Passarela da Cidadania atende 200 pessoas em situação de rua em Florianópolis

Prefeitura da Capital também monitora essa população com sintomas do novo coronavírus, que fará quarentena em hotel cedido ao município

Na Passarela da Cidadania, são oferecidas 200 refeições por período do dia, além de vagas para pernoite – PMF/Divulgação/ND

No período de quarentena, que já se estende por 12 dias em Florianópolis para o enfrentamento do novo coronavírus, com o comércio, escolas e serviços considerados não essenciais fechados, as pessoas em situação de rua ficaram sem o convívio e auxílio de muita gente com quem costumavam contar para suprir suas necessidades no dia a dia, principalmente o público que costumava frequentar as lojas e o Mercado Público no Centro da Capital.

As ruas vazias destacam essa parcela da população, que, sem teto, ficam expostas ao vírus. Para acolher quem vive nas vias da cidade, a rede Solidária Somar Floripa, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, a Secretaria de Assistência Social, e o grupo Rede com a Rua, que reúne diversas entidades da sociedade civil, uniram esforços para reforçar o atendimento na Passarela da Cidadania, um abrigo que funciona o ano todo na Capital. O espaço foi ampliado para receber mais pessoas e, além da equipe que já trabalha no local, voluntários também têm ajudado nessa verdadeira força-tarefa.

“As medidas são de combate ao vírus e prevenção. Cuidar da saúde dessa parcela da população é olhar também por toda a nossa cidade. Estamos tomando as precauções para evitar que o coronavírus se dissemine e para que as pessoas que estão em situação de rua e os profissionais que fazem esse atendimento sejam preservados”, afirma o prefeito de Florianópolis.

Na passarela, o espaço foi ampliado e novos banheiros foram instalados para atender a demanda. Também foram disponibilizados novos chuveiros e foi criada uma campanha para doação de colchões para garantir atendimento cada vez mais qualificado.

Samara* (nome fictício), 26, vive em situação de rua há oito meses, conta que costuma frequentar a Passarela da Cidadania e diz que “é um alívio” ter essa opção durante esses dias. “Já fui muitas vezes lá onde a prefeitura nos atende e sempre fui muito bem recebida. Eu estou com muito medo desse vírus que anda por aí, não entendo muito bem o que é, mas já me falaram que é perigoso. Até porque a gente não come direito, muitas vezes não dorme. Vim parar na rua, mas não quero ficar aqui para sempre. Estou me preparando para voltar a ter uma vida normal. Ainda estou lutando para conseguir. Enquanto isso, lá na passarela, me sinto mais protegida, tem comida, colchão, tudo o que precisa para a gente ver se consegue ficar bem de saúde para enfrentar esses tempos. Também acho que lá vão me ajudar a conseguir um trabalho e sair dessa situação. Eu vou lá procurar ajuda”, conta.

Trabalho realizado pelo município no espaço é realizado sempre de acordo com as recomendações da Vigilância Sanitária, relacionadas ao distanciamento social e à higienização – PMF/Divulgação/ND

Monitoramento das pessoas com sintomas

A Prefeitura da Capital também monitora, no momento, as pessoas em situação de rua com sintomas de Covid-19 para que façam a devida quarentena isolados em um hotel que foi cedido à administração municipal – o poder público vai arcar com as despesas referentes às refeições e aos serviços de limpeza.

De acordo com o município, essa análise das condições de saúde será conduzida por profissionais de saúde dos consultórios de rua sob orientação da Vigilância Epidemiológica. Os demais indivíduos atendidos pelas equipes da prefeitura continuarão recebendo três refeições, orientações para banho e questões de saúde, roupas e corte de cabelo. A medida será para separar os possíveis casos das pessoas saudáveis, resguardando a saúde dos profissionais, servidores, voluntários e coletivos da sociedade civil que estão atuando no espaço.

Em média, o espaço tem oferecido 200 refeições por período do dia, além de vagas para pernoite, sempre de acordo com as recomendações da Vigilância Sanitária, relacionadas ao distanciamento social e à higienização. “A gente já trabalha assim o ano inteiro, e não poderíamos deixar de oferecer atendimento digno a essa população”, destaca a secretária de Assistência Social de Florianópolis.

Abrigo aceita doações de colchões novos

Com o espaço ampliado na Passarela da Cidadania como parte das medidas para conter a disseminação do Covid-19, surgiu a necessidade de mais colchões. Empresas da cidade já doaram parte destes produtos, mas a iniciativa continua aberta. É importante ressaltar que, devido às restrições de saúde, só podem ser aceitos colchões novos. Quem quiser contribuir para a compra destas unidades pode acessar este link: https://www.koerich.com.br/ajudefloripa.

A prefeitura ressalta que todas as ações são feitas respeitando o distanciamento exigido pelo decreto, bem como distribuição de álcool gel e banheiros extras para lavar as mãos e fazer a higienização. O município também fornece alimentos e álcool gel para todas as pessoas em situação de rua que precisam de acolhimento.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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Prefeitura de Florianópolis