Documentário sobre Raul Seixas estreia nesta sexta em Florianópolis

Filme conta a trajetório da lenda do rock brasileiro

Reprodução/raulseixasofilme.com.br

Raul Seixas documentário O Início, o Fim e o Meio

Filme cobre desde a infância até o declínio do ídolo

Estreia nesta sexta-feira nos cinemas de Florianópolis o documentário “Raul: O início, o fim e o meio”, do diretor Walter Carvalho, que é uma costura eficiente entre a vida e a trajetória musical de Raul Seixas. A produção mostra desde a infância em Salvador, contada por amigos de Elvis Rock Clube, do qual Raul era o associado número nove, ao mergulho no alcoolismo que o levou à morte em 21 de agosto de 1989, aos 44 anos, passando pela criação da Sociedade Alternativa, inspirada nas pregações do bruxo inglês Aleister Crowley. 

Desde cedo, ainda na capital baiana, Raul quis conquistar seu espaço na música. Montou seu grupo – o Raulzito e Os Panteras – até que em meados dos anos 60 foi levado para o Rio de Janeiro por Jerry Adriani (que não está no documentário) para ser produtor na gravadora CBS. Mas na primeira oportunidade (na ausência do diretor da gravadora), entrou em estúdio para gravar e lançar o disco “Sociedade da Grã-Ordem Cavernista”, ao lado de Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star. 

Walter Carvalho (“Cazuza – O Tempo não Para”) construiu o documentário a partir de imagens de arquivo de Raul (entrevistas, filmes caseiros e shows). A mãe, irmãos, amigos de infância, músicos, parceiros, jornalistas e produtores estão entre os entrevistados, além das mulheres que passaram pela vida de Raul (duas ex-esposas, três ex-companheiras e três filhas). Além das conversas sobre os principais traços na personalidade de Raul, clássicos como “Ouro de Tolo” e “Gita” também são comentados pelos entrevistados. 

O documentário destaca a relação de Raul com seus principais parceiros, Paulo Coelho e Cláudio Roberto. Coelho, antes de Raul, jamais havia escrito letra de música. Raul o ensinou logo no início da parceria. “Apareci com a letra de ‘Al Capone’ e Raul achou que era longa demais e me disse: ‘Vamos ser diretos sem ser superficiais’”, conta Coelho. A parceria com Cláudio Roberto, que entre outros clássicos rendeu “Maluco Beleza” e “Rock das Aranhas”, tinha um ingrediente diferente do que Raul manteve com Paulo Coelho: músico Cláudio também contribuía e até interferia na melodia e não apenas nas letras.

Sem rótulos 

O documentário apresenta dois candidatos a vilões na trajetória de Raul. Primeiro, o próprio Paulo Coelho, responsável pela entrada de Raul no mundo das drogas. “Todas”, diz Coelho no documentário. Outro candidato a vilão é Marcelo Nova, que saiu em turnê com Raul já no fim de carreira e que muitos acusaram com sendo uma atitude oportunista ao expor o músico, já bastante debilitado, mas também completamente desacreditado por contratantes e gravadoras. 

Supostas vilanias à parte, o fato é que independentemente do parceiro Raul sempre quis falar para todos os públicos. Alcançou todas as classes e recusou todos os rótulos, menos um, que ele mesmo se deu: o raulseixismo. Por mais que a história do pai do rock brasileiro já tenha sido contada em livros e em outros documentários, impossível não se emocionar mais uma vez com a história e com a música de Raulzito. Assista Raul!

+

Diversão