Casais catarinenses encaram o dia dos namorados ainda mais juntos, unidos pela pandemia

Com a distância obrigatória por questões de saúde, o amor acabou virando quase um sinônimo de saudade em tempos do novo coronavírus

Com a chegada de mais um Dia dos Namorados, casais devem viver nesta sexta-feira, 12 de junho, uma data um tanto quanto diferente, devido a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Com a distância obrigatória por questões de saúde, o amor acabou virando quase um sinônimo de saudade.

O “olho no olho” acaba sendo apenas por chamadas de vídeo pelo computador ou smartphone. Para quebrar a distância, a solução que muitos casais encontraram durante a pandemia foi “juntar as escovas de dente”.

Risadas e boas conversas não faltam na rotina do casal Pedro e Juliana – Foto: Anderson Coelho/NDRisadas e boas conversas não faltam na rotina do casal Pedro e Juliana – Foto: Anderson Coelho/ND

É o caso da Juliana Lima, de 36 anos, e do Pedro Rodriguez, de 32, moradores de Florianópolis. “Quando me dei conta, ele [Pedro] já tinha uma escova de dentes na gaveta do meu banheiro [risos]”, conta a namorada.

História de aplicativo

O casal se conheceu por um dos tantos e já famosos aplicativos de relacionamento, em agosto de 2019. “A gente conversava de vez em quando, até que um dia rolou a ‘cerveja despretensiosa’ em um bar que ele gosta”, relata Juliana.

As “conversas legais” e idas ao bar passaram ao cinema, jantar em casa e vinho. “Passamos a nos ver com frequência. Minhas idas à praia com meus amigos começaram a incluir ele”, conta.

Juliana diz que não levava a sério essa “história de app de relacionamento”. “Ele me disse: se eu sou uma pessoa legal e estou lá, então tem gente legal lá também [risos]”, diz Juliana.

O casal assumiu o namoro no dia 25 de abril. A quarentena, acabou sendo fator determinante para uma maior aproximação. Para os dois, o Dia dos Namorados será de conversas, risadas e sobretudo, boa companhia.

“Ele fica na minha casa mais tempo do que na dele. Fazemos compras juntos. Além disso somos uma companhia um para o outro no dia-a-dia dessa quarentena que nos afastou dos amigos, das aglomerações e dos programas que não podemos fazer no momento”.

Casal tem “crush” de anos

A moradora de Florianópolis, Alexandra Maryama, de 33 anos, traz o interesse no namorado, Marco Santos Souza, 33, desde a época da escola. Apesar de estudarem em turmas diferentes em um colégio do Centro de Florianópolis, a servidora pública conta que sempre esteve de olho no rapaz. “Ele era meu crush [risos]”, afirma.

Casal está junto há um ano e seis meses – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDCasal está junto há um ano e seis meses – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Apesar disso, na época em que ambos estavam no ensino médio, no início dos anos 2000, a situação não teve novidades por um bom tempo. Tudo mudou depois que os dois se encontraram em uma academia da Capital, 14 anos depois, em 2018.

A pandemia acelerou o processo

“Eu lembrava dele, mas ele não lembrava de mim”, conta Alexandra. O casal começou a conversar, se relacionar e em novembro de 2018 começou a namorar.

A pandemia do novo coronavírus  acabou aproximando ainda mais o casal, que passou a morar junto, no Centro de Florianópolis, há cerca de dois meses.

“Antes da pandemia, a gente já estava num processo para morarmos juntos. O Marco já estava dormindo mais do que o final de semana aqui em casa”, conta Maryama. “A pandemia só acelerou o processo para juntarmos as nossas trouxas”, completa.

A servidora avalia como positiva a nova experiência. “Não foi difícil [a adaptação]. Foi uma descoberta. Aprendemos a notar as manias da cada um e fomos nos adaptando”, relata.

Juntos há um ano e seis meses, o casal se prepara para celebrar o segundo Dia dos Namorados juntos, o primeiro juntos. “Está dando tudo muito certo, sempre um ajuda o outro, será especial”, comemora.

“Vamos continuar morando juntos depois da pandemia”

“Aqui não é test drive não, o negócio é pra valer. Vamos continuar morando juntos após a pandemia até ficarmos velhinhos em uma varanda de frente para o mar”, define.

O que começou há cerca de dois meses, não parece ter tempo para terminar e a cumplicidade entre o casal fica evidente em uma conversa rápida sobre gostos, rotina e convivência.

Juntos há um ano e meio, Heloísa e Franco dividem o dia-a-dia há cerca de três meses – Foto: Arquivo Pessoal/DivulgaçãoJuntos há um ano e meio, Heloísa e Franco dividem o dia-a-dia há cerca de três meses – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

A jornalista Heloísa Jahn, de 26 anos e o designer Franco Giovanella, de 36 namoram há um ano e seis meses, mas desde março dividem o mesmo teto entre folhas, lápis, giz, tintas, fotos, plantas e muito papel.

Este será o primeiro Dia dos Namorados sob o mesmo teto. Os planos para morarem juntos já estavam sendo feitos, mas a pandemia acabou facilitando as coisas.

Ele, que é de Jaraguá do Sul, já morava sozinho e os dois se mudaram para um apartamento maior no começo da pandemia. Eles nem chegaram a fazer quarentena um do outro e a mudança culminou com o início do isolamento social e da primeira fase de home office.

Troca de declarações

“Ficamos umas duas semanas trabalhando juntos. Como o Franco trabalha em casa, não teve muita alteração pra ele, mas eu fiquei trabalhando de casa. Então, acabou sendo bem gostoso porque as nossas primeiras semanas, nossos primeiros momentos foram juntos, dividindo tudo. Foi bom para o relacionamento esse tempinho juntos”, lembra.

A convivência muda, mas o casal não tem tido dificuldade e a adaptação foi leve e natural. “Eu acho que desde que a gente se descobriu, se encontrou, rolou algo muito bom, intenso. Sempre tivemos essa conexão muito forte. Agora, eu só reforcei o que eu já sabia de um cara maravilhoso, que sempre me apoia, me incentiva, me desafia a explorar os meus potenciais. Descobri um cara tão carinhoso que vai dormir mais cedo só porque eu vou. Todos os dias eu descubro algo lindo nesse menino”, descreve Heloísa, em tom de declaração.

As descobertas às vezes podem até surpreender. Franco sempre demonstrou ser bom cozinheiro, mas a jornalista tem provado que pode fazer frente ao companheiro na cozinha e, isso também mostra a conexão dos dois.

“Eu descobri que ela faz bolos muito gostosos e que gosta de cozinhar. Isso me deixa feliz porque a gente se aventura na cozinha. Descobri que tenho uma parceira para as aventuras na cozinha”, ele retribui.

Jornalista e designer se apoiam na cumplicidade e parceria para viver o momento delicado da pandemia – Foto: Arquivo PessoalJornalista e designer se apoiam na cumplicidade e parceria para viver o momento delicado da pandemia – Foto: Arquivo Pessoal

Designer, Franco tem a criatividade aflorada e, pela casa, os materiais se espalham. Canetas, papéis, lápis, giz, tinta. Com o tempo livre e o incentivo dele, Heloísa tem se aventurado pela área do companheiro e o olhar apaixonado dele também se estende para a arte dela. “Ela se mete a querer fazer as coisas também e eu acho bem bonitinho quando ela pega meus lápis e sai querendo desenhar. E faz coisas lindas”, garante.

A parceria dos dois tem sido o porto seguro de ambos para passar por esse momento delicado. “Tem sido bem importante saber que quando eu chego em casa, tenho alguém para trocar uma ideia, para desabafar, para analisar todas essas questões. Alguém que vai me dar suporte. Tem sido essa grande parceria”, conta a jornalista.

“Ninguém precisa estar o tempo todo colado, não é saudável. Nos damos o nosso espaço, mas temos descoberto coisas novas juntos e nos apoiado”, complementa Franco.

Dia dos Namorados dividindo a casa, o trabalho e os “filhos”

Já se passaram três anos desde que a parceria no trabalho entre Emerson Evarini, de 37 anos, e Mariana Nespolo Vomstein, de 25, se transformou e ultrapassou os muros da empresa.

Em mais de mil dias de namoro, muita coisa mudou e, enquanto o casal sequer pensava ainda em dar o passo de “juntar as trouxinhas”, uma pandemia fez com que as coisas acontecessem naturalmente, sem planos e mudanças organizadas.

Mariana e Emerson tem a família completa com Ragnar e Medusa – Foto: Arquivo PessoalMariana e Emerson tem a família completa com Ragnar e Medusa – Foto: Arquivo Pessoal

A sintonia entre os dois fica evidente no gosto musical – o rock predomina na casa –, nas preferências gastronômicas, no gosto pela cervejinha e no amor pelos animais.

A família aumentou recentemente com a chegada do segundo “filho”. Entre ligações de trabalho e a panela fervendo no meio do home office, o casal dá atenção para Medusa e Ragnar, os gatos da casa.

A engenheira conta que o supervisor de PCPM (Programação e Controle de Produção de Materiais) estava viajando a trabalho quando a pandemia chegou ao Brasil.

“A volta foi bastante complicada, voos sendo cancelados e tudo mais. Quando finalmente conseguiu retornar para Joinville, ficamos juntos sozinhos em casa por umas duas semanas”, explica.

Das duas semanas para os quase três meses foi um processo natural. A empresa continua em home office e, como Emerson morava sozinho e ficaria sozinho em casa, a mudança aconteceu naturalmente.

“Ele iria ficar sozinho no apartamento e eu peguei um período de férias. Resolvi ficar lá com ele e testar meus conhecimentos de dona de casa”, brinca.

“Não exigimos muito um do outro”

A convivência surpreendeu Mariana, que diz que, embora não imaginasse que moraria junto, “foi melhor do que eu imaginava”. “As coisas acontecem de forma natural, os dois fazem de tudo para manter a casa e é assim nos momentos para relaxar, esquecemos do resto do mundo e ficamos no sofá vendo algum seriado com os nossos gatinhos”, conta.

A engenheira diz ainda que, trabalhar em casa exige disciplina, mas o momento também tem feito com que os dois se conheçam mais, o que não parece estar sendo um problema.

“A interação entre nós é muito maior, estamos aprendendo bastante um com o outro, além de conseguir descobrir as preferências de cada um. E apesar de ficar o dia todo juntos, conseguimos manter o tempo próprio de cada um”, fala.

Esse é o primeiro Dia dos Namorados do casal, estando “sob o mesmo teto”. Ela brinca, dizendo ainda deu “azar” porque, além do dia dos namorados, o aniversário de Emerson é no dia seguinte, mas a sorte grande, garante Mariana, é a cumplicidade dos dois que, ela admite, não são exatamente um casal romântico.

“Descobrimos que não somos um casal muito romântico, e isso não é ruim. Os dois adoram brincadeiras bobas, estamos sempre rindo juntos, apesar de algumas manias serem um tanto quanto chatas, de ambas as partes. Mas nada que cause brigas entre nós. Isso que gostamos mais um no outro. Nossa convivência é pacífica, sem muitas implicâncias, nossas preferências são parecidas e não exigimos muito um do outro”, finaliza.

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