Medo e risco aumentam para moradores no Morro das Pedras em Florianópolis

Moradores da rua Manoel Pedro Vieira temem que suas casas sejam levadas pelo mar; após decisão favorável na Justiça, eles têm reunião marcada com a Prefeitura

No Morro das Pedras, Sul da Ilha, a empresária Cinthia Sens gastou mais de R$ 20 mil em areia, geobags, madeira, paliçadas e mão de obra para evitar que sua casa seja engolida pelo mar. Moradora da rua Manoel Pedro Vieira, ela é uma das pessoas que teme perder o imóvel em função do avanço do mar, problema que se agrava desde o dia 10 de maio.

Situação piora e aumenta risco para moradores no Morro das PedrasTrincheira com geobags de areia aumenta a proteção das casas sob risco no Morro das Pedras – Foto: Leo Munhoz/ND

“É uma conta infinita, porque toda noite o mar sobe, bate, leva tudo e, no dia seguinte, temos que refazer. O pessoal está exausto, trabalhando desde que isso começou, sem descanso”, relata Cinthia.

Na terça-feira (8), cerca de 20 homens trabalhavam no local, de manhã e à tarde, alimentando os geobags de contenção com areia. Segundo um morador que preferiu não se identificar, a areia é particular e 12 caminhões já foram comprados, somente pela família dele, para resolver ou amenizar a situação.

Trincheira de geobags no Morro das PedrasMoradores acumulam gastos com a situação e trabalho de encher geobags de areia é feito diariamente – Foto: Leo Munhoz/ND

Ele também disse que a prefeitura está fazendo o transporte da areia, mas o custo é dos moradores. Também estão pagando os peões para fazer o serviço e alimentar a trincheira de geobags. Os homens cumpriam o serviço quando a chuva dava trégua. Quando voltava a chover, o serviço tinha que parar.

Morro das Pedras exige atenção diária da Defesa Civil

A Defesa Civil de Florianópolis monitora a situação no Morro das Pedras diariamente, desde abril. Embora o órgão recomende que as pessoas evitem a área, três surfistas não acataram o pedido na tarde da última terça-feira (8).

O gerente de operações da Defesa Civil de Florianópolis, Alexandre Vieira, conta que 14 propriedades foram atingidas e 11 estão interditadas. Foram sete interdições em 14 de maio, duas em 21 de maio e outras duas na última quarta-feira (2).

A previsão de chuva e mar agitado da última terça se confirmou, mantendo os moradores em alerta. Com todos os avisos de que a situação tende a piorar, eles não estão parados, esperando o pior acontecer. Além das medidas de contenção, estão na Justiça.

Erosões no Morro das PedrasÁrvores, postes, muros e deques das casas foram levados pela maré alta no Morro das Pedras – Foto: Leo Munhoz/ND

No sábado (5), a Justiça adotou decisão favorável aos pleitos dos moradores. O desembargador federal Rogerio Favreto, do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), analisou um recurso do morador Alberto Bino e permitiu a adoção de novas medidas emergenciais para preservar as moradias na região.

Moradores conseguem reunião com prefeitura

Depois da decisão judicial, os moradores em risco no Morro das Pedras também conseguiram uma reunião com representantes da prefeitura. O encontro está agendado para a próxima quinta-feira (10), às 17h.

Participam os moradores, seus advogados, a presidente da Associação Comunitária do Morro das Pedras, Michele Costa da Silva, e o Procurador-Geral do Município de Florianópolis, Rafael Poletto. O objetivo é discutir medidas para resolver a situação.

Aviso da prefeitura de Florianópolis no Morro das PedrasPlaca da Prefeitura de Florianópolis recomenda que ninguém circule no local, mesmo assim, alguns surfistas continuam se arriscando no Morro das Pedras – Foto: Leo Munhoz/ND

“Estamos confiantes que, talvez nessa reunião, a gente consiga definitivamente estancar o problema”, conta Cinthia. Segundo ela, dois vereadores visitaram o local, na terça-feira, além do vice-prefeito de Florianópolis, Topázio Silveira Neto. No mesmo dia, os moradores foram à Câmara pedir apoio.

Para os moradores da rua Manoel Pedro Vieira a única medida definitiva plausível é o enrocamento, ou seja, a colocação de pedras na área atingida, que aumentou para 550m nesta semana. Inicialmente, eram 200m.

“Estamos no aguardo de que essa medida seja tomada. Nem abrimos a possibilidade da colocação de paliçadas, porque isso não tem nem como ser efetivado emergencialmente e seria paliativo. Nós, moradores, esperamos uma medida definitiva”, afirma Cinthia.

Informados de que o mar pode ter ondas de até 2,5m nos próximos dias, o que agrava mais a erosão marítima, os moradores aguardam apreensivos a reunião da próxima quinta-feira.

“Pedimos a Deus que nos guarde até lá e que dê tempo dessas medidas serem tomadas, antes que as nossas casas caiam no mar”. Este é o desejo de Cinthia e de todos expostos ao risco no Morro das Pedras.

Mar agitado no Morro das Pedras na terça-feira (8)Mar agitado na terça-feira (8) e expectativa de ondas de 2,5m, com picos de 3m entre quarta (9) e quinta (10) – Foto: Leo Munhoz/ND

A Defesa Civil emitiu alerta de mar agitado e risco de ressaca entre quarta-feira (9) e quinta-feira (10). Há risco de ressaca entre o Litoral Sul e a Grande Florianópolis.

Entenda o caso

  • Desde 3 de abril, a Defesa Civil de Florianópolis começou a monitorar a orla da praia do Morro das Pedras, no Sul da Ilha;
  • Em 10 de maio, por conta da ressaca do mar, começaram as erosões e quedas de árvores, muros, postes e deques das casas;
  • No dia 14 de maio, a Defesa Civil de Florianópolis fez sete interdições no local;
  • Em 21 de maio, mais duas interdições;
  • No dia 24 de maio, por volta das 15h, os moradores fizeram uma manifestação para chamar atenção das autoridades. Eles fecharam a rodovia Francisco T. dos Santos, no Morro das Pedras, exigindo medidas urgentes e alegando ameaça em suas casas pela ressaca do mar;
  • No dia seguinte houve nova manifestação. Os moradores bloquearam um trecho da SC-406, em Florianópolis; A manifestação foi acompanhada pela PMRv;
  • Tentando soluções do poder público, os moradores foram à Justiça, porém, no dia 31 de maio, sofreram um revés. O juiz Marcelo Krás Borges negou liminar que solicitava permissão para utilizar rochas e outras medidas de emergência para conter o avanço do mar;
  • Em 2 de junho, mais duas interdições no local, totalizando 11. Do total de interdições, três são em residências;
  • No último sábado (5) o desembargador federal Rogerio Favreto, do TRF-4, analisou o recurso do morador Alberto Bino e permitiu a adoção de novas medidas emergenciais para conter o avanço do mar e preservar as moradias na região.

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