Morre Dicró, último malandro

Sambista de 66 anos, conhecido pelo bom humor, não resistiu a um infarto

Divulgação/ND

Dicró chegou a ser nomeado “Prefeito do Piscinão de Ramos”

Morreu quinta-feira, em Magé (RJ), o sambista Dicró, 66, compositor de canções bem-humoradas como O Bingo e o “Melô da Galinha”. O músico sofreu um infarto durante a madrugada – ele sofria de diabetes e insuficiência renal. Após uma sessão de hemodiálise, passou mal e foi levado ao hospital, mas não resistiu.Ele vai ser sepultado à tarde, em Édson Passos, na Baixa Fluminense.

Dicró foi saudado nas redes sociais como “o último malandro” – em 1995, gravou junto a Bezerra da Silva e Moreira da Silva o álbum “3 Malandros in Concert”. Filho de uma mãe de santo, começou a compor no terreiro e na década de 60 já fazia parte do rol de sambistas do Rio de Janeiro.

Além da música, se aventurou também pelo teatro – escreveu em 1991 a peça “O dia em que eu Morri” – e pela televisão – estrelou a Escolinha do Professor Raimundo e, mais recentemente, apresentou um quadro no Fantástico.

Dicró também foi conhecido como o “Prefeito do Piscinão”, pois foi grande incentivador da criação do Piscinão de Ramos, na Zona Norte da capital fluminense. Seu último álbum foi lançado em 2002 e batizado como “Dicró no Piscinão”, e contou com participações de amigos como o humorista Chico Anysio.

Na década de 1990, formou parceria com os sambistas Moreira da Silva e Bezerra da Silva, encontro que resultou no álbum ‘Os 3 malandros in concert’.

O sambista nasceu em Mesquita, na Baixada Fluminense, mas sempre teve um carinho muito especial pelo bairro de Ramos, no subúrbio. Segundo ele, quando era pequeno, ia a pé de Mesquita até a praia de Ramos, pois não tinha dinheiro para pagar a passagem. Para o sambista, esse era o motivo do carinho especial que sentia pela região e a razão pela qual incluiu Ramos em algumas de suas músicas. Quando a praia começou a ficar suja, Dicró teria sido um dos maiores defensores do local e chegou a organizar um abraço simbólico da população no entorno da praia.

Um dos últimos CDs lançados por Dicró era vendido na rua, de mão em mão. O projeto, que é chamado ‘CD Rua’ e é de autoria do cantor Aguinaldo Timóteo, dá a possibilidade do artista vender o CD a preço popular, o que, segundo Dicró, era mais justo com os seus fãs.

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