André Calibrina, novo presidente da Fundação Franklin Cascaes, fala sobre projetos para entidade

Primeiro sargento músico da Base Aérea de Florianópolis, Calibrina afirma que sua prioridade à frente da organização municipal é a valorização do folclore da Ilha de Santa Catarina

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Carioca radicado na Capital há mais de 30 anos, Calibrina é autor da “Marchinha do Mané” e criador do projeto Orquestra nas Comunidades

Primeiro sargento músico da Base Aérea de Florianópolis, o militar André Calibrina, 53, assumiu na última semana a presidência da FCFFC (Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes). Carioca radicado na Capital há mais de 30 anos, o músico afirma que sua prioridade à frente da organização municipal é a valorização do folclore da Ilha de Santa Catarina. Autor da “Marchinha do Mané”, canção que se tornou um dos hinos carnavalescos da cidade, e criador do projeto Orquestra nas Comunidades, que de 2003 a 2006 levou música para comunidades carentes de Florianópolis, André Calibrina toca tuba desde adolescência e afirma que a música “pode transformar vidas”.

Quando informado que parte da classe artística não recebeu positivamente a sua indicação para presidência da entidade cultural mais representativa da cidade, André Calibrina afirma que “ninguém me procurou para dizer que não gostou”. “Há 32 anos faço cultura em Florianópolis, tenho competências necessárias para ocupar o cargo”, garante o militar. Em entrevista ao Plural, o novo presidente fala sobre sua trajetória, os desafios e os projetos para a entidade cultural em tempos de falta de repasses financeiros e cortes de verbas.

Como criou a “Marchinha do Mané” e o projeto Orquestra nas Comunidades?

Em 1986 eu criei o primeiro grupo de pagode de Florianópolis, o Mistura Fina. Minha ligação com o Carnaval da cidade já vem de longa data. A Marcha do Mané foi criada em 1999, foi uma criação consequente dessa minha ligação com o Carnaval, lembro que na época “faltavam” músicas para o Carnaval daquele ano, o que me motivou a criar a marchinha. Já o projeto Orquestra das Comunidades surgiu em 2003, criei porque sei do poder transformador da música. Eu, por exemplo, consegui seguir um caminho profissional por causa da arte. Até 2006, passamos por mais de 15 comunidades carentes, promovendo a acessibilidade artística.

Por que você foi indicado para a presidência da FCFFC?

Foi uma indicação técnica. Assumi a organização oficialmente a partir do dia 25 de abril. Minha trajetória é diretamente relacionada com a música, e foi isso o que motivou a decisão da indicação.

Qual são suas atribuições à frente da FCFFC? Você cumpre expediente na sede da entidade?

Minha função é fazer com que a cultura aconteça na cidade, em todos os sentidos. Cumpro expediente na sede das 10h às 19h, podendo sair para reuniões externas referentes à fundação. 

Parte da classe artística questionou se seu nome era o mais adequado para presidência da FCFFC. Alguém já o procurou para fazer questionamentos?

Ninguém me procurou para dizer que não gostou, ou para fazer qualquer tipo de questionamento. Há 32 anos eu faço cultura em Florianópolis, e tenho as competências necessárias para ocupar esse cargo.

Você já participou de alguma reunião com alguma setorial de arte da cidade ou já tem algo agendado? 

Hoje [segunda-feira] é meu sexto dia de trabalho à frente da fundação. Eu ainda não participei de nenhuma reunião com setoriais e nem tenho algo agendado. Mas quero fazer muitas reuniões. Eu ainda estou conhecendo a casa, mas a cultura da cidade eu conheço bem.

Não houve edital do Funcine (Fundo Municipal do Cinema) em 2015 e o repasse ao Fundo Municipal de Cultura não acontece adequadamente desde que o mesmo foi criado em 2010. Como observa tais situações? Quais são as perspectivas diante de tal cenário?

Constato as falhas na falta do fomento e observo também uma falta de entendimento do empresariado de Florianópolis sobre a importância das leis de incentivo. A perspectiva é a pior possível. A crise econômica nacional se reflete diretamente em cortes de caixa de todas as organizações municipais. Diante disso, vamos buscar formas para não deixarem de acontecer nenhum desses fundos. No Funcine, já houve definição para os nomes para presidência [Fábio Seixas na presidência e Flávia Person na vice-presidência] e a posse oficial acontece na próxima quinta-feira. A entidade estava de fato abandonada, e agora com esse novo comitê gestor esperamos a definição das diretrizes e o fortalecimento da organização para garantia do fundo.

Quais são seus objetivos à frente da Fundação Franklin Cascaes?

Além da crise econômica, existe uma barreira neste ano para a criação de novos projetos porque estamos em um ano eleitoral. Creio que a maior importância na atualidade é primarmos pelo folclore da cidade, tradições como o boi de mamão. Tenho algumas ideias e projetos para que isso seja concretizado, como por exemplo realizar a distribuição para as escolas municipais de kits com vestimenta, descrição dos personagens e livros sobre o boi de mamão. Minha ideia é promover o mesmo com o cacumbi e com o pau de fita, costumes que fazem parte de nosso folclore, mas que têm sido perdidos com o passar dos anos. Também quero promover a valorização do artista local criando mecanismos e projetos para que isso aconteça, como, por exemplo, eventos onde esses artistas possam apresentar seus trabalhos, além de preservar e melhorar projetos já existentes na casa, como a Maratona Fotográfica e o Festival Isnard Azevedo. Também há um projeto de minha autoria tramitando na Câmara de Vereadores desde 2015 chamado “Calçada da Fama de Florianópolis”, que seria como uma calçada da fama, mas que valoriza talentos e grandes personalidades da história da nossa cidade, em diferentes áreas, como artes e esportes.

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