessoas que não querem comprar em shopping ou adquirir uma peça com várias cópias iguais no mercado.”

Outro diferencial, segundo a designer, é que eles têm buscado trazer à joia um sentido de algo perene e não perecível, e as coleções não são sazonais, ou seja, uma coleção não substitui a outra. Para isso, já foram criadas duas campanhas: a “Renove”, em que o cliente traz as peças de ouro que não usa mais e as transforma em cupom para adquirir peças da Liê, e a “Desapego”, em que a própria empresa está se desapegando de algumas peças do seu acervo e colocando em promoção, já que não trabalha com estoque e 80% das peças são por encomenda. “Um dia desses, um casal de clientes que mora no estrangeiro veio de férias a Florianópolis e fez questão de pegar as alianças encomendadas pessoalmente só para conhecer a gente e o ateliê”, revela entusiasmada a proprietária.

A marca Liê faz parte de um projeto de vida familiar que visa à qualidade de vida do casal, que quer viver em harmonia com o crescimento orgânico da empresa e ter tempo para cuidar do filho Kai, e por isso tem sido fonte de inspiração para muitas pessoas. Pensando nisso, neste ano o ateliê oferecerá workshops para pessoas inexperientes que não queiram especificamente se formar ourives, mas que apenas desejam saber criar a sua própria joia.

Mariana se inspira em ícones da joalheria francesa e britânica. Gosta de criar com esmeraldas, diamantes e opala - Flávio Tin/ND
Mariana se inspira em ícones da joalheria francesa e britânica. Gosta de criar com esmeraldas, diamantes e opala – Flávio Tin/ND


No caminho das pedras

A catarinense e designer de joias Mariana Pelegrini, de 31 anos, vem de uma família que há 45 anos está no mercado de ótica e joalheria no Estado. “A maioria dos meus parentes mais próximos foi para o lado da ótica, mas desde adolescente eu já sabia que queria trabalhar com joias, pois sou apaixonada por pedras preciosas, adorava ver meu pai na oficina de joias derretendo ouro, fazendo liga e soldas para criar as alianças”, revela a empresária. Ela conta que inicialmente os seus pais não concordaram muito com a sua decisão precoce, mas foi uma questão de tempo para ela mostrar a todos a sua obstinação por querer empreender no ramo de joias.

Durante dois anos, Mariana fez em Porto Alegre o curso de Design de Joias, e lá ela aprendeu sobre a história da joalheria, sobre ourivesaria, ficou sabendo como realizar a purificação do ouro e teve acesso aos estudos de gemologia. Para ampliar o seu estudo sobre pedras preciosas, seguiu para São Paulo com o objetivo de realizar um curso teórico no IBGM e aprofundar o seu conhecimento a respeito da composição de cada uma delas. Mas foi em Nova York, no Gemological Institute of America (GIA), maior laboratório de gemologia do país, onde ela recebeu o certificado como especialista na área de pedras preciosas. “Sou apaixonada por esmeralda, diamantes e opala, e me inspiram muito as joias francesas da Cartier e da britânica Graff”, revela Mariana.

Mariana Pelegrini já teve o escritório dentro de uma joalheria e ótica, e agora desbrava em carreira solo na sua recém-inaugurada loja no Beiramar Shopping, em novembro do ano passado. “Apesar de a minha família ser do ramo, dedico muito tempo, muito dinheiro e diariamente trabalho incansavelmente para o meu negócio dar certo”, revela a proprietária.

Com 20.500 seguidores em rede social, a maioria de suas vendas ainda é online, no boca a boca, uma cliente vai indicando a outra, e o público varia de mulheres entre 25 e 50 anos de vários estados brasileiros. “Gosto de peças estilosas que deixem a mulher bonita e feminina”, pontua a empresária. Atualmente, as suas joias também estão presentes na loja Mares & Guia, no Jardins, em São Paulo.

Otimista com a expansão do mercado brasileiro de joias, Mariana declara: “O Brasil tem uma das maiores diversidades e qualidade de pedras preciosas do mundo. O governo precisa incentivar esse mercado, pois senão acabamos enviando a nossa riqueza para o exterior, que está retornando em forma de joias importadas para nós mesmos”.

Fabi Jorge traz referências às suas joias de suas viagens e de sua busca. Para os clientes, também leva em conta a história pessoal - Divulgação/ND
Fabi Jorge traz referências às suas joias de suas viagens e de sua busca. Para os clientes, também leva em conta a história pessoal – Divulgação/ND

Um laboratório de criação

A porto-alegrense Fabi Jorge, de 44 anos, desenvolve joias desde criança, quando entrava no laboratório dos seus pais dentistas para criar peças para as amigas. “Os instrumentos de trabalho dos dentistas são muito parecidos com as de um artista, eles servem para cortar, soldar e lapidar, por isso, quando meu pai faleceu, eu e minha irmã, que é escultora, compartilhamos os instrumentos que eles utilizavam para fazer prótese dentária”, relata Fabi Jorge.

Mas até se tornar designer de joias, foi uma longa jornada de diferentes aprendizados e grandes descobertas pessoais. Ainda jovem e prestes a finalizar o curso de Psicologia, embarcou para os Estados Unidos a fim de aprender inglês e, na volta, fez faculdade de Administração, de Moda e, por último, de Designer de Joias, e a partir desses cursos, segundo ela, pôde unir todos os aprendizados de que necessitava para o ramo.

“Eu tenho amor de verdade é pela joalheria, mas ela tem que trazer consigo um significado profundo. Quando desenvolvo uma peça para uma pessoa ou para um casal, essa peça precisa imprimir parte da história deles, eternizar aquele momento”, destaca Fabi. Cada coleção criada por ela tem um significado: o colar de pedras preciosas intitulado “Chakra”, por exemplo, foi inspirado na sua prática do yoga, os punhais de ouro tiveram inspiração na leitura do livro “As bruxas de Avalon”, que, segundo ela, são seres que representam “mulheres fortes, guerreiras e feiticeiras, e principalmente a liberdade de cada uma ser quem é”.

As suas viagens pelo mundo também são grandes fontes de inspiração. Em sua última viagem ao sul da África, Fabi desenvolveu braceleiras de ouro com o formato de leopardo, animal muito comum na região. Atualmente, Fabi Jorge possui vitrine das suas joias no Hotel Campo Bahia Boutique, em Santa Cruz de Cabrália, na Bahia, e em São Paulo, no L´Hotel. Além disso, participou de vários editorais de moda nas revistas Vogue, Elle, Glamour e Le Oficiale. Ao longo dos dez anos da sua marca de joias, Fabi Jorge faz do mundo o seu quintal de casa e já expôs as suas peças em grandes eventos em que circularam importantes marchands do ramo de joias em Dubai, Nova York e até no Museu do Louvre, em Paris.

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