Mesmo com pouco apoio, 4º Floripa na Foto começa nesta terça com agenda intensa

Quarta edição do evento conta com atividades gratuitas, como palestras, exposições, projeções, lançamentos de livro e o 3º encontro de livros de fotografia de autor Brasil/Argentina

Divulgação/ND

Festival prioriza o fazer fotográfico reflexivo

É com muita persistência e o desejo de criar um diálogo entre a produção fotográfica de Santa Catarina, nacional e internacional que começa hoje a quarta edição do festival de fotografia Floripa na Foto. Organizado e idealizado por Lu Renata, 45, e Maria Lucila Horn, 48, o evento nasceu da vontade delas em participar de seminários e workshops, mas que com os valores altos e as viagens se tornariam inviáveis. “O objetivo era chamar para o Estado a ideia de valorização da produção local, mas também de um fazer fotográfico reflexivo. Que a fotografia vá além desse “boom” que todo mundo faz fotografia”, explica Lucila, formada em artes cênicas, e professora de fotografia. 

O 4º Floripa na Foto vai até sábado, e conta com atividades gratuitas, como palestras, exposições, projeções, lançamentos de livro e o 3º Encontro de Livros de Fotografia de Autor Brasil/Argentina. As atividades pagas, que são os nove workshops e as leituras de portfólio, com cinco leitores, têm vagas limitadas. Lucila e Lu deixam claro que a discussão durante o evento vai além da técnica, “já que isso outros festivais fazem”.

O evento tem financiamento coletivo via internet pelo Kickante, porém, ele termina hoje, e até ontem havia arrecadado menos de R$ 6 mil, dos R$ 30 mil esperados. Por isso, de acordo com as organizadoras, o que irá cobrir os gastos do evento, tais como passagens, hospedagens e alimentação dos palestrantes, serão as atividades pagas do festival. O que não for possível pagar com essa verba, será “retirado do próprio bolso”. Mas não pense que isso é motivo de desânimo para elas, que sentem mais pesar com relação aos poucos profissionais da Capital que se inscreveram no evento. De acordo com Lu, vans da Argentina, São Paulo e Rio Grande do Sul foram organizadas para comparecer ao festival, porém dois workshops já foram cancelados pela falta de procura.

“A gente sabe que se fizesse um evento para técnica fotográfica ia lotar, mas não é o nosso foco. Outras pessoas vendem workshops como fábrica de dinheiro, mas de mil pessoas que se inscrevem e fazem apenas 1% ganham dinheiro com isso de fato”, observa Lucila.

Pessoas importantes, de renome no meio virão a Florianópolis, e, segundo Lu, porque algumas até se convidaram. O paulista Boris Kossoy, que completou 50 anos de carreira este ano, e fará parte da leitura de portfólio na sexta-feira, é uma das atrações. O valor do investimento real nessa atividade seria de R$ 500, mas para quem participa do festival, o pagamento é de R$ 250. A leitura de portfólio é uma atividade de formação, comum em festivais e encontros de fotografia. Nessa atividade, fotógrafo e leitor trocam ideias e referências sobre o portfólio apresentado. O leitor auxilia os fotógrafos no desenvolvimento de seus trabalhos, possibilitando o direcionamento das propostas e pesquisas apresentadas. Boris é um dos autores com maior número de livros editados na área de fotografia no país.

Outro fotógrafo que deve ser lembrado é Claudio Feijó. Ele teve a primeira escola de fotografia, de onde saíram grandes nomes da fotografia contemporânea. Claudio dará seu famoso workshop, o Direcionamento do Olhar, na sexta e no sábado. O preço normal do curso era de R$ 680, mas para o festival custará R$ 450. 

Bruno Ropelato/ND

Lu Renata (à esq.) e Lucila Horn, as organizadoras do festival

Fotografia como educação

Para Lucila Horn, um ponto que deve ser levado em conta na fotografia é leva-la para o uso na educação. “A foto é uma ferramenta importante na educação do olhar. Poderia ser usada para educar criticamente, porque quem começa a fotografar passa a ver o mundo de uma maneira diferente”, reflete, afirmando que o boom  da imagem não é um acesso à cultura e sim uma massificação. 

Para ter um diferencial na fotografia é preciso exigir de si um conhecimento, uma pesquisa, uma bagagem. “A fotografia não é simplesmente uma ilustração de outra coisa, ela pode ser uma reflexão”, complementa Lucila.

As organizadoras afirmam que trabalham com uma cadeia produtiva da fotografia, que inclui produtor, curador, teórico e fotógrafo. Porém, faltam em Florianópolis boas galerias públicas e uma política cultural no Estado. “Nossa ideia é fomentar essa cadeia produtiva e o pensamento sobre isso”, finaliza.

Serviço

O quê: 4º Festival de Fotografia Floripa na Foto

Quando: de 24 a 28/11

Onde: Museu da Escola Catarinense – MESC, rua Saldanha Marinho, Centro, Fpolis

Quanto: atividades gratuitas e pagas

Saiba mais: www.floripanafoto.com

Destaques na programação gratuita

Deslocamentos: o autorretrato através do outro – EFA – POA, 24/11, 19h30
Abertura da exposição Entre Mundos de Guy Veloso, na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti, 25/11, 20h

3º Encontro de livros de fotografia de autor – Brasil e Argentina, 26/11, das 12h às 19h

A Fotografia Fine Art como, ferramenta de expressão, com Danny Bitttencourt, 27/11, às 9h30
Floripa na Foto na FAF (Feira de arte de Florianópolis), 28/11

 

 

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Floripa na Foto

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