#8M: Acolhimento, debate e luta por igualdade marcam movimento de mulheres em SC

Elas se reuniram no Centro de Florianópolis e dialogaram sobre igualdade, respeito, conscientização e reconhecimento das violências ainda tão naturalizadas na sociedade brasileira

Quem circulou entre o Ticen e o Mercado Público nesta sexta-feira, 8 de março, no Centro de Florianópolis, não passou despercebido pela movimentação de mulheres em meio às tendas montadas no canteiro central da Avenida Paulo Fontes. Muitas mulheres foram atraídas pelo ambiente acolhedor e tomaram assento para ouvir os debates, tirar dúvidas e interagir.

Marcha das mulheres encerrou #8M em Florianópolis – Flávio Tin/NDMarcha das mulheres encerrou #8M em Florianópolis – Flávio Tin/ND

O #8Marielle organizado por ativistas catarinenses uniu coro à Greve Internacional de Mulheres neste Dia Internacional da Mulher. Não por acaso, Marielle Franco – vereadora assassinada há um ano no Rio de Janeiro – foi uma das homenageadas no ato. O movimento representa a luta por respeito, igualdade de gênero, representatividade política e combate à violência.

Levantamento feito pelo Notícias do Dia com base em dados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina no mês passado, deu conta de que os assassinatos consumados e tentados de mulheres em Santa Catarina cresceram 316,7% nos últimos quatro anos (de 60 casos em 2015 para 250 em 2018).

Além disso, o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, pesquisa realizada pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), revelou que SC é o segundo estado da federação com a maior taxa de violência doméstica (368,1 por 100 mil habitantes), ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul (398,0 por 100 mil habitantes). Por isso, a realidade perigosa e violenta para as mulheres é uma das bandeiras de luta do movimento neste 8 de março.

Pocket show fez parte de evento que atraiu cerca de cinco mil pessoas ao longo dia – Flávio Tin/NDPocket show fez parte de evento que atraiu cerca de cinco mil pessoas ao longo dia – Flávio Tin/ND

Desde o início da manhã até o final da tarde, foram realizadas rodas de conversa e diálogos nas oito tendas temáticas. As mulheres tiveram a oportunidade de falar abertamente sobre temas como aborto, violência, representatividade negra, violência obstétrica, encarceramento, direitos trabalhistas e previdenciários. A organização estima que cerca de cinco mil pessoas circularam pelo evento nesta sexta-feira.

A sensação de abafamento com temperatura que ultrapassou os 30ºC não impediu que as pessoas tirassem um tempinho para se unir ao grupo. Pensando no bem estar de quem se interessou pelo debate, as organizadoras distribuíram água e leque descartável.

#8Marielle no Centro de Florianópolis – Flávio Tin/ND#8Marielle no Centro de Florianópolis – Flávio Tin/ND

No final da tarde, as mulheres saíram em marcha pelas ruas do Centro. O mesmo ocorreu em pelo menos 34 cidades brasileiras e em mais de 40 países. No Brasil, os protestos também são pautados por críticas a medidas de governo, como a reforma da Previdência.

Vinte e quatro lideranças feministas de diferentes países assinaram um manifesto contra a opressão e a violência. O documento “Para além do 8 de março: rumo a uma Internacional Feminista”, publicado nessa semana, destaca a necessidade de “convocar reuniões internacionais e assembleias” para dar continuidade ao debate com o intuito de frear as violações de direitos sob a perspectiva de gênero. Até as 20h desta sexta, mais de cinco mil mulheres haviam assinado o manifesto pela construção de uma articulação internacional feminista.

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