Economia doméstica: Saiba como organizar a vida financeira e evitar dívidas

No Dia Nacional do Economista Doméstico, especialista revela as melhores formas de se educar financeiramente e obter 30% de economia no orçamento

Economizar pode não ser uma tarefa fácil. O auxílio de um economista doméstico é fundamental para quem deseja se educar financeiramente e precisa de um “empurrãozinho” para isso.

Nesta segunda-feira (21), é celebrado o Dia Nacional do Economista Doméstico. Em 1985, neste mesmo dia, foi publicada a Lei 7.387 que dispôs sobre a profissão, regulamentada no ano seguinte.

Segundo pesquisa nacional, em maio, 63,4% das famílias brasileiras se encontravam endividadas – Foto: Arquivo/EBC/ND

A PEIC (Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) mostrou que em maio de 2019, 63,4% das famílias brasileiras se encontravam endividadas.

As dívidas resultam de cheques pré-datados, cartão de crédito, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. A pesquisa apontou, ainda, que 9,5% dessas famílias não terão condições de pagar as dívidas.

Em entrevista ao ND+, a educadora e consultora financeira Ana Oliveira, diz que os dados indicados pela pesquisa mostram que o tema “educação financeira” merece mais atenção.

Para Ana, o assunto tem se fortalecido no Brasil e a solução para o alto índice de endividamento e inadimplência virá através da educação financeira das famílias.

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A educadora explica que é cientificamente comprovado a possibilidade de economizar, no mínimo, 30% do orçamento doméstico.

“Essa economia acontece a partir do momento que descobrimos para onde está indo o dinheiro”, ressalta.

Para Ana, a economia parte de um diagnóstico assertivo dos gastos dentro do orçamento do indivíduo ou da família.

“A ideia é que, durante 30 dias, a pessoa anote todos os gastos do dia. Seja a compra do pãozinho na padaria, doações ou gastos com os filhos. Tudo deve ser registrado no momento da compra. Não adianta só guardar o cupom e revisar depois”, completou a especialista.

Gastos do dia a dia

Ana Oliveira conta que as pessoas acabam se perdendo nas pequenas despesas do dia a dia, que costumam ficar esquecidas. Com o registro diário, no final do mês, vem a surpresa: gastos altos com supermercado, padaria, TV a cabo. Com esses registros é possível tomar decisões em cima de dados reais.

A especialista sugere que as pessoas fiquem atentas aos gastos provenientes de serviços.

“As pessoas não sabem quanto pagam de tarifa bancária. Chegam a pagar R$50, R$60 só de tarifas extras, fora o pacote de serviços. Será que você usa mesmo todo o pacote que te cobram na mensalidade do celular, por exemplo?”, ponderou.

“Ligue para renegociar, pedir um desconto. A mesma coisa com a TV a cabo. Todos os serviços de casa podem ser revisados”, aconselhou a educadora financeira.

Educadora financeira sugere a revisão dos gastos relacionados a serviços – Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/ND

Esse tipo de atitude pode render 30% de economia no orçamento e, conforme Ana, é difícil encontrar um investimento que proporcione tamanha rentabilidade. Para ela, economizar ainda é a melhor forma de investir.

Diálogo leva à economia

Segundo Ana, falar sobre dinheiro ainda é tabu no âmbito familiar. No entanto, ela diz que é saudável que a família saiba quanto cada um ganha, quanto cada um pode contribuir e converse sobre isso. Para ela, o diálogo, com respeito, é essencial.

“Hoje, dinheiro é o motivo da separação de 46% das famílias. A falta de diálogo ocasiona infidelidade financeira. Esconder quanto se ganha, para onde o dinheiro está indo. A união e a confiança dentro de um relacionamento passa pela questão financeira”, completa.

Qualquer um pode economizar

Ana comenta que as pessoas podem começar a economizar e controlar os gastos já a partir do primeiro salário, independente da renda. Segundo ela, mais do que valores, a economia está relacionada ao comportamento do indivíduo.

“Se eu não organizo R$ 100, eu não organizo R$ 100 mil. As pessoas cometem um equívoco ao pensar que se deve ficar esperando ter dinheiro e uma alta renda para se organizar. A economia financeira é comportamental, não importa a quantidade de dinheiro que você tem”, explica.

A tecnologia pode auxiliar na educação financeira, porém, de acordo com a educadora, nada se compara ao bom e velho caderninho e às anotações a mão.

“Existem aplicativos no celular que ajudam na organização, mas você acaba fazendo outras coisas ao mesmo tempo. Respondendo mensagens, navegando nas redes sociais e isso distrai. A anotação no caderninho é um exercício para que, durante os 30 dias, você tenha foco e observe o seu consumo”, recomenda.

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