“Quero me sentir à vontade e seguro onde moro”, diz vítima de homofobia em Joinville

Felipe Alves recebeu um bilhete sem identificação debaixo da porta pedindo respeito só porque ele estava de mãos dadas com o namorado

O maquiador Felipe Alves, de 26 anos, morador de Joinville, fez um desabafo após sofrer um ato homofóbico.

“Se tem uma coisa que a gente não quer sofrer é preconceito dentro da nossa própria casa”, diz ele, que recebeu um bilhete de um vizinho pedindo respeito, apenas porque este vizinho o viu de mãos dadas com o namorado no estacionamento do condomínio.

Felipe Alves e o namorado Diógenes Renan – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação ND

“Olá vizinho. O Condomínio Piratuba é um local de família. Respeitamos todas as pessoas e não nos importamos com o que cada um faz dentro de sua casa. Mas essa semana eu tive que explicar pro meu filho pequeno o porquê de dois homens de mãos dadas andando pelo estacionamento. Respeito por favor”, diz o bilhete escrito à caneta em uma folha de caderno. O remetente não se identificou.

Felipe mora no Condomínio Piratuba, no bairro Iririú, zona Leste da cidade, há cerca de um mês. Na última sexta-feira (11), ao acordar, viu que tinha um bilhete debaixo de sua porta.

“No momento, fiquei triste com a situação, mas guardei para mim. Depois de alguns dias, resolvi expor num grupo de whatsApp do meu bloco e recebi mensagens de apoio”, conta.

O que Felipe quer, na verdade, é a chance de poder ajudar esse morador a explicar para o seu filho o que é diversidade, que existem casais do mesmo sexo e que isso é, ou deveria ser, absolutamente normal.

“Eu e meu namorado não estávamos fazendo nada demais. Estávamos de mãos dadas. As pessoas precisam se colocar no nosso lugar e entender que não escolhemos ser assim. Um pouco de empatia e mais respeito, por favor”, clama Felipe.

O maquiador, que é proprietário de uma barbearia na cidade voltada ao público LGBT e mulheres com cabelos curtos, faz questão de dizer que tem muito orgulho de quem é e do que conquistou até aqui.

Felipe irá escrever e imprimir cartilha para distribuir aos moradores

“Crescemos sofrendo preconceito. Nós, LGBTs, temos de nos esforçar muito mais para conseguir reconhecimento, oportunidades e até respeito familiar. Isso precisa mudar”, continua Felipe, que agora vai produzir e lançar uma cartilha explicando sobre diversidade de forma bem didática. A intenção é distribuí-la no condomínio onde mora, que conta com nove blocos e aproximadamente 150 famílias.

Felipe vai arcar com os custos do material e sua intenção é realmente conscientizar as pessoas. Ele não pretende registrar boletim de ocorrência.

“Pelo menos no lugar onde eu moro, quero me sentir à vontade, seguro, sem precisar me esconder”, conclui o morador.

O síndico do condomínio lamentou o ocorrido e encaminhou uma circular para todos os moradores informando que não compactua com esse tipo de atitude preconceituosa.

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