Amante da fotografia, Maria Lucila Horn é uma das idealizadoras do Floripa na Foto

A carreira da artista visual e educadora que começou na pintura é hoje multidisciplinar

Daniel Queiroz/ND

Maria Lucila Horn trabalha para colocar Florianópolis e Santa Catarina no mapa da fotografia

A carreira que iniciou ainda na década de 1980 voltada para a pintura não foi o bastante para satisfazer a alma artística de Maria Lucila Horn. Atualmente uma das coordenadoras do “Floripa na Foto”, mais expressivo evento voltado para a fotografia no Estado, que começa no próximo dia 27, ela tornou multidisciplinar a sua trajetória no mundo das artes. Há alguns anos já vive da união de duas de suas grandes paixões dentro da área: a educação e a fotografia.

A rotina dentro do ateliê, pintando e dando aulas particulares, foi ficando de lado tão logo Lucila se aproximou da linguagem fotográfica e começou a estudá-la, uma prática que, segundo ela, acaba sendo viciante. Há cerca de 10 anos, quando conheceu a sócia Lu Renata, artista visual com a carreira já voltada para a foto, passaram a produzir juntas cursos e palestras para profissionais do ramo.

Os primeiros workshops trazidos à cidade pela dupla ainda levavam seus nomes de pessoa física, mas a necessidade de criar uma marca para seus eventos logo deu lugar a Duo, produtora de artes comandada por elas até hoje e que Lucila divide com as aulas ministradas no Centro de Artes da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Depois de anos trazendo grandes nomes da fotografia e do audiovisual, inicialmente com inscrições pagas e mais tarde gratuitas, graças à participação em editais, uma ideia ousada passou a fazer parte do cérebro da empresa. O projeto que unia workshops, exposições fotográficas democráticas e um importante encontro entre profissionais e amadores ganhou o nome de “Floripa na Foto”, foi aprovado pelo edital Elisabete Anderle em 2009 e no ano seguinte se tornou realidade, movendo diretamente em torno de mil amantes da fotografia.

Nesta semana o festival ganha sua terceira edição e é um dos maiores orgulhos da carreira de Lucila. Segundo ela, o modo como Santa Catarina é esquecida pelo resto país quando assunto é fotografia é o que move toda a sua dedicação no “Floripa na Foto”, que este ano se ergue sem nenhum apoio financeiro. Afinal, dentre tudo o que aprendeu ao longo de tantos anos envolvida com a arte, uma coisa é certa: “Não dá para ficar refém do dinheiro público”.

A arte dos outros

Apesar de tanto trabalho, hoje Lucila ainda consegue encontrar tempo para fotografar, desenhar e pintar a sua própria arte, em casa, sem divulgar para ninguém.  “É complicado mostrar a minha arte sendo produtora e professora. Não existe esse entendimento de que o produtor também pode expor”, explica. Sem a pretensão de um dia tornar o público o que tem feito, a liberdade dá o tom de sua produção artística, que envolve a reflexão sobre a fotografia, deixando de lado o documental para dar prioridade aos detalhes. 

A última exposição com obras de sua autoria ela já nem lembra mais quando foi, e no momento não sente a menor necessidade de outra. “Promover exposições e dar aulas também é produzir arte”, garante.

Sua prioridade agora é abrir espaço para exibir o trabalho dos outros, tudo isso para tentar colocar Florianópolis e Santa Catarina no mapa da fotografia, tornar o trabalho feito aqui relevante nacional e internacionalmente e trazer referências aos fotógrafos do Estado. Quando questionada sobre qual teria sido momento mais importante de sua carreira, a resposta é rápida e legítima: “É agora. Estou investindo em mim, na fotografia e na cidade”.

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Floripa na Foto

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