Entrevista: Alexei Leão ousa em trabalho solo ao migrar do metal para o formato acústico

Vocalista da Stormental criou o projeto XEI e lançou o álbum "#320 on Hart Street"

Divulgação/ND

Alexei Leão, conhecido pela atuação no metal, lançou disco baseado em voz e violão. Desde 2014 ele mora nos Estados Unidos

POR Alessandro Bonassoli

Especial para o Notícias do Dia

Em qualquer área da atividade humana são poucos aqueles que têm a coragem para encarar os riscos de sair da área de conforto e buscar novos desafios. Se no setor da música isso é marcante, no radical reino do rock pesado isso é muito pior. Mudanças transformam relações de amor por ódio facilmente. Que o diga o Metallica, um dos gigantes do estilo, cujos álbuns “Load” (1996), “Reload” (1997) e “St. Anger” (2003) produziram uma considerável debandada de muitos fãs. Alexei Leão, vocalista do grupo catarinense Stormental e produtor musical, certamente não vê nisso uma barreira à sua criatividade. Morando desde 2014 em Nova York (EUA), onde foi aprofundar os estudos em engenharia de áudio e produção, ele radicalizou ao criar XEI, um projeto solo completamente oposto ao metal pesado que o consagrou em Santa Catarina e no Brasil. Ao Notícias do Dia, ele dá mais detalhes do álbum “#320 on Hart Street”, baseado em voz e violão, com composições intimistas, tudo disponibilizado em formato digital para download e uma edição especial em vinil.

Quem acompanha sua carreira com o Stormental foi surpreendido por um álbum com uma linha muito diferente. O quê te levou a arriscar?

Não foi uma decisão consciente, as músicas surgiram naturalmente. Eu estava morando sozinho e sem uma banda pra trabalhar composições, então foi a maneira que apareceu para me expressar artisticamente. A possibilidade de explorar algo acústico surgiu no EP “4 Seasons, 4 Reasons”, do Stormental. Na época, quis experimentar algo novo para mim e para a banda, uma balada acústica usando o violão como instrumento principal. Acho que funcionou bem e abriu essa possibilidade de escrever mais nesse formato.

Como está sendo a receptividade dos fãs?

Boa. Acho que a maioria dos fãs de metal, num geral, está cada vez mais aberta a outros estilos. O Stormental sempre foi um pouco diferente de tudo que acontece na cena, experimentando coisas diferentes misturadas ao som, então acho que não foi uma surpresa tão grande para quem já me conhece e conhece a banda.

E na mídia?

Fiquei feliz com os primeiros resultados. Foram bem positivos. Sou conhecido pela minha carreira no metal, mas acho que a sinceridade das composições transparece e as pessoas estão entendendo o sentido de eu lançar “#320 on Hart Street”.

Há planos para shows?

Sim, sem dúvidas! Sempre compus com o objetivo de tocar ao vivo. Não consigo entender esses músicos de “YouTube”, que tocam só em casa, fazem vídeos elaborados mas nunca pisaram num palco. Tocar para um público é sempre meu objetivo principal como artista.

Quais são as temáticas do álbum?

Todas as letras são inspiradas em momentos ou fatos que passei em minha vida pessoal (relações, morar sozinho num país diferente, falecimento de meu amigo mais próximo, entre outras). Durante as gravações tentei transparecer isso ao máximo nas execuções e interpretações.

Em que fase estão seus estudos nos EUA?

Encerrei a especialização de um ano no IAR (Institute of Audio Research). Formei-me com honras, como primeiro da turma, em Junho de 2015. Meu objetivo principal quando mudei para cá, era o de ter contato e estudar com grandes nomes da Produção Musical e da também da Indústria fonográfica mundial.

Como fica o Stormental, já que você está na América do Norte e o Markus Feminella (baterista) na Alemanha, onde toca com outra banda de metal, o In Legend?

O Stormental atualmente está mais para um status de projeto. Não dá para dizer que somos uma banda. Pretendemos nos reunir em 2016, gravar algo novo e fazer alguns shows. Acho que não será um problema casar as agendas. Mas de qualquer forma não vejo nenhum outro baterista substituindo o Markus, o que ele faz na banda torna quase impossível arrumar um substituto.

Como você vê essa fase solo?

Por enquanto, o álbum é “filho único”. Mas só por enquanto. Não sei dizer o que a vida me reserva no futuro, mas dificilmente será o único álbum que lançarei como XEI. Minha vida é compor e tocar. Tudo o que for extremamente pessoal devo lançar sob esse nome. Meu projeto principal em andamento na atualidade é o MARMOR, onde atuo como produtor, compositor e baixista. Em 2014, lançamos um livro e CD chamado “Alma Celta” pela editora Leya, a mesma de “Game of Thrones”, e temos um crowdfunding programado esse ano para desenvolvermos a trilha sonora da série “Espadachim de Carvão”, do escritor Affonso Solano. Em resumo, continuarei sempre lançando materiais e buscando expandir meus horizontes como músico, compositor, artista.

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